Novidades Musicais: Oasis, Nine inch Nails, Audioslave, Steve Vai

Novidades Musicais: Oasis, Nine inch Nails, Audioslave, Steve Vai

05/07/2005A Cozinha

O sucesso que te joga para o alto é o mesmo que pode te destruir. Abaixo temos alguns exemplos de bandas e músicos que já foram elevadas ao ápice por críticos e fãs e agora correm para mostrar que ainda estão vivos e produzindo com a mesma criatividade de antes. Bem-vindo a mais uma edição Novidades musicais, desta vez apresentando os novos discos de Oasis, Nine inch Nails, Audioslave e Steve Vai.

With Teeth – Nine Inch Nails
Por Luciana Maria Sanches

With Teeth
Nine Inch Nails (Universal)
5 ovos!

Aparentemente, Trent Reznor, o homem Nine Inch Nails, chegou ao auge do seu potencial de experimentalismos com The Fragile (2001), o antecessor de With Teeth. Como se estivesse traçando uma curva de maturidade, Reznor volta à crueza e economia de efeitos de seu primeiro álbum, Pretty Hate Machine (1991). Entretanto, se no seu debute o homem era uma colcha de retalhos de influências evidentes, agora - quase quinze anos depois - é apontado como inspiração por boa parte das bandas estadunidenses. Não é preciso mais do que três ou quatro neurônios para concluir que isso não é necessariamente digno de orgulho. Daí vem a primeira hipótese da direção tomada por Reznor em With Teeth: a recusa em assumir a proliferação de filhotes que se inspiraram no criador, mas fizeram de sua arte um produto perfeito, quase que sob encomenda, para atingir o público jovem. Alguém pensou em Linkin Park (e seus clones) e no deleite das gravadoras com a descoberta do novo filão?

Sem jamais ter feito parte da playlist das rádios estadunidenses (ou de qualquer outro país) - exceção talvez para as músicas Closer e Hurt, ambas de Downward Spiral (1994) - , mas figurando em toda e qualquer pesquisa que apontasse as maiores influências da música atual, não chega a surpreender que Reznor tenha ficado decepcionado, para não dizer puto, com os desdobramentos advindos de sua música. Neste caso, o que fazer? Voltar ao ponto zero, dar tapa com luva de pelica, caminhar na contramão, buscando o essencial, isto é, a crueza mencionada ali no começo. Will you bite the hand that feeds?, provoca Reznor em The Hand That Feeds, primeiro single de With Teeth. Quem acompanha a trajetória do Nine Inch Nails sabe que Reznor não tem pudor algum em admitir que sim, ele se volta contra quem o colocou ali no topo não uma, mas inúmeras vezes, ao jamais ser previsível e dizer tudo o que precisa ser dito.

A segunda hipótese resulta das letras de With Teeth. Letrista talentoso, Reznor expõe como poucos o amontoado de sentimentos que carrega na alma. Por conta disso, criou-se para ele um estereótipo de artista problemático. O que pode ser visto apenas como coragem (algo raro e que atualmente pode chocar), acabou se tornando uma marca nem sempre bem-vinda do Nine Inch Nails, que não poucas vezes é tachado de banda depressiva. Eu poderia perder horas defendendo a importância da força proporcionada por se encarar sentimentos carentes de beleza de frente na recuperação de uma depressão, mas essa resenha não está sendo escrita em um consultório psiquiátrico. :P

De qualquer maneira, é natural para quem acompanha o NiN estreitar relações com Trent Reznor pelas suas letras. O que se ouve em With Teeth é um homem que está fechando um ciclo de sua vida. Depois de muita agressividade (Broken - 1992), muita exposição (Downward Spiral), um mergulho em busca de si mesmo (Fragile), ele parece estar mais calmo... ou seria acomodado? Em comum, todas as letras têm um profundo teor de realismo e resignação. É só escutar atentamente Love Is Not Enough, Everyday Is Exactly the Same, You Know What You Are?.

Fica a sensação de que Reznor pode seguir duas direções: desistir de ser uma voz destoante ou voltar a mergulhar em si mesmo em busca de novos sentimentos que estejam surgindo só agora. Nada mais natural, afinal, com o passar do tempo ninguém deixa de sentir nada, apenas enfrenta uma mudança de foco.

Em With Teeth Reznor privilegia o rock n roll básico e enérgico (The Collector, The Hand That Feeds, Getting Smaller), coloca umas pitadas de pop (Only), ardilosamente constrói uma música industrial deliciosa e acessível (With Teeth, Line Begins to Blur), e mais uma vez delega ao ouvinte a decisão de ficar intrigado ou extasiado. Ou como no meu caso, ambos.

Don´t Believe the Truth - Oasis
Por Luciana Maria Sanches

Don´t Believe the Truth
Oasis (Sony/BMG)
4 ovos

A expectativa envolvendo o novo trabalho do Oasis era enorme, já que o último álbum, Heathen Chemistry (2002), foi considerado um fiasco artístico por grande parte da imprensa especializada, opinião da qual não compartilho.

As boas novas são que Don´t Believe the Truth traz a banda de Manchester fazendo o que sempre fez de melhor. Repleto de influências que vão de Rolling Stones a The Kinks, eles mostram um revigoramento importante, até mesmo essencial, para manter-se entre as maiores do mundo.

Desta vez, Noel Gallagher resolveu dividir a função de letrista com os outros integrantes da banda. O resultado é excelente, especialmente pela variação temática e sensação de novos ares.

Turn Up the Sun é de autoria de Andy Bell, o baixista, e faz uma bela introdução. A animadinha Keep the Dream Alive também é de Bell. Love Like a Bomb é uma parceria de Liam Gallagher e Gem Archer, o guitarrista, que ainda compôs A Bell Will Ring. Liam ainda responde pela belíssima The Meaning of Soul e a sugestiva Guess God Think I´m Abel. Além disso, o mais descontrolado dos Gallagher mostra por que ainda não foi expulso da banda por Noel, ao voltar em sua melhor forma. Enérgico, o vocalista incorpora como poucos o significado de rock ´n´ roll, e tem plena consciência de que sua voz rasgada é o que torna qualquer música do Oasis facilmente identificável.

Ainda merecem destaque Mucky Fingers, cantada por Noel, que tem uma levada pop deliciosa sem ser grudenta, Lyla, o primeiro single, que é de longe a mais radiofônica do álbum (e neste caso isso não é ruim), e a assobiável Part of the Queue, que dá vontade de pegar o rumo da estrada e sair viajando pelo mundo.
Por fim, Let There Be Love traz os irmãos Gallagher fazendo um dueto nos vocais e tem aquele ar de hino do britpop, em uma aparente tentativa de recriar uma nova Champagne Supernova ou até mesmo Wonderwall. A música dificilmente será tão bem-sucedida quanto as antecessoras, mas fecha o álbum brilhantemente.

Out of exile – Audioslave
Por Marcelo Forlani

Out of exile
Audioslave (Universal)
3,5 ovos

Quando o ex-vocalista do Soundgarden Chris Cornell se juntou aos ex-instrumentistas do Rage Against the Machine Tom Morello (guitarra), Tim Commerford (baixo) e Brad Wilk (bateria), o mundo não sabia muito bem o que esperar. O auto-intitulado álbum de estréia do Audioslave, de 2002, mostrava apenas o que os fãs de música já sabiam: que os quatro eram ótimos em suas antigas bandas. O problema é que suas raízes infelizmente ainda eram muito profundas para serem cortadas e o resultado final tinha muitas faixas excessivamente parecidas com os trabalhos anteriores, dando um ar de jam session ao disco.

Neste segundo trabalho, Out of exile, há uma evolução rumo a uma identidade própria. E ao mesmo tempo, por mais paradoxal que isso possa parecer, ainda há muito de RATM e Soundgarden. Desde os primeiros e repetitivos riffs de Your time has come, até a batida final de The Curse, passando por baladas como Heavens dead, é fácil identificar características das duas extintas bandas. The worm é o maior exemplo disso. E no bom sentido!

A faixa 2, que dá título ao CD é outro bom exemplo de um instrumental bem trabalhado combinado com a ainda potente voz de Cornell, que vai do lento e baixo ao agitado e gritado, como se pode ouvir em Drown me slowly. Ao contrário do disco anterior, em que Cornell pegou as faixas já prontas e apenas emprestou sua voz, em Out of exile houve uma participação maior do ex-grunge e talvez por isso o resultado final seja mais homogêneo, com jeito de banda de verdade. Outro possível responsável pelo amadurecimento do som dos caras é o tempo na estrada. Excursionando e tocando juntos, os músicos melhoram o timming, e ganham o entrosamento que vai torná-los um grupo de verdade e diferenciá-los de amigos que resolvem tocar juntos num domingo à tarde.

Real Illusions: Reflections - Steve Vai
Por Rodrigo Piolho Monteiro

Real Illusions: Reflections
Steve Vai (Sony)
3 ovos

O guitarrista Steve Vai dispensa apresentações. Afinal, com mais de vinte anos de carreira, Vai é quase uma unanimidade no que diz respeito às seis cordas. É quase impossível deixar o cara de fora de qualquer lista em que estejam os nomes dos maiores guitarristas da história do rock. Dentre sua vasta discografia – tanto solo quanto em projetos paralelos e participações especiais – estão álbuns de suma importância para a História da guitarra moderna, dentre os quais se destaca o excepcional Passion and warfare (1993).

Dito isso, Steve Vai volta ao mercado depois de seis anos – descontando-se aí, coletâneas e os álbuns ao lado do G3 – com Real illusions: reflections. O novo CD traz 11 músicas, das quais sete são instrumentais e as demais trazem os vocais do próprio Vai. Para a gravação, ele contou com Billy Sheehan (baixo), Dave Weiner (guitarra) e Jeremy Colson (bateria), quase a mesma banda que o acompanhou recentemente ao Brasil.

De acordo com o guitarrista Real illusions: reflections é um álbum conceitual, que conta a história do capitão Drake Mason. Vítima de uma psicose originada por traumas sofridos na infância, ele (Drake) segue por uma trama que ora adquire tons dramáticos, ora surrealistas. E é o próprio capitão quem conta ao ouvinte sua história que, então, passa a ver o mundo através dos olhos de um louco.

Musicalmente falando, o disco é meio que um apanhado de tudo o que Steve Vai fez ao longo de sua carreira, possuindo muito do peso e do experimentalismo explorado por ele em trabalhos anteriores. Devido a isso, pode-se dizer que Vai apresenta aos fãs aquilo que eles esperam dele, ou seja: mais do mesmo. O que não é ruim, mas que também não é lá essas coisas. Há alguns pontos altos, como as faixas “Building the church” e “Glorious”. Por outro lado, a falta de um vocalista de verdade – por assim dizer – tira toda a força das quatro músicas cantadas pelo guitarrista, à exceção de “Firewall”, que acaba sendo a única a se salvar.

No frigir dos ovos, pode-se dizer que Real illusions: reflections vai agradar em cheio aos fãs de Steve Vai e a todos aqueles que gostam de uma guitarra bem tocada. Mas este, nem de longe, é um dos pontos altos da sua carreira.

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