Novidades Musicais: Oasis, Nine inch Nails, Audioslave, Steve Vai
Novidades Musicais: Oasis, Nine inch Nails, Audioslave, Steve Vai
O sucesso que te
joga para o alto é o mesmo que pode te destruir. Abaixo temos alguns
exemplos de bandas e músicos que já foram elevadas ao ápice
por críticos e fãs e agora correm para mostrar que ainda estão
vivos e produzindo com a mesma criatividade de antes. Bem-vindo a mais uma edição
Novidades musicais, desta vez apresentando os novos
discos de Oasis, Nine inch Nails, Audioslave e Steve
Vai.

With
Teeth – Nine Inch Nails
Por
Luciana Maria Sanches
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With
Teeth
Nine Inch Nails (Universal) |
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5
ovos! |
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Aparentemente,
Trent Reznor, o homem Nine Inch Nails, chegou ao auge do
seu potencial de experimentalismos com The Fragile (2001), o antecessor
de With Teeth. Como se estivesse traçando uma curva
de maturidade, Reznor volta à crueza e economia de efeitos de seu
primeiro álbum, Pretty Hate Machine (1991). Entretanto,
se no seu debute o homem era uma colcha de retalhos de influências
evidentes, agora - quase quinze anos depois - é apontado como inspiração
por boa parte das bandas estadunidenses. Não é preciso mais
do que três ou quatro neurônios para concluir que isso não
é necessariamente digno de orgulho. Daí vem a primeira hipótese
da direção tomada por Reznor em With Teeth: a recusa
em assumir a proliferação de filhotes que se inspiraram
no criador, mas fizeram de sua arte um produto perfeito, quase que sob
encomenda, para atingir o público jovem. Alguém pensou em
Linkin Park (e seus clones) e no deleite das gravadoras com a descoberta
do novo filão?
Sem jamais
ter feito parte da playlist das rádios estadunidenses (ou
de qualquer outro país) - exceção talvez para as
músicas Closer e Hurt, ambas
de Downward Spiral (1994) - , mas figurando em toda e qualquer
pesquisa que apontasse as maiores influências da música atual,
não chega a surpreender que Reznor tenha ficado decepcionado,
para não dizer puto, com os desdobramentos advindos de sua música.
Neste caso, o que fazer? Voltar ao ponto zero, dar tapa com luva de pelica,
caminhar na contramão, buscando o essencial, isto é, a crueza
mencionada ali no começo. Will you bite the hand that feeds?,
provoca Reznor em The Hand That Feeds, primeiro single
de With Teeth. Quem acompanha a trajetória do Nine Inch
Nails sabe que Reznor não tem pudor algum em admitir que sim, ele
se volta contra quem o colocou ali no topo não uma, mas inúmeras
vezes, ao jamais ser previsível e dizer tudo o que precisa ser
dito.
A segunda
hipótese resulta das letras de With Teeth. Letrista talentoso,
Reznor expõe como poucos o amontoado de sentimentos que carrega
na alma. Por conta disso, criou-se para ele um estereótipo de artista
problemático. O que pode ser visto apenas como coragem
(algo raro e que atualmente pode chocar), acabou se tornando uma marca
nem sempre bem-vinda do Nine Inch Nails, que não poucas vezes é
tachado de banda depressiva. Eu poderia perder horas defendendo a importância
da força proporcionada por se encarar sentimentos carentes
de beleza de frente na recuperação de uma depressão,
mas essa resenha não está sendo escrita em um consultório
psiquiátrico. :P
De qualquer
maneira, é natural para quem acompanha o NiN estreitar relações
com Trent Reznor pelas suas letras. O que se ouve em With Teeth é
um homem que está fechando um ciclo de sua vida. Depois de muita
agressividade (Broken - 1992), muita exposição (Downward
Spiral), um mergulho em busca de si mesmo (Fragile), ele parece
estar mais calmo... ou seria acomodado? Em comum, todas as letras têm
um profundo teor de realismo e resignação. É só
escutar atentamente Love Is Not Enough, Everyday
Is Exactly the Same, You Know What You Are?.
Fica a sensação
de que Reznor pode seguir duas direções: desistir de ser
uma voz destoante ou voltar a mergulhar em si mesmo em busca de novos
sentimentos que estejam surgindo só agora. Nada mais natural, afinal,
com o passar do tempo ninguém deixa de sentir nada, apenas enfrenta
uma mudança de foco.
Em With
Teeth Reznor privilegia o rock n roll básico e enérgico
(The Collector, The Hand That Feeds,
Getting Smaller), coloca umas pitadas de pop (Only),
ardilosamente constrói uma música industrial deliciosa e
acessível (With Teeth, Line Begins
to Blur), e mais uma vez delega ao ouvinte a decisão
de ficar intrigado ou extasiado. Ou como no meu caso, ambos.
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Don´t
Believe the Truth - Oasis
Por
Luciana Maria Sanches
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Don´t
Believe the Truth
Oasis (Sony/BMG) |
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4
ovos |
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A expectativa
envolvendo o novo trabalho do Oasis era enorme, já que o
último álbum, Heathen Chemistry (2002), foi considerado
um fiasco artístico por grande parte da imprensa especializada,
opinião da qual não compartilho.
As boas novas
são que Don´t Believe the Truth traz a banda
de Manchester fazendo o que sempre fez de melhor. Repleto de influências
que vão de Rolling Stones a The Kinks, eles mostram um revigoramento
importante, até mesmo essencial, para manter-se entre as maiores
do mundo.
Desta vez,
Noel Gallagher resolveu dividir a função de letrista
com os outros integrantes da banda. O resultado é excelente, especialmente
pela variação temática e sensação de
novos ares.
Turn
Up the Sun é de autoria de Andy Bell, o baixista,
e faz uma bela introdução. A animadinha Keep the
Dream Alive também é de Bell. Love Like
a Bomb é uma parceria de Liam Gallagher e Gem
Archer, o guitarrista, que ainda compôs A Bell Will
Ring. Liam ainda responde pela belíssima The
Meaning of Soul e a sugestiva Guess God Think I´m
Abel. Além disso, o mais descontrolado dos Gallagher
mostra por que ainda não foi expulso da banda por Noel, ao voltar
em sua melhor forma. Enérgico, o vocalista incorpora como poucos
o significado de rock ´n´ roll, e tem plena consciência
de que sua voz rasgada é o que torna qualquer música do
Oasis facilmente identificável.
Ainda merecem
destaque Mucky Fingers, cantada por Noel, que tem uma
levada pop deliciosa sem ser grudenta, Lyla, o primeiro
single, que é de longe a mais radiofônica do álbum
(e neste caso isso não é ruim), e a assobiável Part
of the Queue, que dá vontade de pegar o rumo da estrada
e sair viajando pelo mundo.
Por fim, Let There Be Love traz os irmãos Gallagher
fazendo um dueto nos vocais e tem aquele ar de hino do britpop, em uma
aparente tentativa de recriar uma nova Champagne Supernova
ou até mesmo Wonderwall. A música dificilmente
será tão bem-sucedida quanto as antecessoras, mas fecha
o álbum brilhantemente.
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Out
of exile
– Audioslave
Por
Marcelo Forlani
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Out
of exile
Audioslave (Universal) |
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3,5
ovos |
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Quando o
ex-vocalista do Soundgarden Chris Cornell se juntou aos ex-instrumentistas
do Rage Against the Machine Tom Morello (guitarra), Tim Commerford
(baixo) e Brad Wilk (bateria), o mundo não sabia muito
bem o que esperar. O auto-intitulado álbum de estréia do
Audioslave, de 2002, mostrava apenas o que os fãs de música
já sabiam: que os quatro eram ótimos em suas antigas bandas.
O problema é que suas raízes infelizmente ainda eram muito
profundas para serem cortadas e o resultado final tinha muitas faixas
excessivamente parecidas com os trabalhos anteriores, dando um ar de jam
session ao disco.
Neste segundo
trabalho, Out of exile, há uma evolução
rumo a uma identidade própria. E ao mesmo tempo, por mais paradoxal
que isso possa parecer, ainda há muito de RATM e Soundgarden. Desde
os primeiros e repetitivos riffs de Your time has come,
até a batida final de The Curse, passando por
baladas como Heavens dead, é fácil identificar
características das duas extintas bandas. The worm
é o maior exemplo disso. E no bom sentido!
A faixa 2,
que dá título ao CD é outro bom exemplo de um instrumental
bem trabalhado combinado com a ainda potente voz de Cornell, que vai do
lento e baixo ao agitado e gritado, como se pode ouvir em Drown
me slowly. Ao contrário do disco anterior, em que Cornell
pegou as faixas já prontas e apenas emprestou sua voz, em Out
of exile houve uma participação maior do ex-grunge e
talvez por isso o resultado final seja mais homogêneo, com jeito
de banda de verdade. Outro possível responsável pelo amadurecimento
do som dos caras é o tempo na estrada. Excursionando e tocando
juntos, os músicos melhoram o timming, e ganham o entrosamento
que vai torná-los um grupo de verdade e diferenciá-los de
amigos que resolvem tocar juntos num domingo à tarde.
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Real
Illusions: Reflections - Steve Vai
Por Rodrigo Piolho Monteiro
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Real
Illusions: Reflections
Steve Vai (Sony) |
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3
ovos |
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O guitarrista
Steve Vai dispensa apresentações. Afinal, com mais
de vinte anos de carreira, Vai é quase uma unanimidade no que diz
respeito às seis cordas. É quase impossível deixar
o cara de fora de qualquer lista em que estejam os nomes dos maiores guitarristas
da história do rock. Dentre sua vasta discografia – tanto
solo quanto em projetos paralelos e participações especiais
– estão álbuns de suma importância para a História
da guitarra moderna, dentre os quais se destaca o excepcional Passion
and warfare (1993).
Dito isso,
Steve Vai volta ao mercado depois de seis anos – descontando-se aí,
coletâneas e os álbuns ao lado do G3 – com Real
illusions: reflections. O novo CD traz 11 músicas, das
quais sete são instrumentais e as demais trazem os vocais do próprio
Vai. Para a gravação, ele contou com Billy Sheehan (baixo),
Dave Weiner (guitarra) e Jeremy Colson (bateria), quase
a mesma banda que o acompanhou recentemente ao Brasil.
De acordo
com o guitarrista Real illusions: reflections é um álbum
conceitual, que conta a história do capitão Drake Mason.
Vítima de uma psicose originada por traumas sofridos na infância,
ele (Drake) segue por uma trama que ora adquire tons dramáticos,
ora surrealistas. E é o próprio capitão quem conta
ao ouvinte sua história que, então, passa a ver o mundo
através dos olhos de um louco.
Musicalmente
falando, o disco é meio que um apanhado de tudo o que Steve Vai
fez ao longo de sua carreira, possuindo muito do peso e do experimentalismo
explorado por ele em trabalhos anteriores. Devido a isso, pode-se dizer
que Vai apresenta aos fãs aquilo que eles esperam dele, ou seja:
mais do mesmo. O que não é ruim, mas que também não
é lá essas coisas. Há alguns pontos altos, como as
faixas “Building the church” e “Glorious”.
Por outro lado, a falta de um vocalista de verdade – por assim dizer
– tira toda a força das quatro músicas cantadas pelo
guitarrista, à exceção de “Firewall”,
que acaba sendo a única a se salvar.
No frigir
dos ovos, pode-se dizer que Real illusions: reflections vai agradar
em cheio aos fãs de Steve Vai e a todos aqueles que gostam de uma
guitarra bem tocada. Mas este, nem de longe, é um dos pontos altos
da sua carreira.
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