Novidades Musicais
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Na época da bolha da Internet, dizia-se que o mais difícil não era ganhar um milhão de dólares, mas sim ganhar o segundo milhão. O mesmo vale para os discos. Fazer um bom álbum de estréia é complicado, mas é na hora de fazer o segundo que o bicho pega. Curiosamente, temos esta semana três segundos CDs. Quem completa a lista é um dos músicos mais respeitados aqui na Cozinha, Beck. Confira os Lançamentos musicais:

Guero – Beck
Por Luciana Maria Sanches
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| Guero - Beck (Universal) |
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5 ovos! |
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Se há algo indiscutível sobre o Beck é que o cantor sempre surpreende. Às vezes positiva, às vezes negativamente. Vanguardista, ousado e curioso, Beck tem uma discografia pontuada por altos e baixos, mas o importante é que Guero, o mais recente lançamento do cantor, é tão bom quanto o aclamado Odelay. O que não é nenhuma coincidência, já que Beck contou mais uma vez com a produção dos Dust Brothers, creditados como metade responsável pelo sucesso do CD de 1996, e entrega um álbum que passeia por diversas vertentes, do folk ao hip-hop, do indie à música brasileira.
Tem para todos os gostos. “E-Pro”, a primeira faixa, tem um sample de “So Wat´cha Want”, dos Beastie Boys. A deliciosa “Missing” é uma clara homenagem à MPB, “Go It Alone” traz a participação de Jack White (White Stripes) no baixo, e em “Hell Yes” dá para ouvir a atriz Christina Ricci (a Vandinha da Família Addams ) dizendo “please, enjoy”.
Vale destacar, por fim, “Scarecrow”. A canção é uma crítica pouco sutil a Michael Jackson. Os efeitos sonoros iniciais remetem a “Thriller” e evoluem para uma linha de baixo que se assemelha a “Billie Jean”. E o título – Espantalho - é uma clara referência a um dos personagens de “O Mágico de Oz”, um dos filmes prediletos do artista, que anda às voltas com a justiça estadunidense por conta de acusações de pedofilia.
A ironia e melancolia características de Beck caminham ao lado de visões mais otimistas da vida, talvez por conta do próprio amadurecimento do rapaz, agora casado, pai de um menino, dono de uma carreira bem-sucedida, e que tem motivos de sobra pra comemorar.
Guero, não por acaso, já é apontado como um dos melhores álbuns do ano pelo público e crítica. |

Antics – Interpol
Por Marcelo Forlani
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Antics
Interpol (Trama) |
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5 ovos! |
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Ah, o segundo álbum... Foi nesta tentativa de surpreender, ou melhorar o que já era bom e tinha feito tanto sucesso, que centenas de bandas fracassaram e acabaram sumindo do mapa.
Não é o caso de Antics, que não apenas dá continuidade ao ótimo Turn On The Bright Lights, mas consegue até mesmo ir além. E tudo isso sem perder a assinatura característica do Interpol. Seja nas guitarras de acordes repetitivos, seja na voz marcante de Paul Banks, ou nas discretas, mas importantes, participações do baixo e da bateria.
A culpa é em parte devido às influências bem claras daquele som que era feito no fim dos anos 70 e começo dos 80, principalmente a melancolia ouvida nas músicas do Joy Division. "Length of love" é a que mais se assemelha ao grupo de Manchester, principalmente no refrão.
Mas engana-se quem pensa em um disco sombrio e amargurado. Após um começo lento com a gostosa balada "Next exit", chegam músicas mais rápidas, como "Evil", "Narc" e "Slow Hands". As músicas são cheias de crescentes, que chegam ao topo, param por um segundo infinito - como quando o carrinho da montanha-russa chega lá em cima - e começam uma descida cheia de emoções.
Se há algo que pesa contra este disco é a demora de seu lançamento em prateleiras verde-amarelas. O álbum é conhecido de ingleses e americanos desde setembro de 2004. Mas se todos os bons discos chegassem mesmo que atrasados por aqui, seríamos nós muito mais felizes. |

Aha shake heartbreak – Kings of Leon
Por Marcelo Forlani
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Aha shake heartbreak
Kings of Leon (BMG) |
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3 ovos |
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Eis mais um exemplo de segundo disco que vem com a expectativa de superar um álbum de estréia que foi aclamado pela crítica. No caso da comparação entre Youth and Young Manhood (2003) e Aha Shake Heartbreake, que chegou às lojas brasileiras com mais ou menos 1 mês de atraso, a vontade de fazer algo diferente parece que foi tão grande que algo se perdeu.
Definitivamente não foi a alegria e o ímpeto de fazer todo mundo sair pulando. As quatro primeiras faixas provam isso. “Slow night, so long”, que abre o disco, aliás, parece até que foi feita junto com o disco anterior e por algum motivo ficou de fora, pois tem a mesma vibe da estréia.
Se as comparações com o Strokes eram freqüentes no trabalho anterior, o disco novo tem na faixa “The Bucket” guitarras que poderiam muito bem ter vindo do grupo nova-iorquino, mas o vocal de Caleb
Followill, que vale como um instrumento a mais, desfaz qualquer dúvida. Aliás, pago um Chicabom ® a quem conseguir pegar o encarte com as letras do disco e, de primeira, acompanhar o vocalista nas músicas. É impossível! Não há uma lógica na velocidade com que ele vai soltar as palavras. Deixo até mesmo pegar a "Soft", que tem uma letra mais simples, com versos que se repetem.
Para dizer a verdade, o disco inteiro é uma grande surpresa. Faixa após faixa, é impossível imaginar o que vem depois. Se o álbum todo tivesse a pegada rápida de "Velvet snow" com baladas no estilo da "Rememo", tudo bem. O problema são os refrões de "Milk" e, principalmente, "Day old blues", que parecem um daqueles alarmes que disparam no vizinho às 6h30 da manhã no domingo. |

Sujeito homem 2 – Rappin Hood
Por Marcelo Forlani
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Sujeito Homem 2
Rappin Hood (Trama) |
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4 ovos |
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Antes de mais nada, tenho uma confissão a fazer: a não ser que minha memória esteja muito gasta, eu me lembro que cheguei a pegar o primeiro CD do Rappin Hood na mão, colocar para tocar no meu CD Player e ele não deixá-lo rodar ali por mais do que dois minutos. Mas desde que ouvi Sujeito homem 2, que chega às lojas esta semana, estou revirando a minha casa para ver se acho Sujeito Homem, de 2001.
Rappin Hood, que é um dos principais responsáveis pelo crescimento do hip hop no Brasil, faz neste seu segundo disco uma engenhosa fusão do rap com outros gêneros musicais, principalmente o samba e a MPB. O que mudou não foi o estilo do rapper, mas sim a minha percepção. Talvez no passado o meu ouvido não estivesse preparado para tal fusão. Agora, depois de ser martelado com as faixas do ótimo Em busca da batida perfeita , do carioca Marcelo D2, eu quero é mais.
Não é à toa que acordo cantando “Disparada rap”, em que Hood faz um ótimo dueto com Jair Rodrigues e vou dormir ao som de “Rap du bom Parte II”, em que ele canta ao lado de Caetano Veloso, que faz trechos de sua famosa “Odara”. Também fazem participações especiais Zélia Duncan, Gilberto Gil e, por meio de samplers Cartola, Dorival Caymmi e Chico Buarque, entre outros.
O disco se preocupa em equilibrar boa música com letras que demonstram a indignação do rapper com as desigualdades sociais, que marcam todas as faixas do disco, como por exemplo na faixa “Us playboy”, em que rima sobre “a diferença entre us playboy e us mano”. |

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