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Crítica: Sem Reservas

Faltou uma pimentinha no remake da comédia romântica alemã

Lívia Vilela
09 de Agosto de 2007
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Sem Reservas

No Reservations
EUA , 2007 - 103
Comédia / Romance

Direção:
Scott Hicks

Roteiro:
Carol Fuchs, Sandra Nettelbeck

Elenco:
Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patricia Clarkson, Jenny Wade, Bob Balaban, Brian F. O'Byrne, Lily Rabe, Eric Silver, Arija Bareikis, John McMartin

3 ovos

 

 

O grande problema de assistir a uma refilmagem é não conseguir escapar da comparação. Se você decidir ir ver Sem Reservas, esqueça do filme original, a comédia dramática romântica alemã de 2001, Simplesmente Martha. Eu não consegui.

Kate (Catherine Zeta-Jones) é a versão norte-americana - mas não menos problemática - da chef perfeccionista Martha. Sua vida pessoal não tem nada dos maravilhosos sabores que ela costuma perseguir na cozinha de um restaurante da moda de Manhattan.

Depois de deixar seu terapeuta entediado e faminto com suas descrições de receitas, Kate começa a ter verdadeiros problemas para discutir em suas horas de análise. Sua irmã, que a visitaria em poucos dias com a sobrinha, sofre um acidente e Kate torna-se a única responsável pela criança.

Como se não bastasse a bagunça em sua casa, a cozinha do restaurante - que Kate chama de "sua" - ganha uma nova e espaçosa companhia. Trata-se de Nick (Aaron Eckhart), um talentoso e bem-humorado chef contratado pela dona do restaurante.

Eis os problemas que Kate enxerga imediatamente em Nick: ele é o oposto do que ela acredita ser um bom chef, mas é exatamente isso que o torna perfeitamente capaz de entreter e dirigir uma cozinha - a "dela".

Enquanto isso, ela também sofre para criar um lar para a sobrinha Zoe (a sensacional Abigail Breslin de Pequena Miss Sunshine). A garota oscila entre momentos de melancolia pela morte da mãe, carência por uma figura fraterna e a usual rebeldia pré-adolescente, deixando Kate completamente perdida. Nem comer os sofisticados pratos da tia ela é capaz. E adivinha só quem vem para salvar tudo isso? Se você já viu uma só comédia romântica na vida já entendeu...

Aaron Eckhart está bem diferente (mas não menos cativante) do irônico Nick de Obrigado Por Fumar, mas sua contratação não deixa de ser um tanto equivocada. No original os chefs rivais, além de tudo, têm culturas diferentes, o que apimenta ainda mais a relação. Enquanto isso, Catherine Zeta-Jones faz até bico e deixa mostrar algumas rugas - maldita tecnologia - mas prova que os anos e a experiência só têm lhe feito bem - é um dos seus melhores papéis no cinema. Mas é a menina Abigail que consegue fugir de qualquer estereótipo, sendo o grande destaque do filme, e provando que veio pra ficar e seu talento é mesmo nato. Chega a ser constrangedora a diferença entre sua Zoe e a garotinha alemã emburrada Lina (Máxime Foerste).

E se o filme não traz qualquer novidade ao gênero, nem agrega nada ao original, acaba parecendo uma reciclagem, não uma refilmagem. Pelo menos visualmente ele é muito mais bonito. Simplesmente Martha não deixou ninguém com água na boca, mas aquele cinza embaçado do filme alemão não aparece aqui; a produção hollywoodiana dá a sensação de que a qualquer momento será possível sentir os aromas dos pratos em pleno cinema.


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