Antes ele estava desinteressado. Agora, sua atitude virou venenosa. Literalmente.
"O que posso lhe dizer é que vou ficar cuspindo veneno por tudo [relacionado ao filme] nos próximos meses", disse Alan Moore, em entrevista ao blog Hero Complex, do Los Angeles Times, sobre a adaptação cinematográfica de Watchmen.
O problema não é com este filme em si, mas com a indústria cinematográfica como um todo, segundo a entrevista. "Acho que o cinema na sua forma atual é muito prepotente. Ele nos dá comida na boca, o que dilui nossa imaginação cultural coletiva. É como se fôssemos passarinhos recém-saídos dos ovos olhando pra cima, com nossas bocas bem abertas, esperando que Hollywood nos alimente com um vômito de vermes. O filme de Watchmen parece mais vômito de vermes. Eu, pelo menos, cansei de vermes."
O autor ainda ri dos problemas jurídicos do filme - o processo da Fox contra a Warner que quer impedir seu lançamento. "Será que o filme um dia vai sair? Tem esses problemas jurídicos agora, que eu acho lindamente irônicos. Talvez ele esteja amaldiçoado à distância, da Inglaterra", diz Moore. E não é prudente brincar com um autor estudado em bruxaria.
Moore joga seu veneno para a indústria de quadrinhos também: "Há três ou quatro empresas agora que existem somente para criar não quadrinhos, mas storyboards para filmes. Pode-se dizer que a única razão pela qual a indústria dos quadrinhos ainda existe é essa, para criar personagens para filmes, jogos de tabuleiro e outras mercadorias. Os quadrinhos são uma espécie de horta onde crescem franquias que podem ser rentáveis para a indústria cinematográfica debilitada".
Moore fala bem de alguma coisa? Mais ou menos: do documentário The Mindscape of Alan Moore, que finalmente foi lançado para venda ao público nos EUA. É uma longa entrevista com o autor, ilustrada por representações gravadas de suas criações. "[O diretor] Dez Vylenz é muito talentoso e se há algo no filme que não o torne um sucesso, eu culpo as falhas do personagem principal", finaliza, não poupando nem a si mesmo.
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