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Três anos depois, conclui-se A guerra de Hart, filme baseado na obra de Katzenbach, direção de Gregory Hoblit. Thomas Hart (o promissor Colin Farrell, o Mercenário do novo filme do Demolidor), um estudante de Direito, tenente dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, cai nas mãos dos inimigos nazistas. Num campo de concentração, no meio de centenas de prisioneiros, Hart encontra dificuldades variadas. Por um lado, a desconfiança e a inimizade do severo coronel William McNamara (Bruce Willis). Por outro, as tensões existentes entre seus próprios companheiros de bandeira. Os conflitos se agravam quando os alemães capturam dois pilotos, ambos negros e as diferenças raciais exacerbam-se. Embora da mesma pátria, alguns brancos não aceitam compartilhar seu espaço com os negros.
Mentalidade ariana
No calor das discussões, morre um soldado. Acusado: Lincoln Scott (Terrence Dashon Howard), um dos negros. Às pressas, para não ferir os direitos humanos, os prisioneiros organizam um julgamento, com júri formado pela tropa alemã. E Hart se incumbe da defesa de Scott. Fica claro, no entanto, aos acusadores, às testemunhas e ao acuado, que o tribunal serve como uma encenação. O filme não deixa brechas: a intenção é mostrar que os norte-americanos podem ser tão racistas quanto os seguidores da mentalidade ariana. Enquanto um dos generais da SS aprecia, escondido, o Jazz negro dos Estados Unidos, o coronel McNamara claramente impede Hart de interferir na decisão pré-estabelecida do julgamento. "Se eu quisesse somente lutar contra os brancos, ficava em casa", reclama Scott. "Esse julgamento merece mais seriedade, vocês não estão no Alabama", avisa um nazista.
Se Renoir, um ex-combatente que presenciou o terror do conflito da I Guerra, optou por exibir toda a crueza das diferenças humanas, mas de maneira complexa e plural, A guerra de Hart apóia-se em determinismos, reduz a história a discursos extremamente humanistas e patrióticos. Funciona aliás, como um típico "filme de tribunal", em que a Justiça e as lições sempre prevalecem. Apesar de tudo isso, a comparação não desmerece a produção. Renoir era um mestre. A obra de Hoblit vale ser vista pela premissa interessante e pela abordagem de um tema difícil e espinhoso.
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A guerra
de Hart |
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