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A Coragem de Amar

Um Homem, Uma Mulher, multiplicado por três

Marcelo Hessel
29 de Novembro de 2007
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A Coragem de Amar

Le Courage D’ameir
França , 2005 - 103
Romance

Direção:
Claude Lelouch

Roteiro:
Claude Lelouch

Elenco:
Mathilde Signer, Maïwenn, Massimo Ranieri, Michel Leeb, Arielle Dombasle, Sara Forestier, Line Renaud, Yannick Soulier e participação de Pierre Arditi

2 ovos

 

De trilogias também se faz o cinema cafona francês. Segundo filme da série que o diretor Claude Lelouch chamou de Le Genre Humain (o gênero humano), continuação de Les Parisiens (2004), A Coragem de Amar reafirma o talento dos herdeiros e bastardos da Nouvelle Vague para filmar belas mulheres - e só.

Irmão sem talento de Louis Malle e François Truffaut, Lelouch investe no filme coral, antes de apelar para a metalinguagem, para falar de relacionamentos à francesa. Há uma ladra de butiques que encontra sua alma gêmea na forma de um cantor italiano cinquentão. Há o empresário de família russa do ramo de pizzarias que se apaixona pela mulher de quem compraria uma mansão. E há duas irmãs gêmeas que fazem a ponte entre os dois núcleos dramáticos e, como todos, não sabem se encaram a paixão com otimismo ou desesperança.

Há uma bela mulher aqui, não propriamente uma descoberta de Lelouch, mas um rosto que ainda não virou sumidade internacional: Maïwenn Le Besco, a intérprete da jovem Shaa. A forma evidentemente enamorada com que o cineasta aproxima o close-up do sorriso largo de Shaa é uma lufada de epifania visual em meio à melosidade das chansons e à floresta negra que é o texto arrastado de Lelouch.

Se o cinema francês dos anos 60 e 70 virou sinônimo de chatas relações discutidas a dois no café, no almoço e no jantar, a culpa em boa parte é dos filmes que Lelouch repete desde Um Homem, Uma Mulher (1966). Para o bem ou para o mal, este é o tipo de cinema que ele sabe e insiste em fazer. Mas, como disse acima, há em A Coragem de Amar uma adição: a metalinguagem. E rostos à parte, até sobra uma cena inspirada, quando o próprio diretor aparece em quadro e faz o italiano repetir mil vezes a Shaa que não a ama.

Amar demais é mesmo um porre.


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