Desde
os dias em que o Brasil sofria para se classificar para a Copa, o que mais fazia
falta não era a ausência de bons jogadores, mas sim a completa
inexistência de coletividade entre eles. Não importa se o técnico
era o engravatado Luxemburgo, o tingido Leão, ou o popular Felipão,
o time não conseguia desenvolver um estilo de jogo que empolgasse. O
único lampejo aconteceu quando derrotamos a Argentina no Morumbi. A ironia
é que justamente os nossos vizinhos em crise é que têm jogado
o mais bonito futebol dos últimos anos. Eles se classificaram com facilidade
e demonstraram contra a Nigéria que seu favoritismo não é
infundado.
Além dos
nossos hermanos sul-americanos, os irlandeses também
têm provado que a união é mais importante do que o individualismo.
O capitão irlandês Roy Keane (aquele que marcou o gol da
vitória do Manchester United contra o Palmeiras na Toyota Cup) foi mandado
de volta para casa depois de criticar a preparação do time. Em
vez de causar uma crise, isso serviu para fechar o grupo, que traduzido
do futebolês para o português significa que os atletas estão
se esforçando cada vez mais para provar que não precisam dele.
Quem sentiu na pele o efeito Keane foi a Alemanha. Depois
de golear a Arábia Saudita por 8x0 os comedores de chucrute acharam que
podiam voltar a sonhar com o título, mas a garra irlandesa foi mais forte
e nos últimos minutos conseguiu um daqueles empates que têm sabor
de vitória.
Enquanto isso,
a família Scolari continua dependendo de dias inspirados de Ronaldos
e companhia. É pouco para quem quer ser campeão do mundo. No Brasil
das estrelas solitárias, a União faz açúcar.