No
mesmo ano de sua morte, James Cook (1728-1779), navegador e explorador
inglês, adicionou mais um feito exemplar ao seu currículo. Antes de ser assassinado
por nativos do Havaí, Cook visitou o Taiti, e lá se espantou com os habitantes
locais - homens e mulheres que não vestiam roupa alguma, apenas cobriam os seus
corpos com desenhos exóticos. Denominada Tato pelos taitianos, ou desenho
no corpo, a técnica consistia na injeção sistemática de tinta preta na pele.
Cook não demorou para adaptar o termo ao seu idioma. Assim, quatro mil anos
depois de ter surgido no Egito Antigo, centenas de anos depois de ter se espalhado
pelo mundo, a tattoo ganhou a sua nomeação definitiva.
No
Brasil, as tatuagens como são concebidas hoje, com aparelhagem específica e
agulhas descartáveis, surgiram no final dos anos 50, trazidas por Knud Harald
Lukke Gegersen, o Lukke, um dinamarquês instalado em Santos/SP. Com
o passar das décadas, ganharam adeptos, entre tatuadores, marinheiros, motoqueiros,
casais enamorados ou qualquer pessoa que buscava se diferenciar dos outros através
da pintura epidérmica. De 19 a 21 de Outubro de 2001, plena época de aceitação
e crescimento dessa indústria, acontece a V Convenção Internacional da Tatuagem,
no Galpão da Barra Funda. Quinhentos profissionais do mundo todo, do Japão aos
EUA, apresentam os seus trabalhos e as suas técnicas, numa expectativa que deve
superar os números de 2000, quando o evento alcançou a marca de 15.000 visitantes.
Técnicas seculares
Organizada pelo estúdio brasileiro Leds Tattoo, a quinta edição reúne
palestras, exposições de desenhos e espaços especiais para a elaboração das
figuras propriamente ditas. Durante os três dias de atividades, tatuagens e
piercings serão sorteados. A oportunidade de conhecer os trabalhos estrangeiros,
em especial os orientais, são o atrativo maior da convenção. De fato, verdadeiros
mestres da arte, os japoneses configuram um mundo a parte. Com técnicas quase
primitivas, seculares, levam anos para conceber uma tatuagem de corpo inteiro.
Até
1870, a Irezumi - ire significa colocar, sumi significa
tinta - era utilizada no Japão como forma de punição. Mas nos tempos antigos,
as marcas também serviram de instrumento de expressão para pessoas comuns, artesãos
e trabalhadores braçais que utilizavam os desenhos para demonstrar motivação
e ganho de prestígio na sua comunidade. Nessa época, final do século XIX, o
fotógrafo britânico, de origem italiana, Felice Beato (1825-1908) registrou
o fenômeno. Mítica e cheia de simbologias, a arte oriental ganhou o mundo. Hoje,
letras, dragões (representa a felicidade, a união, a sabedoria e a generosidade),
samurais (heroísmo, força) e carpas (força masculina, coragem, sucesso e perseverança)
são alguns dos símbolos mais ostentosos e procurados. Presentes na convenção,
as técnicas artesanais sumi e tebori são as mais destacadas. Tendo
como instrumento uma haste de madeira, marfim ou bambu, onde são presas as agulhas,
elas utilizam tintas à base de óleo e fuligem ou à base de óleo e carvão.
Mesmo
com esse manuseio mais artesanal, sem o mecanicismo das máquinas tradicionais,
as regras de proteção devem ser observadas. Dentro da higiene obrigatória, são
exigidos uma estufa para esterilizar a aparelhagem, agulhas descartáveis, giletes
descartáveis, luvas e máscaras cirúrgicas. Depois de finalizada a aplicação,
a área precisa ser tratada com pomada cicatrizante e sabonete neutro, longe
do sol, da praia ou da piscina. Claro, fica o lembrete: deixe o modismo e o
impulso de lado, uma vez que a marca é quase indelével. A cirurgia de remoção,
método a laser, exige de seis a sete sessões, cerca de R$250,00 cada, em intervalos
de um mês. Fica mais barato visitar a convenção e pensar bem antes de se aventurar.
Os ingressos custam R$10,00 e o evento funciona do meio-dia às 20h00.
V Convenção
Internacional da Tatuagem
Local: Galpão da Barra Funda
Avenida
Francisco Matarazzo, 530 - São Paulo - SP
De 19 a 21 de Outubro de 2001 - das 12 às 20 horas
Ingressos a R$10,00