Borat
colocou o britânico Sacha
Baron Cohen no mapa mundi da comédia. A brilhante história
do jornalista cazaque em sua visita de pesquisa aos Estados Unidos & América
satiriza de maneira incisiva o american way of life.
Como o rosto de Borat tornou-se um ícone cultural, Cohen não
podia mais usá-lo para pegar de surpresa entrevistados em uma eventual
continuação. Assim, recorreu a outro dos personagens criados para
o Ali G Show, o fashionista austríaco Brüno,
para seu próximo projeto.
Novamente transformado fisicamente, Cohen agora busca outro tipo de sátira:
a do culto à celebridade no outro lado do Atlântico.
A estrutura do documentário falso, outra vez dirigido por Larry
Charles, é a mesma do antecessor, com um estrangeiro chegando
aos EUA, acompanhando por um colaborador - Lutz (Gustav Hammarsten) -, onde
conduz uma série de entrevistas e encontros.
Mas se a linha narrativa que conduz Borat é a procura por Pamela
Anderson, aqui Brüno busca algo mais efêmero: a fama.
É nessa busca que residem as maiores qualidade do filme. Brüno
tenta ficar famoso de todas as maneiras possíveis. Contrata um agente,
busca ajuda de consultoras de causas nobres e até importa um bebê
negro, "que veio daquele país, a África", explica.
Quando nada dá certo, apela para o martírio, procurando um terrorista
para que seja sequestrado e fique famoso. Seu destino? Cisjordânia, na
"Terra Média".
Brüno faz uma escancarada e histérica crítica à
"profissão de famoso", esse interesse quase doentio pelas vidas
de figuras públicas, e o que algumas pessoas fazem para obtê-lo:
dos exemplos citados acima até o extremo de realizar sex tapes.
Pena que Brüno confunde o ex-candidato à presidência dos EUA,
Ron Paul, com o travesti Ru Paul na sua...
Como em Borat, cenas ensaiadas e o acaso documental se misturam em
Brüno, mas aqui a balança pende um pouco mais para o filme
roteirizado. O primeiro longa surpreendeu mais por apostar no formato inusitado.
Em compensação, as piadas e situações são
ainda mais infames - e até pornográficas em certos momentos -
na novidade. O que não mudou foi o resultado: é na agilidade cômica
de Baron Cohen e na revolta honesta de quem divide a tela com Brüno (sejam
essas pessoas debatedores da paz no Oriente Médio, caçadores caipiras,
gente simples que frequenta programas de TV ou a Paula Abdul) que reside a genialidade
do filme.