A lucrativa franquia A Era do Gelo chega à
sua terceira edição novamente sob a direção do brasileiro
Carlos Saldanha. Desta vez, porém, o inusitado grupo
de mamíferos que tenta sobreviver durante a dramática mudança
climática global ganha o reforço do 3-D estereoscópico,
recurso em que a indústria do cinema aposta para tirar os espectadores
de casa e colocá-los no cinema.
A ferramenta é bem aproveitada. Saldanha não se deixa deslumbrar
pela tecnologia, usando-a com inteligência e guardando-a para as cenas
climáticas de ação. Essas sequências são muito
bem executadas, geralmente envolvendo elementos que amplificam a sensação
da tridimensionalidade, como túneis de gelo, resultando em verdadeiros
passeios de parque de diversões.
Na nova aventura, os mamutes Manny e Ellie
vão ter um filhote. O acontecimento, no entanto, causa sensações
diversas em seus companheiros de aventura, o tigre dentes-de-sabre Diego
e a preguiça Sid. O felino crê que os amigos estão
deixando-o menos selvagem e pensa em partir. Já o divertido Sid começa
a pensar em ter sua própria família - e sai à caça
de uma, dando início a uma jornada do grupo por um vale perdido, onde
ainda existem os últimos dinossauros.
A adição desse cenário inusitado dá à série
novas e ameaçadoras criaturas, mas também um dos melhores personagens
de toda a Era do Gelo até aqui: Buck, o caçador
de dinossauros. Espécie de Capitão Ahab de Moby Dick,
a doninha caolha é obcecada por um réptil colossal e vive completamente
sozinha (e um tanto surtada) no vale perdido. Esse guia insano - no original
dublado pelo onipresente Simon Pegg - leva o grupo através
dos perigos do mundo jurássico e vem acompanhado não apenas de
design perfeito e personalidade cativante, mas também de uma assinatura
cinematográfica toda particular. A Buck, Saldanha reserva close-ups
dramáticos, flashbacks estilizados (como se fossem filmes antigos,
em 3-D!) e um carinho especial.
São desse caçador as melhores cenas do filme, superando até
mesmo as sequências do campeão de popularidade da franquia nos
primeiros dois filmes, o esquilo Scrat. Mas os fãs do
faminto roedor ficarão satisfeitos em saber que ele tem ainda mais tempo
de tela desta vez e não vem sozinho...é acompanhado por uma esquilo
fêmea, Scratte. As cenas dos dois "casados"
são de partir o coração - Scrat sente na pele a rédea
curta de uma fêmea castradora. Felizmente, ele não se deixa emascular
tão fácil e deveria tornar-se um novo ícone da macheza.
Viva o squirrel power!
Como sempre na série, vale ressaltar também o trabalho dos dubladores.
O novato Buck é dublado por Alexandre Moreno (a voz
de Ben Stiller e Adam Sandler no Brasil), que se junta a um dos melhores elencos
de dublagem de todas as séries animadas no cinema por aqui. Não
se perde nada assistindo A Era do Gelo 3 (Ice
Age: Dawn of the Dinossaurs) na versão em português graças
a Diogo Vilela (Manny), Márcio Garcia
(Diego), Cláudia Jimenez (Ellie) e o excelente Tadeu
Mello (Sid).
Com A Era do Gelo 3, Saldanha prova por quê é considerado
o brasileiro mais importante em Hollywood na atualidade. O diretor faz um cinema
universal, divertido, inteligente sem exageros e, o que mais importa por lá,
lucrativo. Com mais esse acerto deve conseguir o espaço de manobra para
tornar-se mais que um competente diretor para a Fox, mas um autor de renome.
Afinal, seu próximo projeto será a animação Rio,
que, pela ambientação no Brasil, promete colocar algum calor nos
até aqui "gelados" projetos desse carioca.
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está passando