Apesar das presenças no elenco de Mickey Rourke, Diane Lane e
Thomas Jane, o principal atrativo de Killshot - Tiro Certo (2008)
é o fato de ser adaptado de um romance de 1989 do escritor Elmore Leonard,
autor das histórias que deram origem a O Nome do Jogo (1995), Jackie
Brown (1997) e Irresistível Paixão (1998).
Ironicamente, o fraco do filme policial dirigido por John Madden (Capitão
Corelli) e adaptado pelo próprio Elmore, em parceria com Hossein Amini,
é justamente o texto.
Somos apresentados a uma situação típica de filme-de-matador-bonzinho. O assassino
de aluguel que protagoniza a história, Armand "Blackbird" Degas (Rourke), é
daqueles cheios de caprichos e normas de conduta, que começam narrando em off
"que é preciso saber onde você está se metendo" - e então passam o filme
todo quebrando as próprias regras que estipularam.
Trata-se uma herança do noir, e a literatura policial pulp é evidentemente
uma fonte onde bebe Leonard. O problema é que os detetives particulares dos
anos 40 quebravam as próprias regras por ganância ou por tara, e não há em Killshot
uma justificativa decente para que Blackbird quebre as suas. Há uma carga
de culpa no meio, é verdade, uma substituição sentimental nascida do luto, mas
nada explica o fato de o matador mais frio e calculista do mundo pegar o primeiro
ladrão pé-de-chinelo que aparece no caminho e embarcar com ele numa jogada obviamente
furada.
Porque Blackbird não apenas quebra suas regras. Ele quebra bonito. Faz o maior
esforço do mundo para não ser reconhecido por testemunhas e curiosamente está
com sua fotografia em todas as xerox do FBI. Assiste, olhando pro alto, pro
nada, a dois assassinatos que poderiam render a paz de espírito que ele evidentemente
procura. E acima de tudo arruma um parceiro de crime (Joseph Gordon-Levitt)
tão falastrão, careteiro e irritante que ficam os dois parecendo uma dupla de
vaudeville.
Apresentados os tipos, Killshot se desdobra numa história de perseguição:
Blackbird e seu garoto prodígio tentaram executar aquele golpe furado mencionado
acima e deixaram para trás duas testemunhas, um casal em vias de divórcio, vividos
por Jane e Lane. O interesse de Madden é acompanhar como ex-marido e ex-mulher
se reaproximam em tal situação, mas o absurdo da premissa e as justificativas
seguintes para os atos dos personagens não permitem crer em nenhum drama que
o filme teria a oferecer.
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está passando