Madagascar 2 (Madagascar: Escape 2 Africa,
2008) é um caso raro, um filme que aprendeu com os erros e acertos do
primeiro.
A animação longa-metragem pegou todos os elementos que funcionaram
a contento na aventura original de 2005, como os pinguins e o (chapado?) Rei
Julien (Sacha Baron Cohen), e os refinou. Também cercou os protagonistas
Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman
(David Schwimmer) e Gloria (Jada Pinkett Smith), os animais
do zoológico do Central Park, de coadjuvantes bem mais interessantes
do que eles próprios.
O resultado é bastante positivo. Para cada lamentação
inocente do leão Alex - de longe o personagem menos interessante - há
um sem-fim de piadas fantásticas envolvendo a fauna satélite.
Os pinguins, aclamados pelo público do primeiro, dão novamente
um show. Há um humor sutil, adulto e sacana ali, impagável. As
negociações das aves com os chimpanzés são o ponto
alto, bem como o surgimento do carente e fofo lêmure que persegue Julien
em sequências de um nonsense incrível.
Outras formidáveis adições ao elenco são Makunga,
vilão leonino vivido pelo inspirado Alec Baldwin, e
Moto-Moto, o hipopótamo saradão interpretado
pelo supercool Will.I.Am.
É interessante também como o roteiro de Etan Cohen
(Trovão Tropical) encontra arcos de histórias satisfatórios
para cada personagem principal. Enquanto Alex reencontra sua família
e temos vislumbres de sua origem selvagem, o hipocondríaco Melman torna-se
curandeiro das girafas, Marty vive uma crise de identidade em meio ao seu bando
e Gloria é assediada pelo mais desejado dos hipopótamos. Cada
arco é desenvolvido paralelamente à tentativa do grupo de retornar
à civilização e se cruza com os outros em diversos pontos,
pontuados por referências cinematográficas diversas, como Carruagens
de Fogo, Armageddon, Planeta dos Macacos e Beleza Americana, além
de filmes de máfia e outra meia-dúzia de citações
divertidas. O Rei Leão é também uma sombra constante.
A coerência do texto de Cohen (não confunda com o outro Ethan
Cohen) é rivalizada apenas pela excepcional técnica do filme de
Eric Darnell e Tom McGrath - que está
ainda mais bonito que seu antecessor. Enquanto os personagens continuam estilizados,
o cenário tem um fotorrealismo clínico de tão limpo e perfeito.
Madagascar 2 é, assim, entretenimento familiar da melhor espécie.
Não esconde seu apreço por uma ou outra piada de meleca, mas dá
motivo de risadas também aos adultos. Se ao menos Alex fosse um pouco
menos sonolento...
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