Não consigo encontrar lógica alguma para sequer começar
a entender o que Ewan McGregor (O
Sonho de Cassandra), Hugh Jackman (Scoop),
Michelle Williams (Brokeback
Mountain), Maggie Q (Missão:
Impossível 3), Natasha Henstridge (A Experiência)
e Charlotte Rampling (A
Duquesa) estão fazendo em A Lista - Você
Está Livre Hoje? (Deception, 2008).
O filme do suíço estreante Marcel Langenegger, egresso dos comerciais
de TV, é um dos suspenses mais lamentáveis a chegarem às
telas em muito tempo. A trama é uma sucessão de absurdos convenientes
e coincidências - algo que funciona uma, talvez duas vezes em uma história,
mas em A Lista torna-se parte fundamental demais da estrutura para
que levemos o filme a sério.
Na história, Jonathan (McGregor), um contador
competente e solitário, ganha uma chance de emoção na
vida ao conhecer um novo amigo, Wyatt (Jackman), poderoso e carismático advogado.
Wyatt apresenta a ele um misterioso clube de sexo conhecido como A
Lista, no qual abastados nova-iorquinos têm encontros sexuais
casuais seguindo pequenas regras de conduta. Rapidamente, Jonathan entrega-se
à nova vida - mas não tarde para que se torne o suspeito número
um do sumiço da garota pela qual se apaixona e seja acusado de roubar 20 milhões
de dólares.
Daria até para defender o elenco, dizendo que foi o diretor o responsável
por arruinar o roteiro e que Jackman e McGregor não tinham como perceber
a fria na qual estavam entrando a partir do texto impresso... Mas a questão
é que reside justamente nas idéias de Mark Bomback
(do péssimo O
Enviado) o problema. Analisemos o personagem principal, Jonathan,
por exemplo. Tudo o que sabemos dele é que se trata de um ótimo
contador, mas alguém sem vida pessoal, sem amigos, sem recursos além
de ser bom em contabilidade. Então de que cartola ele tira habilidades
(ou contatos) de falsificação perfeita de documentos ou seu
incrível conhecimento de procedimentos operacionais
policiais? Suspensão de descrença às favas... O público
ainda sabe reconhecer furos de roteiro e saídas fáceis quando
as vê.
A proposta era clara: Criar um thriller sexy no estilo dos filmes
de Adrian Lyne (Proposta Indecente, Atração
Fatal). Mas mesmo o sexo é insosso aqui, algo irônico considerando
que estamos vendo um filme sobre um clube de... sexo!
O único ponto positivo é o trabalho de Dante Spinotti,
diretor de fotografia cheio de estilo que já trabalhou várias
vezes com Michael Mann. Sua construção é
sempre interessante e dramática. Mas em um caso perdido como A
Lista, nem um Conrad L. Hall (1926-2003) adiantaria
muito.
Tudo errado.