Os escritores britânicos Martin Amis e Ian McEwan se uniram ao português José Saramago, ao espanhol Javier Marias e ao estadunidense Jonathan Safran Foer em apoio a Roberto Saviano. O escritor italiano, autor de Gomorra, livro que deu origem ao filme dirigido por Matteo Garrone, foi ameaçado de morte pela Camorra, a máfia napolitana.
Os escritores, entre outros nomes, estão juntos num manifesto que já conta com o apoio de mais de 100 mil assinaturas lançado por seis vencedores do Prêmio Nobel exigindo que o governo italiano assuma sua "responsabilidade" pela proteção de Saviano. A lista de assinaturas inclui ainda Mikhail Gorbachev, Rita Levi Montalcini, Desmond Tutu, Gunter Grass, o dramaturgo Dario Fo e outro conhecedor dos perigos de ser um escritor, Salman Rushdie, que viveu mais de dez anos sob proteção policial.
Saviano foi ameaçado pela Camorra logo após o lançamento de seu livro, em 2006. Recentemente surgiram informações de que o crime organizado havia ordenado a morte do jornalista antes do Natal, provavelmente devido ao impacto do filme, premiado em Cannes e escolhido pela Itália para concorrer ao Oscar. Saviano a princípio recusou-se a deixar o país, mas acabou anunciando que sairá da Itália. Caso isso aconteça, ele será o primeiro autor italiano a abandonar o país devido a ameaças da Máfia.
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, prometeu eliminar a Máfia do sul do país e anunciou que uma nova ofensiva seria lançada em breve. As ameaças contra Saviano, no entanto, já envolveram um ministro de seu governo. O líder da oposição italiana exigiu a renúncia de Nicola Cosentino, nascido na mesma cidade de Saviano e acusado de colaborar com a quadrilha que ameaça o escritor. Cosentino está sendo investigado após vários ex-membros da família Casalese declararem que ele recebia dinheiro e fornecia apoio à família mafiosa. O ministro garantiu que renunciará não só do cargo como da política se qualquer uma das acusações for comprovada.
Saviano foi visto pela última vez na Feira de Livros de Frankfurt, onde se encontrou com outro autor protegido por guardas armados, Orhan Pamuk. O manifesto em defesa de Saviano declara que seu caso não é um assunto de polícia, mas um problema da democracia e que sua liberdade é uma preocupação de todos os cidadãos. Além do manifesto, um evento em apoio a Saviano foi organizado no sábado passado em Milão, quando foram lidos trechos de seu livro.
Saviano nasceu e cresceu em Casal di Principe e disse ter visto 3.600 pessoas mortas pela Camorra em seus 28 anos de vida.