É surrealista a empolgação (dos distribuidores pelo menos)
em torno da "nova obra-prima de Picha".
O sujeito de nome esquisito em questão é o mesmo diretor de Tarzan
- A Vergonha da Selva e, novamente, se apropria de um conto clássico
para deturpá-lo com doses de malícia.
Nada contra a deturpação, que fique claro. Adoro versões
estranhas de contos-de-fadas estabelecidos, como a história em quadrinhos
Fábulas (essa sim merecedora da alcunha "obra-prima")
ou aquele clássico desenho pornô animado dos Sete Anões.
Mas Branca de Neve Depois do Casamento (Blanche-Niege,
la suite, 2006) é simplesmente intragável.
O filme é uma seqüência de Branca de Neve e os Sete Anões,
imaginando que as coisas talvez não tenham corrido tão bem depois
do casamento da alva personagem com seu Príncipe Encantado.
O humor da co-produção da Bélgica, França, Reino
Unido e Polônia, simplesmente não funciona. São piadas pré-adolescentes
que só fariam rir mesmo a turminha do fundão da quinta-série.
A animação acompanha. Tosquíssima, só funcionaria
se houvesse algum estofo narrativo que nos fizesse ignorar a má qualidade
artística. Não é o caso.
Nem na malícia Picha acerta. Há uma ou outra cena mais picante
- uma princesa de peito nu aqui, outra ali - mas nada remotamente sensual. Ora,
se quer mostrar uma orgia de contos de fadas, que mostre! É ou não
é uma animação adulta, afinal? Pra quê esconder com
silhuetas e insinuações o que todo mundo na platéia é
suficientemente adulto pra ver? Pelo menos seria mais divertido.
O único ponto realmente positivo são as vozes. A dublagem da
fantástica atriz Cécile de France, ao lado de
Rik Mayall e Jean-Paul Rouve, entre outros,
é ótima. Mas como ninguém vai ao cinema só pelas
vozes, Branca de Neve acaba mesmo sendo 80 minutos de besteirol que
você nunca mais terá de volta.