A Comic-Con 2008 já acabou faz uns dias, mas com duas equipes (Omelete e Collider) espalhadas por San Diego, você ainda vai ver muitas entrevistas e artigos especiais aqui. Uma delas é essa abaixo, a nossa sexta entrevista (sexta!) com o cineasta Zack Snyder sobre Watchmen (tem uma sobre 300 também, caso você seja fã dele como nós). O bate-papo aconteceu no segundo andar do centro de convenções de San Diego. Leia abaixo os melhores momentos e na íntegra (em inglês) no Collider.
Há trechos específicos do livro que você condensou em uma única cena?
Zack Snyder: Deixe-me pensar por um minuto. Tenho certeza de que há. Bom, nós visitamos o Vietnã, por exemplo, uma vez. Não. Na verdade foram duas vezes. No livro, somos levados para lá na época do Comediante, no funeral e daí voltamos quando é contada a história do Manhattan em Marte, com o Nixon mandando ele ir para lá, e depois quando ele está na guerra. Nós fizemos uma grande cena com todos os vietcongues fazendo reverência a ele. Ficou bem legal. No livro, você sabe, eles estão todos sendo aprisionados, mas nós achamos que ficaria melhor do nosso jeito.
Um dos grandes diferenciais da graphic novel Watchmen, talvez o maior de todos, é o seu comentário sobre o significado das próprias graphic novels.
Com certeza!
Você fez alguma coisa nesse sentido como filme? E o que vocês acrescentaram, o que tiveram que deixar para trás?
A graphic novel é hoje a primeira ou segunda mais vendida na Amazon. O que é sensacional. E acho que se no fim das contas o filme for uma propaganda de três horas para o livro, ótimo... quer dizer que consegui o que eu queria. Mas quando você decide extrair um filme dali, você tem que tentar extrair as idéias. Por exemplo: a roupa do Ozymandias tem mamilos. Sim, é um lance Joel Schumacher. Nós discutimos isso. Você entendeu a mensagem e não é um acidente. Os mamilos não apareceram ali porque achamos que era legal. É porque nós queríamos dizer "o maldito Joel Schumacher fez alguns filmes de super-herói". É maluco e isso é parte da nossa adaptação para o cinema. E dá para ver também na sala de guerra do Nixon. Aquilo é tão Dr. Fantástico [clássica comédia de guerra de Stanley Kubrick] que é ridículo. Nós corremos até o risco de sermos processados. E quando o Rorschach anda pelas ruas de Nova York, é Taxi Driver puro. Nós tínhamos que fazer esse tipo de coisa.
Então as referências não são apenas com os filmes de super-heróis...
Não são só filmes de super-heróis e tinha de ser assim porque Alan [Moore] fez dessa forma. Não era só sobre histórias em quadrinhos, mas sim sobre a literatura também. Você sabe, ele é um cara muito inteligente. Então nós tentamos fazer referência ao máximo de clichês de super-heróis e de filmes possíveis sem dar muito na cara. E isso é uma linha tênue.
Você sente uma pressão maior agora que os fãs confiam em você na hora de adaptar uma graphic novel?
Um pouco. Mas o meu objetivo é fazer o melhor filme possível. Eu coloco muito pressão em mim mesmo como cineasta. Se o melhor filme tiver de ter três horas de duração, então é isso que você vai ver. Eu entendo e respeito meus sócios na Warner Bros., e quero que eles tenham lucros com o filme. Eles investiram muito dinheiro nisso e querem que fique bom. Mas se eles vierem falar algo sobre o filme estar muito longo, muito difícil de entender, muito violento ou muito sexy, eu vou dizer que esses são exatamente os motivos para ir ver o filme.
O que você está falando agora tem tudo a ver com Batman - O Cavaleiro das Trevas, que se tornou um enorme sucesso e lida com temas adultos. Você acha que isso vai te ajudar a convencer o estúdio?
Pelo menos em teoria ajuda, sim. Eu posso chegar em uma sala e dizer que Watchmen deveria ser pelo menos 15 minutos maior que Batman. Pode sair por aí e fazer uma pesquisa, essa é a opinião de qualquer geek. Isso não faz sentido pra você? Pois é, independente do que nós filmamos, é algo que deveria rolar.
Como aconteceu com O Senhor dos Anéis.
Yeah!
Em 300, você fez um filme que foi criado totalmente usando computação gráfica. Agora, com Watchmen, muito dos cenários são reais. Qual foi a dificuldade em transformar os desenhos de Dave [Gibbons] em algo que realmente existe nesse mundo?
Nós construímos tudo nos sets. Tudo o que nós desenhamos, tudo o que construímos, cada um dos easter eggs que nós escondemos, nós planejamos desde o início. Fizemos isso para não ter de ficar nos preocupando depois. Se nós tivéssemos uma tomada que estava na graphic novel, ela está lá completa, igualzinha, tal qual uma imagem do teste de Rorschach, sabe?
Tem muita coisa real no filme, como você acabou de dizer. Mas as cenas que foram mostradas na sala H da Comic-Con tinham muita computação gráfica. Quanto do filme vai ser criado por computadores?
O problema é que Manhattan aparece em muitas cenas e ele é 100% computação gráfica, né? Ele é essa coisa sensacional, super cool. Eu estava comentando agora pouco com o Billy [Crudrup] sobre a cena em que Dr. Manhattan vai andando pelo Vietnã. Ele tem mais de 9 metros de altura e o tipão de um super-herói. Ele não tinha visto nada daquilo. O que deve ser visto, e a revelação para mim, é ele lá apenas falando e fazendo coisa alguma. E isso emociona de uma maneira muito sutil, que é algo que eu não tinha visto de um personagem criado por computação. Tudo aquilo é atuação. Ele não está detonando as coisas ou pulando do alto de muros ou fazendo coisas criadas por computação. Ele está mostrando sua tristeza. É muito legal!
Watchmen estréia em 9 de março de 2009.
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