No início de dezembro de 2007 voltei ao Canadá, onde estive pela primeira vez em 2005. A razão pela qual retornei ao país, era, novamente, um filme do cineasta Zack Snyder. Da primeira vez foi a adaptação para as telas da graphic novel 300, de Frank Miller. Desta vez, fui visitar o set de filmagens de uma obra ainda maior: A versão para o cinema da icônica Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons.
Ou melhor... a desacreditada versão para o cinema da icônica Watchmen. Afinal, os fãs de quadrinhos são quase unânimes em dizer que essa obra-prima das HQs de super-heróis (e da Nona Arte em geral) é, simplesmente, inadaptável para outras mídias.
Confesso que já fui pra lá meio convencido de que, sim, é possível migrar a história de Watchmen para um bom filme. Ora, é possível transformar qualquer coisa em um bom filme - contanto que os realizadores sejam suficientemente competentes e apaixonados pelo material em que estão trabalhando. E nesse aspecto Zack Snyder deixa qualquer fã pra trás. Eu já havia conversado com ele sobre Watchmen em algumas ocasiões e já sabia que o diretor de 300 e Madrugada dos Mortos é um enorme entusiasta dos quadrinhos. Sua visão para Watchmen é simples: Respeitar a visão de Moore e Gibbons. Obviamente, por tratar-se de outro tempo e outra mídia mudanças são necessárias. Mas para cada uma delas Snyder tem uma verdadeira lista de argumentos sólidos e que denotam longas e intensas discussões para atingir tais conclusões. Novamente, já cheguei lá sabendo que Watchmen estava em boas mãos - e minhas doze horas no set só confirmaram essa impressão.
Depois de recepcionado por Deborah Snyder, produtora do filme e esposa do diretor, passei a próxima hora e meia olhando artes conceituais do longa-metragem na chamada "Sala de Guerra", um espaço para quarenta pessoas completamente tomado por ilustrações, fotos e referências. É incrível como os desenhistas de produção conseguiram extrapolar as idéias da HQ, criando centenas de "registros históricos" da presença dos super-heróis no mundo - especialmente a do Dr. Manhattan, um verdadeiro deus entre os humanos, retratado do filme de maneira meio translúcida e luminescente (algo que emocionou seu criador, Dave Gibbons, que disse que sempre o imaginou daquela maneira). Sobre essas imagens, não quero estragar surpresas, mas citando apenas um desses momentos que não estavam no gibi: Adivinha só quem é que tirou a foto de clássica foto de Neil Armstrong caminhando na Lua?
Olhando esse maciço trabalho de criação fica a certeza de que, comparada com a escala de 300, a pré-produção deste filme é pelo menos quatro vezes maior. Especialmente porque, diferente do épico grego, aqui Snyder tem três grandes períodos pra retratar e decidiu fazer tudo sem a tela azul que viabilizou 300. Afinal, o homem reconstruiu meia-dúzia de ruas de Nova York no fundo do estúdio Canadian Motion Picture Park, em Vancouver.
E foi justamente para esse cenário poluído, construído pichação a pichação tentando seguir nos mínimos detalhes a arte de Dave Gibbons, que fui a seguir. E se no set de 300 peguei temperaturas entre 12 e 14 graus negativos, aqui a visita foi até -16º... afinal, todas as filmagens ocorreram à noite. Até Zack Snyder tremia em sua tenda de controle.
O cenário nova-iorquino, que você pode conhecer em detalhes abaixo, na nossa galeria (requer Quicktime), acessando o videoblog 1 (CENÁRIOS) continha vários dos locais icônicos da HQ. A "porn street", com a loja de penhores, a Promethea Cab. Company, a comic shop Treasure Island, o Twin Cinemas, o Rumrunner e, claro, o Gunga Diner. Nas ruas, uma multidão de figurantes (que nos intervalos agrupavam-se feito mendigos ao redor de latões pegando fogo) rodava uma cena que envolvia a chegada, a bordo da Nave-Coruja, de dois dos Watchmen: Coruja e Comediante. Outros sets visitados naquele dia foram a "casa assustadora", onde Rorschach enfrenta um maníaco; o sobrado de Dan Dreiberg; um pequeno trecho de Saigon (Vietnã) e uma das salas de Karnak, a "fortaleza da solidão" de Ozymandias. Tudo isso você conhecerá em detalhes futuramente, mais próximo da estréia do filme.
Durante a noite pude ainda conversar com Jeffrey Dean Morgan (Comediante), Patrick Wilson (Coruja), Malin Akerman (Espectral), Matthew Goode (Ozymandias) e Carla Gugino (a primeira Espectral). Da equipe técnica passamos uma hora ao lado de Snyder e falamos também com o figurinista Michael Wilkinson, a produtora Deborah Snyder e o designer de produção Alex McDowell. Novamente, todas essas entrevistas você lerá por aqui entre fevereiro e março de 2009.
O filme entrará em cartaz por aqui simultaneamente aos Estados Unidos, em 6 de março de 2009.
Até lá e fique ligado por aqui para o lançamento nacional do primeiríssimo trailer e a nossa supercobertura da Comic-Con, com entrevistas com o elenco e equipe do filme!
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