Não é todo dia que se tem a chance de encontrar um ídolo. Eu tive a minha no meio de novembro, na Cidade do México. E foi em dose dupla!
Fiz duas entrevistas com Jerry Seinfeld.
Uma delas é esta que você lê abaixo, a outra você vai ver no meio da semana... pegou o detalhe dos verbos? Esta você vai LER. A outra, VER... ASSISTIR! Sim, vai ser a estréia da Omeletevê, a área do Omelete dedicada a entrevistas em vídeo e um videocast com os editores.
Mas vamos deixar de "yada yada yada" e pular direto para a entrevista. O bate-papo foi super descontraído. Jerry estava usando um estiloso terno preto - nada do jeans, camiseta e tênis impecavelmente branco, como na série. Apesar do tempo contado, deu tempo de conversar sobre vários assuntos: da série de TV a Superman, da greve dos roteiristas à animação Bee-Movie – A História de uma Abelha, que foi o motivo que me levou até lá.
Apesar das perguntas e anotações escritas no meu caderninho, às vezes parecia que eu estava apenas reencontrando um amigo que não via há algum tempo. E talvez até fosse isso, afinal, acompanhei Seinfeld por anos na TV e garanto que o cara na minha frente tinha mais do personagem do que se imaginaria.
Tem alguma referência à série Seinfeld que eu, como fã, deveria me sentir envergonhado de não ter visto?
Jerry Seinfeld: Tem uma. Bem pequena.
Você pode me contar qual? Se você não quiser, não publico...
Não, pode publicar numa boa. Tem uma fala no filme em que Barry fala “É assim que devemos viver nossas vidas, como escravos do mel para os homens brancos?” e um homem negro se afasta deles. Você se lembra dessa cena?
Sim.
Então, Montgomery, o advogado dos humanos, chega perto de mim e fala “Ele está usando o truque das espécies”, referência à expressão idiomática que usamos bastante nos Estados Unidos, que é “o truque das raças” (Nota de Tradução: “play the race card”, quando alguém tenta desmerecer o argumento do outro acusando-o de usar o racismo contra ele). E o cara que está junto com ele faz aquele gesto que eu fazia quando falava “Newman”.
É verdade! Agora que você falou, eu lembrei. Outra coisa, no filme, uma das primeiras coisas que incomoda Barry é que ele teria de fazer a mesma coisa pelo resto de sua vida. E em uma das cenas você fala “Eu não estou tentando ser engraçado”. Ser um comediante não é também um trabalho 24x7, todos os dias a semana inteira?
Não, não é um trabalho 24x7! É um trabalho 1 por 24. É só uma hora por dia que você precisa ser um comediante. As outras 23 você não precisa ser engraçado.
Mas as pessoas esperam que você seja engraçado o tempo todo, não?
Eu não sei o que os outros esperam de mim. Mas eu não tento ser engraçado, a não ser que eu queria.
E a greve dos roteiristas? Você é um roteirista sindicalizado. Tem algum projeto seu que está paralisado por causa da greve?
Não. Eu faço parte do Sindicato e sou roteirista, mas a minha carreira é como comediante de stand-up e nós escrevemos para nós mesmos. Como sou o produtor e o roteirista, eu estaria fazendo greve contra mim mesmo.
Mas falando de próximos projetos, você já tem algo engatilhado?
Eu não tenho nenhum projeto e não acho que vou ter um próximo projeto.
Vai continuar só fazendo suas turnês de stand-up?
Sim. Gosto dessa vida. Gosto de ser um comediante. É um estilo de vida único.
Seu filho do meio se chama Julian Kal Seinfeld. Sabendo que você é um fã do Super-Homem, é Kal de Kal-El?
(Risos) Não. Kal é o nome do meu pai. (mais risos) Mas essa é uma das razões porque eu gosto do Super-Homem... seu nome kryptoniano é Kal-El, que é o nome do meu pai. Por falar nisso, não foi o Nicolas Cage que batizou seu filho de Kal-El?
É verdade, ele fez isso! (risos) Mas sem mudar de assunto, você gostou de Superman – O Retorno?
Sim. Adorei! O que você achou?
Também gostei muito!
Eu achei muito bom! Adorei o Brandon Routh. Acho que ele fez um ótimo trabalho.
Chris Rock disse que você é um dos oito melhores comediantes do mundo. Por que oito?
Exato! Quem são os outros sete? Não pode haver sete comediantes melhores do que eu. Isso é ultrajante! Impossível! (risos) Onde ele disse isso?
Está no release do filme. Não sei de onde ele tirou isso.
Ele inventou! (risos)
Pensei que existisse alguma seita secreta dos comediantes em que são escolhidos os oito melhores, em vez dos cinco, ou dez melhores de sempre...
Sim, é uma seita secreta.
Você teve uma aparição especial em 30 Rock no início desta temporada. Você vê semelhanças na série com Seinfeld , no sentido em que é preciso acompanhar os personagens para entendê-los e também pelas ótimas falas? Acha que esta pode ser a série herdeira de vocês? Até o problema de público na primeira temporada, que eles tiveram, vocês também enfrentaram.
É verdade! Mas eu não sei. (pausa) Eu espero que sim, por eles. Cada série é diferente. Você não herda nada de ninguém. Quando nós começamos, Cheers era a grande série. Mas os nossos públicos eram muito diferentes. Se você pudesse dar uma luz para cada pessoa que acompanha cada série, você veria no mapa formas muito diferentes entre si. Daria para ver as luzes se acendendo e apagando para cada série e cada um com um formato muito diferente da anterior. Não há uma uniformidade.
Na sua opinião, qual era a diferença de Seinfeld para as outras séries que estavam no ar ao mesmo tempo?
Acho que era o elenco. Uma boa série é feita de bons roteiristas e um bom elenco. São de 10 a 13 roteiristas e um elenco de 4, 5, 6 pessoas. É muita gente! Mas todos têm de se dar bem e pensar igual. E é isso que você tem de ter para conseguir uma boa série de TV. Como as abelhas. Todas elas pensam igual. (risos)
Recentemente, eu estava economizando os episódios da oitava temporada, enquanto não colocava as mãos na nona. E quando essa acabar, estarei mais uma vez órfão de Seinfeld, o que me dá uma certa tensão...
Eu sei. Passei por isso com Família Soprano. Adorava aquela série!
Dá para esperar algo mais da série? Ou vamos ter que esperar quando ela for lançada em Blu-Ray?
Eles já estão pensando nisso! Não sei o que, mas devem vir mais novidades por aí, já que as pessoas continuam comprando a série.
Eu sei! Eu tenho todas as temporadas e vou acabar gastando mais uma grana para colocar minhas mãos no Box Especial, que tem o livro em formato de mesa de centro.
Mil desculpas! Se eu tivesse esse dinheiro, eu daria para você. (risos) Te mando pelo correio, pode ser?
Fechado!
Assista a clipes da animação