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Buscapé
nos anos 80
(Alexandre Rogrigues)
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O trio ternura,
os primórdios da
violência na Cidade de Deus
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Cenoura (Matheus
Nachtergaele)
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Zé
Pequeno (Leandro da Hora), o
chefe do narcotráfico
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Como brasileiro,
muito me alegra quando, no horizonte cinematográfico nacional, surge uma obra
de primeira grandeza, algo que faz diferença não só aqui, e que salta aos olhos
do mundo todo. Cidade de Deus (Brasil, 2002) é assim. Pop, polêmica,
dura e divertida, a mais nova pérola do cinema nacional, ironicamente, é motivo
de orgulho ao explorar um dos nossos maiores fracassos, a violência.
Rodado integralmente
nas favelas cariocas de Cidade Alta, Nova Sepetiba e Cidade
de Deus, o filme já nasceu polêmico. Como são territórios controlados pelo
narcotráfico, a produção precisou de autorização das associações de moradores,
que - obviamente - reportam-se aos chefes do crime local. Acertado isso, o acesso
às locações foi garantido, com a ressalva de que deveriam contratar o maior
número possível de moradores das comunidades para trabalhar nas filmagens.
Sendo assim, Fernando
Meirelles (Domésticas) e a co-diretora Katia Lund (que já
tinha experiência em trabalho no morro quando produziu o clipe They care
about us, de
Michael Jackson) criaram uma ONG chamada Nós do Cinema, que preparou
e selecionou 200 moradores das favelas para trabalharem em Cidade
de Deus. A experiência foi tão positiva que resultou em apenas um ator profissional
na produção, o excelente Matheus Nachtergaele (O auto da compadecida,
Buffo & Spallanzani, O que é isso companheiro?).
O
filme, uma adaptação do romance homônimo de estréia de Paulo Lins, trata
sobre a ascensão do crime na favela Cidade de Deus, que começou sua história
como um conjunto habitacional em 1966. Lins, mais conhecido como Buscapé,
assim como tantas outras crianças de sua geração, cresceu em meio a um dilema:
trilhar o árduo caminho de uma vida honesta ou o sedutor caminho do crime?
A
decisão não é fácil e ficar no meio pode ser até mais perigoso. Buscapé - no
filme, Alexandre Rodrigues - que o diga! Afinal, é exatamente nessa posição
que ele se encontra no início do filme. De um lado, a PM. De outro, o pessoal
do tráfico. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, lembra o
garoto. Como se diz que em momentos de perigo, toda sua vida passa diante de
seus olhos, Buscapé começa a relembrar sua infância e como todas as suas escolhas
levaram-no até aquele momento crítico.
A
direção de Cidade de Deus é primorosa e cheia de recursos. Em certas
passagens, é tão pop e inovadora quanto os melhores exemplares hollywoodianos.
Em outras, beira o documentário de tão realista. O roteiro, lapidado à exaustão,
traz passagens estarrecedoras, capazes de fazer a audiência prender a respiração
e afundar-se na cadeira quase como se estivesse num filme de terror. A diferença
aqui, é que os monstros têm semblantes muito mais familiares e não foram criados
por um cientista louco ou experimento nuclear, e sim - como somos forçados a
enxergar -, por todos nós.
Uma
injeção de realidade obrigatória.
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Cidade
de Deus (Brasil, 2002)
Direção Fernando Meirelles, Katia Lund
Fotografia César Charlone
Roteiro Bráulio Mantovani, baseado em livro de Paulo Lins
(compre
aqui)
Trilha Sonora Antonio Pinto, Ed Côrtes
Elenco Matheus Nachtergaele, Jeffchander Suplino, Jonathan Haagensen,
Daniel Zettel, Alexandre Rodrigues, Leandro da Hora, Phellipe Haagensen,
Seu Jorge, Gero Camilo, Babu Santana.
Duração 130 min.
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Imagens ©
O2 Filmes