Mimzy - A Chave do Universo

The Last Mimzy
EUA, 2007 - 100 min
Ficção científica / Infantil
Direção:
Robert Shaye
Roteiro:
Bruce Joel Rubin, Toby Emmerich, James V. Hart, Carol Skilken
Elenco:
Chris O'Neil, Rhiannon Leigh Wryn, Joely Richardson, Timothy Hutton, Rainn Wilson, Michael Clarke Duncan
2 ovos!


Mimzy - A Chave do Universo

Mensagem Nova Era para crianças ecologicamente conscientes

09/08/2007Marcelo Hessel

Desde o começo deste século, Robert Shaye é conhecido como produtor e manda-chuva da New Line Cinema. Foi ele quem decidiu bancar a filmagem simultânea dos três O Senhor dos Anéis e foi quem defenestrou Peter Jackson de O Hobbit por conta do processo que o cineasta move contra o estúdio.

Mas Shaye já foi diretor antes de tudo isso. Nos anos 60 ele assinou dois curtas e em 1990 ele estreou em longas com uma comédia romântica obscura, Páginas do Amor. 17 anos depois, Shaye elege Mimzy - A Chave do Universo (The Last Mimzy) para ser o seu segundo filme.

A base é o conto Mimsy Were the Borogoves, de Lewis Padgett, pseudônimo usado pelo escritor Henry Kuttner e sua esposa C.L. Moore. Na história, dois irmãos recebem do futuro uma encomenda: um coelho de pelúcia, cristais e rochas arredondadas. A missão dos dois é ajudar a salvar hoje a humanidade de amanhã - o problema é que as crianças não se dão conta disso. O que dizer então dos adultos, que ficam ainda mais atônitos com o que presenciam?

Como todo bom produtor, Shaye age visando compartimentos de público, a partir do rótulo "ficção científica eco-consciente para crianças e adultos". Atrai pais de perfis diversos para conseguir chegar aos filhos - os jovens adultos podem se interessar com a escalação de Rainn Wilson (o Dwight de The Office) para viver o nerd da trama, os adeptos da Nova Era podem gostar de saber que Roger Waters escreveu uma música para o filme, etc.

"Ser produtor", no caso, é pensar como um industrial. Shaye enche o seu filme de "pontos de interesse". Produto planejado, Mimzy trata o espectador como consumidor - nesse sentido, o ingresso se paga para aqueles que sabem o que estão comprando. Não tem muito erro, ademais, quando se escala protagonista uma atriz-mirim cativante como Rhiannon Leigh Wryn.

Shaye pode ser um produtor com tino e um cineasta sem talento - se tivesse, por exemplo, qualquer noção de dramaturgia, não entregaria a cena da lágrima logo de cara, mas guardaria para um flashback no clímax - mas não dá pra reclamar de seu "olho" no casting. Rhiannon é um achado.

 
 


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