1982.
Seres meigos. Dedos luminosos. Naves fumacentas. Bicicletas ao luar. "Telefone".
"Minha casa". Alguns elementos jogados são suficientes
cenas inteiras voltam à memória, arrepia a lembrança
daqueles momentos de emoção. No mundo do cinema, assim se reconhece
um clássico, quando algumas expressões bastam para tornar o filme
imortal. Faz vinte anos que Steven Spielberg remodelou a fantasia no cinema.
Os adultos de hoje aprenderam, há duas décadas, a serem mais solidários,
mais companheiros. Faz exatos vinte anos que o tocante E.T. - O extraterrestre
(E.T. the Extra-Terrestrial) foi exibido pela primeira vez
A comemoração
do seu vigésimo aniversário chega com atualizações,
revigorações visuais, retoques nos seus efeitos especiais e nas
expressões do pequeno alienígena. De presente, duas mudanças
mais significativas: a inclusão de uma cena, divertidíssima, na
qual o E. T. brinca numa banheira; e a substituição politicamente
correta, por walkie-talkies, dos revólveres dos agentes federais. De
resto, permanece incólume a magia do filme. Steven Spielberg já
experimentava brincar com a imaginação do público desde
1977, com Contatos imediatos do terceiro grau (Close Encounters of
The Third Kind). No entanto, graças a uma abordagem felicíssima,
que privilegiou o trabalho de ótimos atores-mirins e construiu cenas
inesquecíveis, E.T. mostrou-se efetivamente revolucionário.
LIÇÃO
DE SOLIDARIEDADE
Ao
lado de Cocoon (de Ron Howard, 1985), a película figura
como o modelo máximo para qualquer filme sério sobre extraterrestres.
Por sua vez, a trilha-sonora emocionante do maestro John Williams serviu
para pavimentar o caminho do sucesso e das antologias. Spielberg sempre soube
como utilizar crianças em seus elencos, sem subestimá-las, dentro
e fora da tela. Mais. Sempre anteviu os anseios iminentes do público
infanto-juvenil, desde Indiana Jones até os dinossauros. Com o drama
de E.T., a fórmula alcança o ápice - através
da figura igualmente estranha e carismática do alienígena, o instrumento
da catarse, os jovens ministram uma lição de solidariedade e os
adultos emocionam-se em uníssono.
A história
é vastamente conhecida, mas não custa relembrar.
Esquecido
na Terra, depois de uma visita de sua nave espacial, o alienígena, perdido,
aloja-se na casa de Elliot (Henry Thomas), um menino infeliz desde
a separação de seus pais. Elliot torna-se amigo do E.T. e convence
os irmãos a ajudá-lo na missão de reenviar o alienígena
de volta ao seu mundo no espaço. Os destaques ficam indeléveis
na memória, mas também vale enumerá-los: a atuação
da promissora Drew Barrymore, o episódio primoroso dos sapos na
aula de Biologia, as brincadeiras com as personagens de Guerra nas estrelas
(Star Wars, de George Lucas, 1977) e, finalmente, a fuga com as
bicicletas voadoras, que depois se tornariam o símbolo da Dreamworks,
produtora de Spielberg.
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E.T. O
Estraterrestre
(E.T. the Extra-Terrestrial - 1982, 2002)
Dir.: Steven Spielberg.
Com: Dee Wallace-Stone, Henry Thomas, Peter Coyote, Robert MacNaughton
e Drew Barrymore
Imagens
©1982 & 2002 - Universal Studios
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