Royal Tenenbaum é um advogado de sucesso, que compra uma casa com jeito de castelo –
incluindo bandeirolas nas torres – para alojar a família. Como num
desenho animado, cada uma das crianças tem seu quarto num andar diferente,
e todos são gênios. Chas, um rei das finanças que investe
em imóveis aos onze anos; Ritchie, um fenômeno do tênis;
e Margot, uma dramaturga que escreve a primeira peça aos nove anos.
Royal é
um canalha, a mulher, Ethel, coloca-o porta afora e, mais tarde, o filho
o processa e cassa seu registro de advogado. Ele vai à falência,
mas como é um malandro de deixar brasileiro com orgulho – apesar
de gringo – continua morando num hotel com todo conforto até ser
enxotado de lá também. Se apenas com esse pequeno resumo, você
já se sente em meio a um hospício, amarre os cintos porque a coisa
ainda não terminou.
A princípio,
a história não é nada original. Arrependido de suas sacanagens
passadas, como dizer a todos e, a cada instante, que Margot é adotada,
Royal (Gene Hackman) tenta se reconciliar com a família. A diferença
está na realização.
Os filhos, adultos, parecem congelados
em seu momento de glória, apesar de já não serem os gênios
maravilhosos de antes. Margot (Gwyneth Paltrow) continua usando os mesmos
vestidos e o mesmo rosto inexpressivo. Ritchie (Luke Wilson), apesar
de ter afundado sua carreira, continua com seu uniforme de tenista. Chas (Ben
Stiller) trocou o terno por agasalhos, mas isso não é um elogio.
Para sua volta ao lar, Royal inventa que está morrendo, e Ethel (Anjelica
Houston) acredita não uma, mas duas vezes na mesma cena. Tudo isso
apimentado pelo amigo de infância chapado Ely Cash (Owen Wilson),
que sempre quis ser um Tenenbaum, Danny Glover, como o contador de Ethel,
e seu pretendente, e Bill Murray como o analista e marido (traído)
de Margot.
A sensação
de uma realidade um tanto doida continua com os capítulos de um livro
que aparecem introduzindo as cenas numa Nova York sem táxis amarelos
e superpovoada de camundongos dálmatas. Com tudo isso, dizer que o filme
tem um final feliz parece estranho, ainda mais que uma das personagens morre,
mas não é isso que interessa. O grande barato dos Tenenbaums é
a viagem de conhecê-los.