Em 1993, a luta pelo
poder entre tribos e clãs rivais colocou a Somália em guerra civil,
num estado de miséria mais agudo do que aquele cotidianamente vivido no
Leste da África. Em seu plano de paz, a ONU enviava medicamentos e comida
à população do país. Os milicianos do exército
do truculento Mohamed Farah Aidid, o "Hitler da Somália",
entretanto, interceptavam os fornecimentos. Assim, coube aos comandos dos Estados
Unidos intervir, numa missão especial: a bordo dos helicópteros
"Falcões Negros", capturariam dois oficiais do exército
de Aidid, escondidos na capital Mogadíscio. Só que os milicianos
conseguiram derrubar dois dos Falcões. A ação, que deveria
durar sessenta minutos, levou intermináveis quinze horas de tiros, explosões
e sacrifícios. Morreram no combate dezoito norte-americanos - e cerca de
mil somalis
Um dos episódios
mais infelizes da diplomacia internacional, um pesadelo para os estrategistas
americanos, o ataque em Mogadíscio não permaneceria muito tempo
sem receber a sua versão cinematográfica. E ganha, ao contrário
da ofensiva norte-americana, um tratamento à prova de falhas. Na produção,
Jerry Bruckheimer, o mais patriota dos norte-americanos, rei do virtuosismo
técnico, responsável por Armageddon (1998) e Pearl Harbor
(2001). Na direção, Ridley Scott, um gerenciador mais do
que competente para tal arsenal tecnológico, o criador consagrado de
Blade Runner (1982), Thelma & Louise (1991) e Gladiador
(2000). Enfim, para atestar que as investidas de Bruckheimer não perdem
a linha, as indicações do Oscar 2002 comprovam: são quatro
categorias, Diretor, Fotografia, Montagem e Som.
Uma maneira de
resumir o enfoque principal de Falcão Negro em Perigo já
se consagrou em pouco tempo. Em linhas gerais, a película seria algo
como os vinte minutos iniciais de O resgate do soldado Ryan, aqueles
repletos de realismo, estendidos por duas horas de projeção. Até
mesmo Scott confessa o seu objetivo não era contar o desastre
da maneira mais fiel, como um registro histórico, mas recriar a experiência
para a platéia. Assim, fica redundante detalhar a trama. Interpretados
por jovens (e fotogênicos) novos talentos, como Josh Hartnett,
Ewan McGregor e Orlando Legolas Bloom, os soldados precisam
arriscar as suas vidas diante de dezenas de mísseis e centenas de somalis
enfezados. Enquanto os africanos caem empilhados, as famílias da América
fazem sua prece. Se o desfecho parece previsível, o caminho a ele reserva
surpresas "bombásticas".
PS: Falando sério,
na boa, se você também se incomoda com patacoadas enviesadas,
assista a outro filme de guerra, o maravilhoso Apocalipse Now Redux
(2001, que rendeu uma das matérias mais bacanas do Omelete - leia
aqui). Ou prefira outro helicóptero, por exemplo o Trovão
Azul, que era bem mais legal.
|
|
Falcão
Negro em Perigo
Black
Hawk Down - EUA - 2001
Direção: Ridley Scott
Com: Josh Hartnett, Eric Bana, Ewan McGregor, Tom Sizemore, Sam Shepard,
Ewen Bremner
|
Imagens ©
Columbia Pictures