Falar mal do Brasil é que nem falar mal da mãe. Só a gente pode, né? O pior é que no filme Turistas, não é que eles falem mal do país, eles só não falam bem... Não assisti ao filme, nem pretendo, simplesmente por que não faz a minha linha, mas é impossível passar incólume ao bombardeio de notícias a respeito da película.
E aparentemente, o Brasil retratado em Turistas é o mesmo que encontro quando ligo a TV, leio a Internet, saio de casa. Só que quem faz o retrato é de outra nacionalidade. Aí não pode.
A gente está querendo enganar quem?
O filme, que está tendo resultado pífio de bilheteria nos EUA, exibe uma turma de mochileiros estadunidenses que vem para o Brasil e, entre outras coisas, é assaltado, seqüestrado e se envolve com tráfico de órgãos. Além disso, há estupro e ações de esquadrão da morte. Conta pra tia: tem alguma coisa aí que você tem certeza de que não acontece no Brasil?
Até mesmo de tráfico de órgãos, o assunto mais surreal abordado no filme, eu já ouvi falar. Pior, ouvi dizer que pessoas recolhiam mendigos na rua oferecendo um lugar para abrigá-los e um bom prato de comida, mas na realidade os levavam para um lugar onde eram sedados e os órgãos extraídos do corpo. Pode ser lenda urbana, claro, assim como Jasons, Freddy Kruegers e afins. Mas foi neste país ou não que queimaram índio (em Brasília)? PCC? Presos que contratam prostitutas pelo celular? Não foi aqui na vizinhança (centro de São Paulo) que houve um surto de “limpeza” em que vários indigentes foram mortos? Foi. E por isso quando ouvi dizer a história do mendigo levado para extração de órgãos não duvidei. E também por isso, eu só lamento que o país tenha chegado a este ponto – o ponto de ser avacalhado por seu próprio “mérito” num filme B que, infelizmente, está longe de ser inverídico.
Lenda urbana ou não, fato é que o cinema existe também para brincar com o imaginário das pessoas. O cinema é ou não é o lugar ideal para uma boa ficção? Ou você acha que ao visitar Nova York você vai participar de várias perseguições policiais, cruzar com o Woody Allen em uma livraria, trombar no Sam, do filme Summer of Sam, e ainda ver o Godzilla passeando na quinta avenida?
Bem, mas os fatos. Existe uma corrente na Internet que começa assim: "NÃO ASSISTAM, NÃO DÊEM $$$ A UMA PRODUÇÃO QUE SÓ VISA ACABAR COM NOSSA IMAGEM." E ela deu cria: Orkut, blogs, YouTube, MySpace, todos os espaços virtuais foram invadidos por brasileiros sentados em frente à telinha LCD, possivelmente respirando ar condicionado, indignadíssimos com o filme, implorando para que ele seja boicotado.
Zzzzz.
Eu acho muito curiosa essa onda de ofendidos com o filme. Eu me ofendo é quando vejo o Clodovil decorando a sala que vai ocupar enquanto exercer o cargo de deputado para o qual foi DEMOCRATICAMENTE eleito. Eu me ofendo ao ver uma família ser queimada (incluindo uma criança de 5 anos) após um assalto em Bragança. Também me ofendo ao lembrar de Liana, vítima do Champinha, ao me recordar dos seis (talvez mais, perdi a conta) assaltos que sofri, me ofendo com a violência que assola o país enquanto a gente fica incomodado com um filme B cretino que se não ia ser visto antes, agora é que não vai mesmo. Aliás, quem paga pra ver filmes desse tipo, pelo amor de Deus?
Uma espectadora que assistiu ao filme nos Estados Unidos admitiu que acha mais seguro ir para o Caribe. Eu, eu, eu! Eu também! Devo ser extraditada por isso? Ela, pelo menos, pode pegar um avião a hora que quiser, já os brasileiros... Viagens à parte, quem, no Brasil inteiro, não tem medo da favela carioca? Quem não tem medo do centro de São Paulo à noite? Quem no Brasil não vive com medo?
Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo, “ A zona sul é um "oásis" de segurança no Rio se comparada com áreas da zona norte e da Baixada Fluminense, nas quais as taxas de mortes são até 23 vezes maiores do que na área turística preferida da cidade. Mas mesmo o "oásis" chega a ter o dobro dos assassinatos de Nova York e seis mais homicídios do que Londres.
A média de homicídios anual na zona sul (83) no período é 23 vezes inferior ao da Baixada (1.944) ”
Dio mio, quase duas mil pessoas são mortas por ano vítimas da violência em APENAS UMA das regiões do Rio de Janeiro. E você fica mal com Turistas?
Também se sugere o “deixa pra lá”. Discordo. Acho realmente que não devemos polemizar pra não gerar publicidade indireta, curiosidade, qualquer coisa que renda um centavo brasileiro ao filme. Mas é legal silenciar por fora e ficar se remoendo por dentro até que o monstro fique grande o suficiente para que você e eu façamos alguma coisa DE FATO para que o Brasil não seja retratado na tela como ele, infelizmente, é. Queremos um país que seja lembrado só pelas coisas boas? Não depende de mais ninguém a não ser de nós mesmos, ou você acha que um eleitor do Bush vai ser bacana contigo? Fala sério.
Como diz o próprio trailer do filme: "Em um país onde tudo é possível, qualquer coisa pode acontecer". Eu completo: inclusive mudar. Tem dúvida? Olhe aqui o que o nosso Correio promoveu durando o último Natal.
Veneninho extra
O que eu não contei sobre a espectadora do filme que prefere o Caribe foi que ela também disse: “Sei que tem cidades grandes como Buenos Aires [sic] e Rio, que não é só selva."
Esse tipo de coisa, além das gafes de sempre que estão em Turistas - salsa no lugar de samba e brasileiros falando espanhol – dão um gostinho todo especial à coisa toda. Mais uma vez os estadunidenses reafirmam assim a imagem de povo mais ignorante do mundo. E pronto, cada um com seu estereótipo.
Como diz o ditado: “Eu posso ser feio, mas tenho como mudar. E você, que é burro?”
Nota: Em 2005, o Brasil recebeu 5,3 milhões de visitantes, que deixaram mais de 3,6 bilhões de dólares no país.
Fonte: Folha de São Paulo
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DOSE EXTRA!
Atendendo a pedidos, aqui está a Dose Extra de Veneno , espaço reservado aos internautas do (o), que enviam missivas nem sempre educadas à colunista. Por que será, hein? ;-P
Sobre Red Hot Chili Peppers e Camelo x Chorão – colunas de 06/06/06 e 12/07/04
Por George Ramos
Fala Luciana, tudo bom?
Como de costume gostei de sua coluna desse dia, achei-a mas solta, não em relação ao assunto, mas a forma do texto. Bom, só queria dizer que essa coisa de endeusar tal e tal artista é algo bem recente, digo recente a partir dos anos 60 talvez? Não sei. Mas converso muito com um amigo meu sobre o que fazem com os artistas e suas obras, no cinema e na música: muito comumente se transforma alguém bom em gênio. Pense na literatura, são 2500 anos e aí sim há vários gênios. Agora, na música, criam-se ídolos e ícones, muitas vezes com talento, mas logo os transformam em gênios, e aí causa coisas do tipo que vc comenta nessa sua coluna ou em uma outra sobre a briga entre os fãs de Los Hermanos e do Charlie Brown Jr. Sabe, vamos com calma sobre o limite de nosso respeito pelos artistas contemporâneos.
Abraços,
George Ramos
Resposta
Tudo bem, George, e contigo?
Pois é... tudo muito rápido, né? Teríamos que esperar uns dez anos pra poder analisar tudo o que acontece atualmente com calma e imparcialidade, mas tem gente que se empolga e já vai rotulando clássicos aqui e ali...
Valeu pela mensagem.
Beij(o),
Luciana
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Sobre show do U2 – coluna de 14/02/06
Por Ana Lucia
Olá, Luciana.
Andavas sumida, hein?
Espero que em sua ausência você tenha tido tempo pra curtir algo mais interessante do que ficar pregada no chão, esperando comprar ingressos do show do U2.
Sobre sua aventura - acho que dá pra chamar essa fila de "À espera de um milagre" - sinceramente não sei como você agüentou 10 horas!! Eu teria desmaiado nas primeiras 5 horas =)
Gosto muito da banda. Eu prefiro seus primeiro trabalhos, mas com certeza amaria de paixão curtir, agora, um bom show do U2. Contudo, agüentar a "desorganizações tabajara" que inventou o mais destrambelhado sistema de vendas de ingresso do planeta é demais pra mim.
Será que acharam que o preço do ingresso estava tão, mas TÃO caro que só uma elitizinha educada se disporia a comprá-lo? Por isso o espanto com a grande demanda?
Nem sei quanto tá custando cada entrada, mas imagino que deve ser os olhos da cara!
Quando o Rush esteve em Sampa, fiquei me equilibrando no cartão de crédito durante meses, mais pendurada em arame do que acrobata do Cirque du Soleil.
Apesar da dor no bolso, a venda dos ingressos foi feita com calma, sem atropelos. Nada se ouviu sobre qualquer celeuma durante esse processo de vendas (ok, celeuma foi forte, né?) :)
Podem dizer que o público do Rush é menor do que o U2, já que este último tem mais holofotes sobre ele.
Ainda assim, deve se reconhecer que, quem quer que tenha organizado a vinda dos meus canadenses queridos, fica ele ou ela de parabéns por, ao menos, promover venda com muita antecedência.
No final, fui brindada com um show ótimo. Nem o chuvisco me desanimou. Tinha até um sósia do Geddy Lee sentado atrás de mim.
O negócio, Luciana, é a gente se agarrar em algum DVD do U2, e curtir o som da banda no aconchego de nossas casas. Ao menos ali dá pra curtir as músicas, desafinar, digo, cantar junto, tudo regado a batata frita, pipoca ou outro petisco de nossa escolha.
Bom, antes de fazer minha "saída pela direita", me sinto compelida a dar uma palhinha de prosa sobre um assunto comentado em outra coluna: A volta dos que não foram!
É, os anos 80 se intrometeram aos poucos neste novo século.
De muitas formas, estou gostando disso.
Eu simplesmente a-ma-va Duran Duran! David Bowie e sua turnê Serious Moonlight! Queen!! Police!!! Céus, o topete do Daryl Hall!!!!
E o Sting... Meu Deus... ele, de sobretudo!!! Não é à toa que muitos o queriam pro papel de John Constantine. Claro que, relembrar tanto o passado não é apenas um mar de rosas. Ver o Simon LeBon, do Duran Duran, no seu estado atual é quase doloroso. Parece que aquele rapaz de beicinho de 20 anos antes foi atropelado por mamutes! E, depois, pisoteado por toupeiras!
Daryl Hall também não tem mais topete. Os anos - e a sindrome de Lyme - foram cruéis para ele. E Sting mal tem cabelos!!! Snif.
Melhor parar por aqui, ou vou lembrar da irreparável perda do Freddie Mercury e entrarei em depressão profunda.
Será que só a Paula Abdul e a Kylie Minogue conseguiram escapar quase incólumes à passagem do tempo? Só não me conformo que, com todo esse "saudosismo", ninguém lance um DVD do filme Feitiço de Áquila com todos os extras que ele merece. E com o som ajustado. Céus, não tem uma cópia em que as vozes não estejam muito baixas em relação à música e som ambiente.
E ai de quem falar mal da trilha sonora, que devo ser a única - junto ao Richard Donner - que gosta dela do jeito que está. Deus salve o Alan Parsons Project! Salve Andrew Powell!
Ok, agora me despeço, que já enchi muita lingüiça.
Um abração de sua leitora compulsiva,
Ana Lucia F. Lieuthier
Resposta
Oi, Ana!
Agüentei sim... Por que por um momento (vários, aliás), desistir me pareceu a coisa mais estúpida a se fazer, ainda mais com a passagem do tempo... você meio que não acredita que aquilo possa dar TÃO errado, sabe? E vai ficando...
Xiii... tem tantos shows grandes que foram melhor organizados do que esse, né? Você citou o Rush, teve o Roger Waters, os Stones, o Linkin Park que seja (em termos de platéia e ingressos esgotados), o Eric Clapton, Hollywood Rock, Rock in Rio... o que fizeram na venda dos ingressos pro show do U2 vai entrar pros anais da história da infelicidade. Eu realmente até agora não sei como eles conseguiram errar tão feio, a ponto de eu achar que a "tecnologia" funcionava melhor há 10 anos...
Quanto aos anos 80, teve bastante legal sim... mas você não precisava ter lembrado do Freddie Mercury :( Deprimi.
Brincadeira...
Beij(o),
Luciana
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Sobre miguxês – coluna de 08/03/05
Por Fernando Ivo Pimentel
Oi Luciana,
Li poucas colunas do Omelete até então, já que o tinha como um site apenas de news no mundo pop até ler uma do “Da Gema”. Hoje resolvi dar uma “zapeada” (zapeia-se em sites?) pelas colunas deste portal pop e, com poucas exceções (minha opinião, claro), vejo bons colunistas. De uma forma geral não apelam para maneirismos de linguagem nem usam vocabulário rebuscado e coisas do tipo. Seus textos diferem por isto que você costuma chamar de atitude. Digamos que você manifesta suas opiniões com veemência e linguagem um pouco mais incisiva que a média. Este perfil não seria nem bom nem ruim, simplesmente é um estilo, mas certamente tem a vantagem de, ao ler uma série de colunas, destacar mais eficientemente linhas de pensamento que cruzam o todo.
Percebi que, de uma forma geral, a dita “atualidade” é um dos principais alvos de seus textos. Temos então o miguxês. Hoje, com a mesma idade que você, odeio esta linguagem, a vejo como um fator imbecilizante e faço o possível para extingui-la, mas não sei dizer se esta seria pior do que a linguagem que eu praticava aos 13 ou 14 anos, quando abusava de praias e skates e tinha aquele dialeto igualmente imbecil. Penso que, se eu tivesse a idade de hoje nos tempos de ontem, talvez estivesse apontando o dedo para mim mesmo e largando críticas.
Quanto à música, não sei se a dita “atitude” é realmente um diferencial para que uma banda seja boa. Se pegar um pouco do que foi escrito e debatido sobre Coldplay, Iron Maiden (e, neste caso, tem um texto interessante de um amigo meu em http://www.blackzombie.blogspot.com/– post do dia 11 de setembro), 80's e afins, percebo que condenar uma banda por fazer mais do mesmo ou por simplesmente não ter uma fúria inovadora seria injusto; como também não acho que tudo o que foi dos 80 tem mais é que ficar por lá e não tentarem sobreviver. Neste caso, prefiro criticar estes artistas que mudam de estilo como mudam de roupa, já que estes não têm nada daquilo que realmente faz-me valorizar um artista: a paixão pelo que faz, seja este “pelo que faz” velho, novo, pacífico ou cheio de atitude. Pode ser qualquer coisa, contanto que seja aquilo que faz por prazer e por acreditar no que canta/pinta/compõe etc. Exemplos negativos? Um clássico: Lulu Santos. Vai para onde o vento bate.
O Coldplay ou o Iron Maiden, só para pescar alguns dos exemplos debatidos, são sinceros no que se propõem a fazer. Acho que se destacam justamente por não tentarem inovar se não há o que inovar, sendo bem fisiológicos até. Reconheço o brilhantismo dos Beatles, mas acho que se surgissem hoje em dia não dariam um passo pela falta de “inovação” e/ou “atitude”, dado que esta última tem seu conceito moldado com os anos. Avril? Não gosto, mas não dá para condená-la por se intitular roqueira, já que deve ser brabeira não acreditar no que milhões de pessoas dizem que você é quando ainda é uma moleca e fatura milhões acreditando nisto. Isto não elimina o fato de que a menina compõe as próprias músicas e arranjos, o que já é um puta diferencial em comparação com o que temos por aí - mesmo compondo e arranjando mal. Esta última parte me faria concluir que a atualidade é uma merda, onde ninguém compõe e todos são fabricados... mas finge que não escrevi isto.
Ou melhor... o fato de eu ter tocado nesta coisa de atualidade ser realmente uma bosta não deixa de ser sintomático. Na verdade, se notarmos bem, esta impressão não é só na música. A velocidade e consumismo dos dias de hoje nos fazem ter a impressão de decadência qualitativa de qualquer tipo de expressão cultural, e pode pegar aí todas as nove artes do mundo (tem gente que chama videogame – talvez a única exceção que confirma a regra - de oitava e HQ de nona). Ao ver os comentários dos meus pais, vejo que não são diferentes dos meus, só mudam o referencial. Concluo dizendo que talvez a coisa não seja tão ruim quanto achamos, mas certamente não é tão bom quanto eles (os moleques) pensam. Deve estar em algum lugar no meio deste caminho... creio que mais próximo da gente do que deles.
A culpa é da tal da nostalgia. Pronto.
Bjs,
Fernando.
Resposta
Deus do céu, Fernando... mil perdões pela demora em responder. Desculpa mesmo.
Vamos lá.
Olha,
A minha preocupação com o miguxês se tornou maior quando o canal de televisão resolveu fazer “uso” da “mania”. Ok, lá atrás, havia o “Armação Ilimitada”, por exemplo (lembra?), que trazia pra telinha o linguajar dos surfistas. Entretanto, vale lembrar que gíria não tem nada a ver com “nova forma de linguagem”. Dizer que o "point tá crowd" não é a mesma coisa que escrever "axu q naum vou naum". Acredito que o miguxês seja muito mais perigoso por esconder falhas de educação, ou você realmente acredita que as pessoas saibam escrever exceção e optem, por maneirismo, por escrever eceção [SIC] ou coisa que o valha?
Não, atitude não é o principal diferencial, mas condizer o que se prega com o que se faz, ou seja, não prometer o que não é, ou seja, não enganar ninguém. E sim, concordo contigo, os que viram a casaca são os piores... engana de início, engana no meio, e continua enganando enquanto render.
Aha! Não pude fingir que não li “a atualidade é uma merda onde ninguém compõe e todos são fabricados”. Será que você não está realmente certo aí? Com raras exceções, é disso que a atualidade trata sim, pelo menos a atualidade que chega ao maior número de pessoas por meio da mídia.
Não, a culpa não é da nostalgia. É da falta de se utilizar de um poder que todos temos: escolha.
Beij(o),
Luciana
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