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Déjà
Vu
Déjà Vu
EUA, 2006 - 128 min.
Suspense/Ação |
Direção:
Tony Scott
Roteiro: Terry Rossio, Bill Marsilii
Elenco: Denzel Washington, Val Kilmer, Paula Patton,
Jim Caviezel, Adam Goldberg, Marel Medina, Erika Alexander, Bruce
Greenwood, Rich Hutchman, Matt Craven |
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Denzel Washington persegue pelas avenidas
de Nova Orleans o carro do suspeito de um atentado terrorista. Derrapadas, batidas,
capotamentos, herói trafegando pela contramão - é tudo o que se espera, e o
que já se viu, em matéria de perseguição de filme de ação. A diferença é que
Denzel segue, do presente, um carro que está quatro dias no passado.
Déjà Vu (2006), novo trabalho do
diretor Tony Scott (Chamas
da vingança, Domino), não é exatamente uma ficção científica sobre viagem no tempo, com dilemas
clássicos de realidades paralelas ou paradoxos de tempo-espaço. Antes disso,
é um thriller com elementos de viagem no tempo: o milagre da física entra no
filme como ferramenta de investigação; norteia-se o futuro com base no que se
observa do passado.
Em outras palavras: ainda que o enfoque mude ao longo
do filme, ele está mais para Minority Report (2002) do que para De
Volta para o Futuro (1985).
Na trama, Doug Carlin (Washington) é um policial de Nova
Orleans que investiga a explosão de uma balsa na cidade, caso rapidamente diagnosticado
como atentado criminoso. Simultaneamente, surge no mesmo local o corpo queimado
de uma mulher, Claire Kuchever (Paula Patton) - mas que morreu minutos
antes da explosão. Durante a investigação, Carlin é apresentado a uma equipe
do FBI que está testando um equipamento inovador: um sistema de vigilância que
consegue enxergar o passado. Carlin não pensa duas vezes. Convencido de que
os dois casos estão relacionados, pede que a equipe vigie a rotina de Claire.
As filmagens de Déjà Vu estavam agendados para
outubro de 2005, mas a produção foi forçada a interrompê-las por causa da devastação
do furacão Katrina na Louisiana. Em fevereiro do ano passado, o projeto foi
retomado - e se tornou um dos primeiros filmes rodados na Nova Orleans pós-catástrofe.
Todos esses eventos extra-filme acabam ganhando uma conotação forte: o conceito
de observação do passado, dentro da história, está ligada a tragédias que poderiam
ser evitadas.
Ainda que não sejam evitadas, ao menos as tragédias são
reconhecidas. Quando começa a acompanhar a rotina de Claire, é como se o personagem
de Washington prestasse o luto por essa mulher que ele só está conhecendo depois
de morta. Há, sem dúvida, uma sugestão de necrofilia forte aí, na linha emocional
de Um corpo que cai (1958). Mas há maior ainda um sentimento de velamento,
de respeito à morte.
Grandes tragédias não têm rosto. A viagem no tempo de
Déjà Vu dá à tragédia um rosto, o de Claire. Patriotadas, diálogos ultra-reiterativos
e desfechos previsíveis à parte, o que fica é uma implícita homenagem póstuma
a Nova Orleans.