Não é difícil nos depararmos
com a seguinte situação aqui no Omelete: como categorizar um filme?
Ele é comédia com romance, drama com suspense, aventura com terror
e documentário, é o quê? Hoje em dia está cada vez
mais complicado dissecar um filme em apenas algumas palavrinhas, com tantas
preocupações dos estúdios para que a produção
agrade a públicos-alvo tão distintos quanto a variedade de combinações
de gêneros que podem existir.
Adrenalina (Crank,
2006) não tem esse problema.
O filme estrelado pelo londrino Jason
Statham (Carga
explosiva) esquece essas fórmulas para expandir potencial de
público e encaixa-se perfeitamente na categoria preferida da maioria
dos machos: Ação.
O roteiro de Mark Neveldine
e Brian Taylor, também diretores, é assumidamente
nulo. Nele, o faixa-preta Statham vive Chev Chelios, um assassino
de aluguel que se descobre envenenado por um rival, Verona (Jose Pablo
Cantillo). A história mostra o seu dia de cão pelas ruas
de Los Angeles atrás de uma cura. Enquanto a procura, ele ainda tem outro
dilema: pode cair duro a qualquer momento se não estiver com a adrenalina
sempre lá em cima. Para tanto, ele pisa no acelerador, transa no meio
de uma multidão, arruma encrenca, usa substâncias diversas, enfim,
faz de tudo para manter seu coração a mil por hora.
O resultado é um videoclipe com 90 minutos
de duração em que quase não existem respiros,
momentos em que o frenesi visual sossega antes de embarcar numa nova onda de
acontecimentos vertiginosos. Os cineastas são adeptos do exagero. Experimentam
toda sorte de recursos visuais imagináveis: tela divididas, imagens distorcidas,
primeira-pessoa, saturações de cor, câmera lenta, câmera
acelerada, computação gráfica, texto na tela, projeções
- a lista é imensa e reforça a idéia do clipão.
Corte os segmentos do filme - todos embalados por música pesada - e dava
para passar na TV em programas de música.
É tudo tão estapafúrdio
que o humor aflora sem esforço e fica fácil engolir tudo o que
nos é incansavelmente jogado em cima. Mas o grande barato de Adrenalina
é justamente essa sem-vergonhice. Não é sempre que Hollywood
se assume dessa maneira.