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Xeque
Mate
Lucky Number Slevin
EUA, 2006 - 109 min
Suspense/Policial |
Direção:
Paul McGuigan
Roteiro: Jason
Smilovic
Elenco: Josh Hartnett, Bruce Willis, Lucy Liu,
Morgan Freeman, Ben Kingsley, Michael Rubenfeld, Peter Outerbridge,
Stanley Tucci, Kevin Chamberlin, Dorian Missick, Mykelti Williamson,
Scott Gibson, Sam Jaeger, Danny Aiello, Oliver Davis, Corey Stoll,
Howard Jerome, Robert Forster |
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Tem uns filmes que você olha para os nomes
das estrelas envolvidas e não entende como tanta gente tarimbada entrou
naquela roubada. Por outro lado, existem também aquelas produções em
que fica difícil entender por que foram tão mal criticados e não
conseguiram conquistar o público. Xeque-Mate
(Lucky Number Slevin, 2006) tinha cara de fazer parte do primeiro grupo,
mas a cada diálogo, a cada nova reviravolta da trama, se mostra o caso
de filme mal aproveitado pelo público do cinema, mas que pode ganhar o seu espaço
quando sair em DVD.
A história toda gira em torno de Slevin
(Josh Hartnett), um cara extremamente calmo, até mesmo
quando a casa está literalmente caindo pro lado dele. No início,
o prédio onde mora está para ser demolido e ele pega a sua namorada
com outro. Para dar um tempo até passar esta onda de azar, ele resolve
atravessar o país e passar uns dias na casa de Nick Fisher (Sam
Jaeger), um amigo que mora em Nova York. A primeira coisa que faz quando
chega à Big Apple é ser assaltado.
A sorte parece estar mudando quando a bela e inquieta Lindsey (Lucy
Liu), vizinha de Nick, bate à porta do apartamento. Só
parece. O que vem em seguida deixa todos os fatos anteriores pequenos. Ao ser
confundido com Nick, Slevin passa a ser cobrado pelos dois maiores gângsteres
da cidade, o Chefe (Morgan Freeman) e o Rabino (Ben
Kingsley). E para provar que coisas ruins nunca vêm sozinhas,
um dos mais temidos matadores de aluguel, Goodcat (Bruce Willis),
está na cidade e segue de perto seus passos.
Todo esse vai-e-vem acontece muito rápido
e novos personagens vão surgindo na mesma intensidade que a vida acontece
em Nova York, a famosa Cidade Que Nunca Dorme. O ritmo frenético é
acompanhado também nos diálogos, que são afiados e muitas
vezes tão aparentemente despropositados quanto num filme de Quentin Tarantino.
Não chega a ter gente discutindo como se fala Big Mac na França,
mas a certa altura do filme o Sr. Goodcat conta que "certa vez Charlie
Chaplin entrou em um concurso de sósias do Charlie Chaplin em Monte Carlo
e terminou em terceiro."
Dois elementos colaboram para deixar o filme
ainda mais interessante: o visual (contando aí roupas e cenários)
e os atores. Por exemplo, Morgan Freeman, que tem cara de bonzinho e já fez
até Deus (em Todo-Poderoso),
mostra que também pode fazer um ótimo mafioso. Mas quem se destaca mesmo
é Josh Hartnett. Seu Slevin é blasé no limite
e as suas atitudes não-tô-nem-aí vivem fazendo com que ele leve bordoadas
por aí. É o cool que é tão cool que dá
raiva. Ou você acha normal ser levado pelas ruas de Nova York trajando
apenas uma toalha de banho? Pelo jeito despreocupado como ele anda, parece que
já fez isso muitas outras vezes.
Se você achou tudo muito confuso, com informações
em excesso para serem retidas em pouco tempo, não se preocupe. Basta
saber que no final, como num episódio do Scooby-Doo, as explicações
aparecerão mastigadinhas, com direito a flashbacks e tudo mais.
E isso, na verdade, é um grande desperdício. Toda a trama é
bem costurada e dá dicas do que está acontecendo. Se o título
nacional faz referência a um jogo de xadrez, o desfecho deixa um pouco
a desejar, pois nivela os espectadores por baixo. Quem passa seu tempo na frente
do tabuleiro sabe que a derrubada do rei não precisa ser literal. Basta
deixar todas as peças bem colocadas no tabuleiro para concretizar o tal
xeque-mate.