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Kate Bosworth como Lois Lane |

Voando com o Super-Homem no
telhado do Planeta Diário |

Lois & Clark |

A redação do Planeta Diário: Richard White, Clark Kent
e Lois Lane |
De todas as pessoas entrevistadas pelo Omelete
na Austrália, Kate Bosworth (A
onda dos sonhos, Crimes
em Wonderland), a Lois Lane, pareceu a mais Hollywood.
Respostas cuidadosamente arquitetadas, maquiagem perfeita, a necessidade de
assinatura de um contrato de embargo - sem o qual não poderíamos
falar com ela - e, mais importante, um visual fashion elaboradíssimo,
nada casual (todos os demais pareciam estar em casa, de moletom e jeans), davam
essa impressão. De fato, a conversa começou justamente pela chamativa
roupa da atriz - completa com uma boina branca com uns brilhantes.
Kate Bosworth: Oi, não
estranhem a roupa, eu acabo de chegar de um evento.
Omelete: Um evento australiano?
É, fui à abertura da loja Sass
and Bide em Sydney, é uma loja de roupas fantástica. Basicamente
jeans.
Como você conseguiu o trabalho?
Sua experiência anterior com Kevin Spacey ajudou?
Foi importante, sim. Eu trabalhei com ele em
Beyond the Sea e Bryan foi ver a estréia. Na época ele
estava procurando alguém para viver a Lois Lane e ele disse isso a Kevin,
que me recomendou.
E como foi o processo?
Bryan viu Beyond the Sea algumas vezes
e me chamou para um teste com Brandon. Nosso teste foi fantástico. Fizemos
uma cena em que ele interpretava Clark Kent e outra na qual era Super-Homem.
Ele foi ótimo. Ficamos na sala de teste e ele fez a primeira cena meio
pateta e tímido, um Clark maravilhoso. Depois ele foi o Super-Homem e
seu comportamente mudou totalmente. Sua linguagem corporal mudou e ele ficou
muito mais confiante. Isso me deixou até meio perdida, fiquei maravilhada.
Tivemos um momento excelente.
Ele disse que quando você deixou
a sala ele não tinha palavras pra descrever o que sentiu.
Ahahahaha. Sério? Isso é ótimo.
Depois eu pago a ele. Ahahaha.
Sua juventude prejudica você de
alguma forma, já que você tem conseguido esses papéis mais
maduros?
Antes da Lois, o último papel que fiz
foi a Sandra Dee [em Beyond the sea], que variava de 16 a 30 anos. Essa foi
a primeira vez que tive esse desafio de viver alguém mais velha [a atriz
tem 22 anos]. Então, para Superman eu já estava bem melhor preparada.
Esta é a primeira vez que Lois
Lane aparece como mãe. Que tipo de desafios essa versão oferece?
O que você teve que incorporar à personagem para mostrá-la
assim? Dessa forma ela é mais que um interesse romântico para o
herói?
Eu não tenho filhos, mas imagino que o
mundo dela mudaria completamente. Eu acredito então que ela não
seria mais aquela workaholic maluca de antes. Ela teria que focar sua atenção
nesse pequeno ser e na sua criação. Enfim, ela teria que ficar
mais madura. Mas o fogo e a maluquice continuam dentro dela, só que controlados.
Como esse filme é uma espécie
de continuação dos dois primeiros, o que você aproveitou
da interpretação de Margot Kidder [a Lois de 1978]?
Pra ser honesta, eu tomei a decisão de
não rever Superman. Eu acho que cabe a Bryan e eu definirmos a maneira
como devo interpretar a personagem. Está escrito no papel que ela é
forte, independente e tem aquele fogo dentro dela.
Como foi a sua preparação
para o papel?
Eu nem saberia como me preparar para um filme
destes. O que eu fiz foi trabalhar com minha treinadora de sempre, Ivana Chubbuck,
e ficamos algumas semanas analisando o roteiro e o entendendo, parte a parte.
Foi basicamente o que fiz. Ela veio comigo para a Austrália e trabalhamos
um pouco aqui também. Outra coisa que eu fiz foi ver um monte de filmes
da Katherine Hepburn. Preferi fazer isso a ver os filmes do Super-Homem antigos,
pois acho que as pessoas não iriam gostar de ver alguém imitando
o trabalho de outra pessoa. Assim, quis buscar referências no trabalho
de outras atrizes que têm força e graça, que são
fortes e independentes, mas ao mesmo tempo têm uma certa fragilidade que
as torna atraentes.
Você acha que esse tipo de papel
é uma tendência pra você? Você os prefere?
Com certeza. Mas eles não aparecem com
freqüência e a concorrência é grande. É maravilhoso
quando consigo trabalhar num filme que tenha uma personagem assim. Este filme
é um ótimo exemplo disso, um filme gigante com essa personagem
forte, que é um ótimo exemplo para as garotas.
Quais as diferenças em trabalhar
com Kevin Spacey em Beyond the sea e aqui, com ele como Lex Luthor?
É completamente diferente e isso tem sido
um barato. É uma delícia trabalhar com ele e melhor ainda que
isso tenha acontecido duas vezes tão rápido. Ele é muito
importante na minha vida. Quando ele me dirigiu ele tentava me deixar muito
tranqüila, mas apesar disso foi sempre muito intimidante trabalhar ao lado
dele. Mas me acostumei e nos conhecemos tão bem agora que tem sido muito
engraçado vê-lo interpretar Lex Luthor. Às vezes tenho que
me controlar pra não rir, ainda mais com a careca.
E pra você, qual o elemento mais
divertido em viver Lois?
Ah, tem muitos. É interessante porque
rodamos tudo meio que cronologicamente. Começamos pelo Planeta Diário
e ficamos por lá uns dois meses. Foi legal porque todos os diálogos
lá são acelerados, inteligentes, é lá que ela fica
em casa. Bastante intenso. Só depois fomos às partes mais românticas,
entre ela e o Super-Homem, que também foram incríveis. Me lembro
de cada dia de filmagens e penso sempre em como tenho sorte em ter este emprego.
Sem falar que eu pude me sentar na mesa de Lois Lane, mexer nos cartões
de visita dela e voar com o Super-Homem, mesmo que tenha sido amarrada com arame.
Voei abraçada em Brandon, com sua capa tremulando, S no peito e pensei
estou voando com o Super-Homem!. Mais tarde fiz as cenas com Lex,
que foram um arraso. Todas as fases foram ótimas e muito divertidas pra
mim.
E o figurino? Você se divertiu
com todas aquelas roupas meio-retrô?
Ah, sim! Foi tão fantástico! Antes
de conhecer o figurino eu torcia para que fosse algo assim, clássico.
De novo, eu pensei muito em Katherine Hepburn. Me lembro de ter ficado apreensiva
antes de encontrar Louise [Mingenbach, figurinista] pela primeira vez, pois
queria muito que estivéssemos em sintonia nisso. Quando ela me mostrou
os livros de desenhos, fiquei felicíssima porque parecia que estava olhando
um catálogo dos anos 1930 ou 40, Chanel clássico ou Yves Saint
Laurent. Designers clássicos, mas fortes e maravilhosos. Depois sentei-me
com ela para definir moldes para Lois. As coisas começam parecendo uns
sacos e terminam perfeitas no corpo, algo incrível, já que ela
faz tudo, desde o desenho à execução.
Eu nunca tinha feito um filme assim e adorei, especialmente com os vestidos.
Não sei se vocês sabem, mas há uma cena em que ela precisa estar muito bem vestida.
De cara, eu duvidei que Lois usasse um vestidão normal. É muito
normal pra ela, então tivemos essa idéia de fazer quase que um
smoking feminino. É um vestido Art Deco bastante forte. Foi muito legal.
E o cabelo?
Eu estava pronta para qualquer tipo de mudança
- apliques, tingimento, qualquer coisa. Mas eles acharam que o mais prático
era mesmo uma peruca perfeita. E foi. É só eu me sentar lá
e eles colam e pronto. Nem tem que arrumar muito.
Há um pouco de Lois em você?
Somos muito parecidas em muitos aspectos. Acho
que não foi por acaso que meus pais me batizaram Katherine, que significa
determinada e com força de vontade. Acho que são exatamente
essas características que me definem melhor. Assim como definem Lois.
Além da paixão que temos pelos nossos trabalhos. Enfim, são
várias características em comum.
Quando foi que você viu Brandon
pela primeira vez com a roupa do Super-Homem?
Foi quando tiramos a primeira foto dele para
divulgação. Eu estava no gramado dos estúdios Fox e muito
ansiosa porque aquilo era muito importante pra todos. A segurança era
total porque ninguém queria que aparecesse uma foto ruim dele, tirada
de celular, na Internet, arruinando a surpresa. Então ele saiu do prédio
com a roupa, mas coberto por uma capa preta. Fomos até o cenário
e foi algo como a revelação da Mona Lisa ou o Davi de Michelangelo.
Ahahahaha. Foi incrível. Tiraram até uma foto da minha expressão
quando o vi pela primeira vez. É incrível ver algo tão
importante, essa nova versão de um personagem tão grande em carne
e osso. Arrepia.
Você lia quadrinhos quando pequena?
Quando era pequena não. Comecei a ler
agora. Estou achando muito engraçado nesses gibis a coisa do tamanho
do peito das mulheres. Logo que li minha primeira HQ do Super-Homem fui até
o Bryan e disse Ah, agora eu sei porque você me escolheu! É
óbvio! Hahahahahahaha.
O que você leu? Histórias
do Super-Homem para se familiarizar?
Sim, algumas do Super, mas as que temos aqui
no set. De qualquer forma, isso não é tão importante. Apesar
de ser um filme baseado em quadrinhos, Bryan sempre nos diz que o está
fazendo não por isso, mas porque ele é multidimensional, tem
profundidade, emoção e alma. É justamente isso que torna
a experiência incrível. Eu estou interpretando a Lois Lane, mas
pra mim ela não é uma personagem de quadrinhos, é uma pessoa
real. É alguém que tem um filho e vive sentimentos conflitantes.
É assim também que Bryan vê as coisas - apesar da pirotecnia
do filme, dos planos de Luthor - essa é a prioriade dele, capturar esse
realismo.
Como tem sido a sua convivência
com Brandon aqui na Austrália?
Estamos saindo bastante. Os restaurantes são
fantásticos aqui em Sydney! A comida é ótima. Outro dia
eu arrastei ele até... ahahahahahahaha, os produtores vão ficar
furiosos comigo... antes eu preciso explicar que ele está numa dieta
radical. Ele tem que ficar em forma. Eu sei bem como é isso porque quando
fiz A onda dos sonhos era a mesma coisa, um sofrimento. Um dia ele
estava roendo pedaços de cenoura ou coisa do tipo e eu fiquei louca.
Cara, temos que ir até a Max Brenner, falei. Eu não
sei se você conhece, mas é o bar de chocolates mais espetacular
do mundo todo. E ele topou. Aí nos fartamos de foundue de chocolate e
outras delícias. Ele ficou tão feliz! Ahahahahahaha.
Isso é totalmente Lois Lane!
Yeah!
E vocês conseguiram fazer isso
escondidos?
Até o momento, sim! Agora todo mundo
vai saber! Ahahahaha. Mas não estou nem aí! Só tenho mais
três semanas de filmagens e não dá mais pra me substituir!
Ahahahaahahaha. Mas, sério, ele precisava daquilo. Ele é tão
disciplinado...
Sorte de vocês que não apareceu
uma barriguinha no outro dia...
Sorte! Eu seria crucificada. Mas são
coisas como essa que tornam a experiência toda divertida. Ele é
adorável.
Nas filmagens vimos que Lois escreveu
uma matéria chamada Porque o mundo não precisa do Super-Homem. Por que
ela escreveu esse artigo?
Eu acho que ela estava ferida... ele sumiu por
cinco anos e nem se despediu, o que é uma coisa bem desagradável.
Então creio que ela ficou furiosa e lançou essa questão
ao mundo. Afinal, o mundo não tinha um Super-Homem. Aí ele chega
pra nos salvar, fica um pouco e deixa todo mundo sozinho outra vez. Assim, a
lição que ela aprende e tenta passar é: as pessoas têm
que aprender a se salvar, não esperar que alguém o faça.
Como foi a sua reação quando
você descobriu que havia conseguido o papel?
Ah meu Deus... eu havia feito o teste mais ou
menos no dia 15 de dezembro de 2004. Uns dias depois eu fui pro Brasil passar
o Natal e o Ano Novo. Estava no carro indo pro aeroporto quando me ligaram.
Era a minha empresária e ela disse Kate... você vai ser a
Lois Lane. Comecei a gritar e provavelmente assustei o motorista. Foi
tão legal! Era como se todas as emoções possíveis
passassem ao mesmo tempo pelo meu corpo, algo de outro planeta. E eu fiquei
pensando feliz da vida, Ah meu Deus, eu vou ser a Lois Lane!, pra
pensar horrorizada no segundo seguinte, Ah meu Deus, eu vou ser a Lois
Lane. Foi incrível e eu nunca vou me esquecer.
Infelizmente, antes que pudéssemos
saber mais a respeito da viagem ao Brasil o produtor interrompeu a conversa
para informar que o tempo estava encerrado... Mas o Omelete promete descobrir
mais a respeito na nossa próxima entrevista com a atriz, marcada para
o final desta semana.
Especial
Superman - O retorno