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O
Albergue
Hostel
EUA, 2005
Terror - 95 min |
Direção
e roteiro: Eli Roth
Elenco: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor
Gudjonsson, Barbara Nadeljakova, Jana Kaderabkova, Jennifer Lim,
Lubomir Bukovy, Jana Havlickova, Takashi Miike, Paula Wild, Vladimir
Silhavecky, Vanessa Jungova, Katerina Vomelova, Jan Vlasák,
Rick Hoffman |
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Um dos mais cultuados subgêneros do terror
é o chamado Gore - produções
nas quais o elemento predominante é o sangue, geralmente acompanhado
de vísceras, amputações e seus derivados, como o pus e
outros fluidos nojentos. Aliás, a idéia aqui é essa mesma:
causar asco no público, algo que já virou até sinônimo
da palavra inglesa: "filme de nojeira".
Grandes cineastas dos blockbusters da atualidade começaram fazendo gore (e com um pé no trash). Peter "Senhor dos Anéis" Jackson e Sam "Homem-Aranha" Raimi, por exemplo, trouxeram pérolas como Náusea Total (Bad Taste, 1987), Fome animal (Braindead/Dead-Alive, 1992) e a trilogia Evil Dead. Todos repletos dos elementos citados acima e dotados de enorme humor negro.
Pois um novo nome chega para engrossar esse angu de pústulas. Eli Roth chamou a atenção da indústria em 2003 com Cabana do inferno (Cabin fever, lançado direto em DVD por aqui), seu primeiro longa, que custou apenas 1,5 milhão de dólares e deu gordos ganhos ao estúdio Lions Gate. Assim, não tardou para que seu novo projeto, O albergue (Hostel, 2006) fosse anunciado, com produção executiva de Quentin Tarantino e o escambau.
O filme resultante é legítimo gore,
diferente de produções recentes como os dois Jogos mortais,
que sugerem muita coisa mas se perdem em armadilhas pretensiosas. O negócio
em O albergue é mesmo o úmido e escorregadio choque e
sua única intenção é divertir espectadores sádicos,
dos quais o Marques de Sade teria orgulho. Fazer rir de pus jorrando aos borbotões
é uma arte e Roth, como um Picasso das tripas, vive nesse momento sua
"Fase Azul" (ou vermelha, no caso do cineasta).
O diretor também é bastante feliz
na escolha da ambientação de sua história. A situa em Bratislava,
capital da Eslováquia, cidade da qual o grande público pouco sabe,
estimulando assim o imaginário. Os encantos urbanos mostrados na telona,
porém, não pertencem ao local, mas à velha vizinha República
Tcheca, destino preferido dos produtores pela moeda desvalorizada, belezas naturais
e preservação de edificações de séculos de
idade.
De qualquer forma, a idéia funciona perfeitamente. Inexplorada pelo cinema, Brastislava surge com uma aura de mistério que não funcionaria em qualquer outro destino batido da Europa, lotado de turistas. É para lá que vão os amigos mochileiros estadunidenses Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) e o islandês Oli (Eythor Gudjonsson), atraídos pela promessa de garotas maravilhosas (realmente, as centro-européias estão entre as mais lindas do planeta) e loucas por sexo. É o sonho molhado da "Sneepur Patrol" (patrulha do clitóris, no idioma da Islândia).
Ao chegarem à pequena capital ex-socialista, deparam-se com a feliz constatação de que toda a propaganda era justificada. O albergue em que se hospedam tem garotas desinibidas, um spa, baladas diversas e a "pegação" decorrente de tais desvarios. Quando o amalucado Oli vai embora sem qualquer explicação, no entanto, Paxton começa a desconfiar da sorte do trio e não demora para que ele descubra a mortal natureza real desse paraíso.
O desenvolvimento sem pressa das situações e personagens criam a empatia necessária com os protagonistas, sem adiantar as inevitáveis e criativas chacinas. De fato, o início parece até uma comédia adolescente. Daí a satisfação em ver essas chatas figuras recorrentes no cinema morrendo um a um, creio. Já o terceiro ato é o mais questionável, encaixando-se numa idéia hollywoodiana das vendettas dignas de Charles Bronson.
Todavia, nada que prejudique essa doentia criação de Roth, uma diversão para fortes do estômago e meio ruins da cabeça.