Está pra surgir um cineasta tão
corajoso quanto Simon West.
Sim, porque precisa ser muito peitudo pra usar
coisas tão vergonhosamente manjadas como - acompanhe só - a "cena
do gato" e "a cena do espelho" e fingir que seu filme presta.
Você sabe muito bem como é: na primeira,
o protagonista vai se aproximando da fonte de um som estranho, algo que não
deveria estar ali - geralmente dentro de um armário ou cômodo.
Ele chega mais perto... e mais... e mais... a música aumenta e... "WEOWWWWW",
pula um gato! "Ufa, que susto". A outra é ainda pior. Um personagem
se olha no espelho de uma porta qualquer. Abre o compartimento para pegar qualquer
coisa e ao fechar - tcharã! - tem alguém atrás dele que
não estava ali antes. "Ufa, que susto" - parte 2.
Sentiu o drama? Ele é só a ponta
- a pontinha mesmo - do iceberg mentecapto que é esse Quando
um estranho chama (When a stranger calls, 2006), remake
do filme homônimo de 1979. Esse West, depois de colocar suas patas sujas
no gênero de ação (Lara Croft e Con Air),
devia ser esquartejado por ser tão óbvio. Aliás, esse sim
daria um bom suspense. Assassino serial sai atrás de diretores que difamam
sua "classe" em nojeiras como essa. Aliás, outro que precisa
levar um corretivo é o tal Jake Wade Wall, o roteirista.
Seu texto repleto de inconsistências parece ignorar todo e qualquer bom
senso. Cadê o Hannibal quando precisamos dele?!?
A historinha coloca Jill Johnson
(Camilla Belle), uma babá, tomando conta dos pimpolhos de um casal de
ricaços numa casa high-tech espetacular, isolada da civilização
às margens de um lago. Totalmente protegida por alarmes e outras traquitanas,
a menina começa a receber ligações de um incômodo
sujeito - daqueles que ficam respirando no bocal sem dizer nada. Assustada,
ela liga para a polícia, que rastreia a chamada. Para o desespero da
baby sitter, o maníaco está dentro da casa, trancado
junto com ela e louco por sangue. Começa então aquele manjado
jogo de gata e rato, com pula daqui, corre dali e essa bobageira toda, com direito
a personagens secundários dispensáveis (e inexplicáveis)
que aparecem só para morrer. Ao final, há apenas um susto decente
e olhe lá.
Mas o pior mesmo é a trilha sonora de
James Michael Dooley. Ela tenta desesperadamente extrair clima de absolutamente
TODAS as cenas do filme - provavelmente por ordem de algum produtor ciente da
batata quente que tem nas mãs. Do início ao fim, fica aquela música
sombria, subindo por qualquer bobagem. Jill estende a mão para pegar
um picolé e... cresce a música! Jill passa a mão no gato
e... cresce a música! Jill dá um beijo no pai e... cresce a música!
E por aí segue. O resultado? O efeito acaba em 10 segundos, depois de
alguns primeiros minutos decentes, e o filme se arrasta irritantemente pela
próxima hora e meia.
Quase enfiei as unhas em meu próprio
braço pra sentir alguma coisa. Revoltante.
Salva-se apenas a fofura da bela protagonista,
a californiana filha de brasileira Camilla Belle (O
mundo de Jack & Rose), que - segundo sua biografia - gosta de feijoada
e brigadeiro. E saiba você que ninguém que goste de feijoada e
brigadeiro será escrachado aqui no Omelete. Nunca!!!