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Boa
noite e boa sorte
Good night, and good luck
EUA, 2005
Drama - 93 min |
Direção:
George Clooney
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov
Elenco: David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia
Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels,
George Clooney, Tate Donovan, Thomas McCarthy, Matt Ross |
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Não há
como não tirar o chapéu para George Clooney.
Ator egresso da televisão - onde ganhou fama ao viver o médico
bonitão da série E.R. -, planejou sua carreira como poucos
e, ao lado do cineasta Steven Soderbergh, fundou a produtora
Section Eight, que tem um currículo invejável de boas produções
- sejam elas blockbusters ou obras autorais.
O segundo filme
de Clooney como diretor - o primeiro foi o bacana, mas um tanto pretensioso
Confissões de uma mente perigosa - tem arrancado elogios e indicações
para os principais prêmios da indústria. Merecidos, vale dizer.
Boa noite e boa sorte (Good night, and Good Luck,
2005) é uma produção ousada, que passa ao largo - e com
enorme louvor - de todos os aspectos dito "comerciais" da Hollywood
moderna. A começar pela opção estética do preto
e branco, para a qual a maioria das pessoas torce o nariz.
A história
nos situa nos anos 1950, quando o senador Joseph McCarthy
(imagens de arquivo no filme) empenhou-se numa caça às bruxas
buscando supostos comunistas no seio da nação. É por esse
cenário de insegurança que o filme passeia, mostrando o âncora
de TV Edward R. Morrow (David Strathairn), o produtor Fred
Friendly (o próprio Clooney) e sua equipe de repórteres
desafiando o governo em sua luta para apresentar os dois lados da nebulosa questão.
Em seu programa, Morrow - que usa o bordão "Boa noite e boa sorte"
como frase de encerramento - revela o jogo sujo de McCarthy e torna-se alvo
do senador, iniciando um acalorado debate pela liberdade de expressão
e conseqüente queda de McCarthy.
Da escolha de seus
protagonistas aos enquadramentos e à fotografia estonteante de Robert
Elswit (Embriagado de amor), Clooney obtém enorme sucesso
em fazer sua fita exalar integridade. Strathairn se entrega de tal forma ao
seu personagem que a luta e a idoneidade dele ganham um ar sexy. Claro
que a fumacinha do cigarro subindo em todas as cenas e sendo cruzada pelas luzes
do estúdio também ajudam nessa construção... e muito.
É o glamour do film noir vivo e muito bem empregado com mãos
firmes.
Mas não
se apresse em pensar que toda essa construção artística
existe para ocultar falhas no roteiro ou algo assim. Boa noite e boa sorte
é excepcional também nesse aspecto. Com extrema segurança,
sem recorrer jamais à saída fácil da explicação
didática, os diálogos são disparados com tanta velocidade
e veemência que parecem extrapolar o filme, não cabendo nele.
E se o falatório
já era relevante em 1950, parece ainda mais importante hoje, tempos em
que a integridade na mídia e na política rareia a cada eleição,
a cada renovação editorial. Clooney tem plena consciência
disso e a mensagem está lá pra quem quiser - ou puder - pegar.
Sai o macartismo, entra o Bush do Patriot Act, a Fox News...
Tudo implícito, mas o cutucão é incisivo. Talvez com isso
- e alavancado pelas indicações ao popular Oscar - o filme até
consiga abrir alguns olhos... quem sabe? Boa noite e boa sorte para todos nós.