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Beijos
e Tiros
Kiss Kiss, Bang Bang
EUA, 2005 - 112 min
Policial/Comédia |
Direção:
Shane Black
Roteiro: Shane Black, baseado em livro de Brett
Halliday
Elenco: Robert
Downey Jr., Val Kilmer, Michelle Monaghan, Corbin Bernsen, Dash
Mihok, Larry Miller, Rockmond Dunbar, Angela Lindvall, Indio Falconer
Downey, Ariel Winter, Josh Richman, Shannyn Sossamon
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Beijos e tiros (Kiss
Kiss, Bang Bang, 2005) é uma verdadeira metralhadora. Mas não de beijos,
tampouco de tiros. Dispara, sim, diálogos afiadíssimos e piadas inteligentes.
O responsável pela comédia policial
é Shane Black, que estréia como diretor, mas
já foi bastante conhecido como roteirista. O seu surgimento e sucesso
foi instantâneo e tão grande que ele era acusado por algumas pessoas
de ter parte com o capeta (viu? não é só a J.K. Rowling).
A origem do mito veio do avassalador Máquina mortífera,
cinessérie que ele criou em 1987 e que lhe rendeu a alcunha de o roteirista
mais bem pago da história. O sujeito é um verdadeiro patrimônio
cultural da década de 1980, mas sumiu do mapa após uma série
de fracassos retumbantes. O derradeiro foi O Último Boy Scout,
que em 1991 enterrou o cinema de ação daquela época e,
com ele, o próprio Black (ok, houve mais um, A.W.O.L., mas é
tão obscuro que nem conta).
O que Beijos e tiros faz pelo gênero é uma
espécie de homenagem satírica, algo que a fita estrelada por Bruce Willis bem que tentou,
mas talvez ainda fosse cedo demais para tanto. Nesta sua volta, Black emprega situações da
série Máquina mortífera - como a dupla de protagonistas homens que mais
parecem um casal - e os potencializa com elementos que lembram também o cine noir, trazendo o gênero aos dias de hoje (já notou que as duplas
atualmente são sempre formadas por um homem e uma mulher?). O casal da vez é
formado por um hétero fracassado e um gay machão, mas o texto é suficientemente
inteligente para não estereotipá-los. O resultado é fenomenal. Robert
Downey Jr. (Na companhia do medo) e Val Kilmer (Spartan) nunca estiveram tão bem na telona. Aliás, a seleção dos dois é
curiosa. Talentosos, estes atores são freqüentemente subaproveitados pela fama fora das
telas. Beijos e tiros, com sorte, deve mudar isso.
Na trama, um ladrão pé-de-chinelo (Downey Jr),
durante uma perseguição policial em Nova York na qual perdeu o parceiro, acaba
numa sala de seleção de elenco para uma série de TV. Para a sorte dele, trata-se
de um teste para o papel de um detetive que... adivinha... acaba de perder o
parceiro. Sem entender bem o que está acontecendo, ele é contratado e levado
para Los Angeles.
Na Meca do cinema estadunidense, ele é
colocado pelos produtores ao lado de um detetive de verdade (Kilmer) que será
seu treinador para o papel. No entanto, depois do que parecia ser uma
investigação de rotina, acaba envolvido até o pescoço num assassinato - ou
vários! - ao lado da garota mais popular de seu antigo colégio (Michelle
Monaghan). Tudo acontece de forma tão frenética e cheia de reviravoltas que fica até difícil reproduzir aqui sem deixar passar alguns importantes detalhes.
Apesar da violência - que pode atrapalhar o filme
para os que não apreciam piadas com cadáveres, mutilações e assassinatos -
trata-se de uma diversão como poucas nas últimas temporadas. Black escancara
clichês para depois ridicularizá-los usando um sarcástico narrador.
Não se preocupe, eu vi O Senhor dos Anéis, não vou colocar 17 finais
aqui, explica a voz onisciente quase ao fim da projeção. Hilário!
Para quem teve sua dose de filmes de ação nos anos
1980, Beijos e tiros é indispensável. Resta torcer para que Black não
desapareça outros 15 anos...