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Flores
partidas
Broken flowers
EUA, 2005 - 106 min.
Drama/Comédia |
Direção:
Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Bill Murray, Julie Delpy, Heather Simms,
Brea Frazier, Mark Webber, Jeffrey Wright, Alexis Dziena, Sharon
Stone, Frances Conroy, Christopher McDonald, Chloë Sevigny,
Jessica Lange, Chris Bauer, Larry Fessenden, Tilda Swinton, Pell
James
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Dois mestres do minimalismo, Jim Jarmusch
(Ghost dog) e Bill Murray trabalharam juntos pela
primeira vez em Sobre
café e cigarros (Coffee and cigarettes, 2003), a divertida
coleção de curtas do cineasta. Flores partidas é
seu primeiro longa-metragem juntos... e que venham muitos mais.
O drama cômico conta a história
de Don Johnston (Murray), um solteirão
mulherengo que acaba de ser deixado pela namorada. Você me trata
como sua amante, mas nem sequer é casado, reclama a moça.
Melancólico e solitário, ele recebe quase que simultaneamente
uma carta anônima. Dentro do envelope cor-de-rosa, sem remetente, a informação
bombástica de que ele tem um filho de 19 anos. Johnston não demonstra
interessa na missiva, mas seu vizinho xereta, o etíope Winston
(Jeffrey Wright, excelente!), apaixonado por romances policiais,
o convence a investigar o assunto e encontrar a mulher que escreveu a carta.
Assim, o hesitante Don embarca numa viagem através dos Estados Unidos
em busca de cinco antigas namoradas que podem ter pistas de seu filho.
Murray está mais uma vez perfeito como
o protagonista, homem de emoções represadas, mas indisposto a
romper o dique para deixá-las sair. Sua interpretação segue
a linha contida/pensativa de Encontros
e desencontros e A
vida marinha com Steve Zissou. Coincidência ou não, dois
dos melhores filmes estadunidenses dos últimos anos. Com este Flores
partidas são três.
Mas o ator está em excepcional companhia.
Sharon Stone, Frances Conroy, Jessica
Lange, Tilda Swinton, Julie Delpy
e Chloe Sevigny. Cada uma delas fica não mais do que cinco minutos na tela,
mas roubam as cenas. É palpável nos encontros de Johnston com as
ex-namoradas a velocidade com que o passado vêm à tona. Aliás,
esse é o grande trunfo do filme. Na maioria dos road movies,
o protagonista sai em busca de experiências novas. Neste, parte para reencontrar
o passado. Obviamente, em nenhum dos casos há como permanecer o mesmo.
Jarmusch é um mestre em sua arte. Deixa
a câmera parada, sem excessos de estilo, com a iluminação
e cores mais naturais possíveis. Conhece a força de seu roteiro
e dá um passo atrás para deixar o filme nas mãos dos atores
e seus personagens. O único recurso de que se vale é a música,
companhia de Johnston na estrada. E a seleção é extremamente
feliz. O cineasta nos apresenta Mulato Astatke, um jazzista
etíope, e mistura a exótica sonoridade do músico com Marvin
Gaye e uma pitada de rock alternativo.
Sabe aqueles filmes em que você pensa se
terminasse agora seria perfeito? Flores partidas é exatamente
assim. Concluiu num momento tão perfeito que a edição parece
ter sido feita em nível subatômico. Nem um átomo antes,
nem depois. Deixa o espectador com vontade de ver mais, de conhecer mais aqueles
personagens, de descobrir o passado, de acompanhá-los no futuro. Mas,
como os casos passageiros do protagonista, encerra a relação logo,
partindo-a como as flores do título.