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| Três
extremos
Three... extremes,
2004
China/Japão/Coréia do Sul
Comédia/Horror, 118 min. |
Direção:
Fruit Chan, Takashi Miike, Chan-wook Park
Roteiro: Haruko Fukushima, Lilian
Lee, Chan-wook Park, Bun Saikou
Elenco: Byung-hun Lee, Hye-jeong Kang, Jung-ah
Yum, Mitsuru Akaboshi, Ling Bai, Lee Jun Goo, Kyoko Hasegawa, Pauline
Lau, Mi Mi Lee, Tony Leung Ka Fai, Won-Hee Lim, Won-hie Lim, Meme,
Mai Suzuki |
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O cinema asiático
vem conquistando espaço cada vez mais nobre nos festivais. Espectadores
têm conhecido não apenas as produções sobre as tradições
orientais, mas também fitas de terror. Isso já se faz presente
nos recentes filmes de fantasmas que ganharam refilmagens norte-americanas,
como O Chamado e O Grito. Mas e o terror sofisticado, concebido
como um exercício de estética? Bem, este também está
começando a chegar ao ocidente. Três
extremos (Three... extremes, 2004) é uma ótima
oportunidade para se conhecer três estilos de direção. Nele,
encontramos o trabalho dos diretores Fruit Chan, Park
Chan-wook e Takashi Miike, respectivamente, de Hong
Kong, Coréia do Sul e Japão, divididos em três episódios
arrepiantes.
Os filmes não
possuem nenhum tipo de ligação com os seus países de origem.
A premissa básica é apresentar três situações
extremas. Uma compilação que não irá satisfazer
somente os adoradores de contos macabros, mas também cinéfilos
em geral. No primeiro episódio, Dumplings,
de Fruit Chan, acompanhamos uma rica mulher balzaquiana preocupada em manter-se
jovem e atraente. Para isso, ela não se importa em protagonizar cenas
de criar asco. A base de seu tratamento de beleza consiste numa refeição
de fetos fresquinhos, adquiridos através de abortos. A história
não pretende ser assustadora, mas uma crítica social aos extremos
que chegamos em nome da beleza. Em algumas das cenas mais asquerosas, o humor
negro se faz presente para aliviar a tensão. O final é instigante
e faz refletir. Esse episódio inclusive virou um longa-metragem que também
será exibido no festival.
Em Cut
(outro que virou um longa), Park Chan-wook, do excelente Oldboy,
um diretor bem-sucedido de fitas de terror vira refém de um ator psicopata
que ameaça cortar todos os dedos de sua esposa se ele não seguir
a risca suas exigências. Da mesma forma que em Oldboy, Park utiliza-se
da combinação de terror e violência extrema para fazer humor.
Seus planos são caprichados e sua câmera é soberba, fazendo
do episódio o mais rico tecnicamente falando. A metalinguagem está
presente em cada centímetro do celulóide. Destaque especial para
uma cena em que o psicopata protagoniza um musical.
No terceiro episódio,
Box de Takashi Miike, percebe-se uma historinha da
clássica série Além da Imaginação embalada
com ácido. Uma escritora de sucesso é constantemente visitada
por visões de um evento traumático em sua infância. Aos
10 anos de idade, ela e sua irmã gêmea trabalhavam como assistentes
de um mágico. Cheia de ciúmes, ela acaba envolvendo sua irmã
numa tragédia. Noções de tempo e espaço são
utilizadas de forma a se conseguir um desenvolvimento estético singular.
A culpa e o remorso são os ingredientes básicos da história
de Miike. Incesto e morte estão presentes não para aterrorizar,
mas como uma espécie de delírio real. O sonho é um pesadelo
disfarçado que aprisiona a protagonista num looping emocional. Artisticamente,
é o episódio mais surrealista.
Ao final da sessão,
é impossível não refletir sobre a viagem proposta por estes
três mestres asiáticos. Seus contos possuem um compromisso com
as profundezas da depravação humana. O único fator que
os conecta é a exploração da luta contra a mortalidade.
A sensibilidade individual de cada diretor se faz presente e as histórias
são uma espécie de desconstrução das convenções,
sendo que ao mesmo tempo tratam de temas universais, como a insanidade.