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Vôo
Noturno
Red Eye
EUA - 2005
Suspense - 85 min |
Direção:
Wes
Craven
Roteiro: Carl Ellsworth
Elenco: Rachel McAdams, Cillian Murphy, Brian Cox,
Jayma Mays, Robert Pine, Jack Scalia, Brittany Oaks, Tina Anderson,
Carl Gilliard, Suzie Plakson, Max Kasch, Laura Johnson, Angela Paton |
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Vôo
noturno (Red eye, 2005) nem parece ter saído da
safra atual do cineasta Wes Craven (A hora do pesadelo).
Longe do histrionismo da série Pânico, diferente até
mesmo do sobrenatural Amaldiçoados,
que ele lançou neste 2005, o filme propõe um suspense minimalista,
um tipo de violência psicológica sem sangueria, sem berreiro.
O próprio
título original não sugere bestas carniceiras de olhos vermelhos.
Red eye é o apelido do avião que trafega de madrugada
nos Estados Unidos. Na trama, Lisa Reisert (Rachel McAdams,
de Diário
de uma paixão) pega o tal vôo
em direção a Miami, onde mora e trabalha como gerente de um hotel.
Já no check-in ela conhece Jackson Rippner (Cillian
Murphy, o Espantalho de Batman
Begins), solícito e bem-apessoado rapaz que puxa papo antes
de embarcar. Surpresa: quando entram no avião eles acabam se sentando
lado a lado. O que Lisa não sabe é que Jackson preparou toda a
situação.
Logo que a aeronave sai do solo ele se apresenta melhor. Inventa um termo meio burocrático para dizer que seu trabalho é o terrorismo. Tudo de um jeito bem suave. Jackson diria que é suave o suficiente para que uma mulherzinha entenda fácil. O fato é que ele está interessado no Secretário de Segurança Nacional que sempre se hospeda no hotel em que Lisa trabalha. Só ela tem o poder de mudá-lo de quarto. A moça fica abismada: Jackson ordena que ela ligue para o hotel e faça com que o hóspede seja transferido, caso contrário, homens de tocaia assassinarão o pai de Lisa.
Essa premissa do roteiro de Carl Ellsworth - autor de episódios de Xena e Buffy, estreante em longas - demanda uma execução cuidadosa. É muito fácil cair no enfado e na morosidade quando boa parte da ação se resume a uma dúzia de poltronas em um avião. Como Craven possui ótimo domínio do espaço e, principalmente, como Rachel McAdams transmite muito bem o terror vivido pela personagem, o filme engata fácil.
Engata, principalmente, porque Lisa e Jackson são tipos bem construídos. No início do filme ela socorre por celular uma recepcionista do hotel às voltas com hóspedes raivosos. Isso demonstra que, um, ela sabe se controlar numa situação de pressão e, dois, ela tem lábia suficiente, como boa gerente, para acalmar os descontrolados. É esse tipo de talento que lhe é exigido, a vinte centímetros de seu algoz, no vôo limítrofe. Do lado de Murphy, seus olhares subentendem: por mais que Jackson seja profissional na coação, fica latente que há um sadismo, uma pulsão sexual, no trato com a sua seqüestrada.
Craven, espertamente, para dar ritmo a essa situação, restringe a violência física ao mínimo possível. Não há uma tomada-do-controle-do-avião-com-metralhadoras, espetacularização banal que jogaria contra a proposta do filme. Há sim, muita contenção. É emblemática a cabeçada inesperada que Jackson dá em Lisa: ele percebe que sangue escorre em sua testa e se assusta, como nós, com a brutalidade que pode sair do controle por ali.
Até então,
Ellsworth tem se mostrado um roteirista irrepreensível. Craven, um regente
seguro. Mas as turbulências criativas começam aos poucos, em concessões
a clichês de dramalhão, como mostrar que o secretário-alvo
se hospeda com a esposa loira e os dois filhos no hotel. É simplista
e maniqueísta, não precisava. Fica cada vez mais claro que o problema
de Vôo noturno - como na maioria das produções
hollywoodianas - é dar continuidade à boa idéia inicial.
A saída
encontrada é a mesma de sempre: encher a tela de artifícios para
esconder a falta de idéias. E tome correria, explosões, frases
feitas, perseguições, pessoas comuns que salvam o dia como super-heróis.
Isso prejudica o filme de Craven, mais do que qualquer outro, porque afinal
vai na contramão do suspense sem afetações do começo.
O engraçadinho diálogo final no hotel é deprimente, parece
escrito em cima da hora. Dizer além seria desleal, mas dá pra
afirmar que Vôo noturno promete mais do que cumpre.