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| Fome
de viver
The Hunger
Inglaterra, 1983
Drama/Suspense - 100 min |
Direção:
Tony Scott
Roteiro: James Costigan, Ivan Davis
Elenco: Catherine Deneuve, David Bowie, Susan Sarandon,
Cliff De Young, Beth Ehlers, Dan Hedaya, Rufus Collins, Suzanne
Bertish, James Aubrey, Ann Magnuson, John Stephen Hill
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O começo do filme já anuncia, através
de um clipe sombrio da banda Bauhaus com o vocalista Peter
Murphy se contorcendo pela tela: "Bela Lugosi está
morto".
A mensagem é clara. Esqueça tudo
o que você sabe sobre vampiros. A concepção clássica
do Conde Drácula, com sua capa preta, sotaque do leste europeu, castelo
lúgubre e presas pontiagudas já era, assim como os morcegos, lobos
e névoas misteriosas. O mundo agora pertence aos vampiros modernos, sofisticados.
A capa preta aqui só se for de design assinado.
Era o começo dos anos 1980 e o irmão
mais novo de Ridley, Tony Scott, iniciava sua carreira cinematográfica
com Fome de Viver (The Hunger, 1983), fracasso
de bilheteria que converteu-se em um dos mais cultuados filmes de vampiro da
história. Considerado o "filme preferido de 9 entre 10 góticos",
o suspense com Catherine Deneuve, Susan Sarandon
e David Bowie foi influenciado pela "nova ordem"
vampírica, iniciada em 1979 pela publicação de Entrevista
com o vampiro, de Anne Rice, e pela estréia de Drácula,
com Frank Langella.
Essa desconstrução dos mitos dos
chupadores de sangue é especialmente evidente em Fome de Viver,
já que a palavra "vampiro" sequer é pronunciada no filme.
Nele, Deneuve interpreta Miriam Blaylock, uma imortal secular
que vive ao lado de seu amante John (Bowie) em Nova York. Aqui,
vampiros e humanos são raças distintas, mas uma pessoa normal
pode ter sua vida extremamente prolongada se dividi-la com uma dessas criaturas.
Mas há um revés: depois de séculos, humanos comuns esbarram
num limite natural e envelhecem subitamente. John está há poucos
dias de enfrentar sua sina e procura a ajuda de uma cientista, Sarah (Sarandon),
especializada em envelhecimento. Porém, quando ela vai à casa
dos Blaylock, a ancestral e sensualíssima Mirian decide que é
hora de tomar para si uma nova amante...
A mitologia do filme é tão radicalmente
diferente da produção cinematográfica até então
que para buscar um paralelo é preciso retroceder 50 anos no tempo até
o pós-expressionista O vampiro (Vampyr, de Carl Theodor
Dreyer, 1932). Ambos os filmes têm a mesma atmosfera pesada, onírica,
com a forma triunfando sobre o roteiro (apesar do segundo evitar quase todo
o tempo a evocação do sobrenatural). De fato, a história
de Fome de Viver é quase mera desculpa do cineasta para mostrar
estilosos quadros - regados a Bach e Schubert - que lembram muito mais o trabalho
de seu irmão em Blade Runner que seus longas posteriores em
filmes comerciais como Chamas da vingança (2004), Jogo de espiões (2001) e Top Gun (1986).
E se os argumentos acima não forem suficientemente
convincentes para justificar uma ida ao cinema, há uma cena de sexo entre
Susan Sarandon e Catherine Deneuve capaz de fazer Drácula levantar da
tumba ao meio-dia.