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Caiu
do céu
Millions
EUA/Inglaterra, 2004
Comédia - 97 min |
Direção:
Danny Boyle
Roteiro: Frank Cottrell Boyce
Elenco: Alexander Nathan Etel, Lewis Owen McGibbon,
James Nesbitt, Daisy Donovan, Jane Hogarth, Alun Armstrong, Enzo
Cilenti, Nasser Memarzia, Kathryn Pogson, Harry Kirkham, Cornelius
Macarthy, Kolade Agboke
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Com uma carreira calcada no suspense, terror
e humor negro, o inglês Danny Boyle surpreende ao apresentar
em Caiu do céu (Millions, 2004) um
sensível filme-família. Mas não espere algo nos padrões
da Walt Disney, empresa especialista nesse tipo de produção. Apesar
de tratar-se de uma fábula, o longa não nega o passado do cineasta
de Trainspotting, Extermínio,
Cova Rasa e A praia.
Boyle continua tão inquieto como sempre.
Sua câmera não pára, sempre buscando ângulos inusitados
ou coloridas seqüências impactantes. Seus personagens também
beiram o burlesco, com santos que fumam baseados e adultos que parecem totalmente
desconectados da realidade o tempo todo. De fato, o único que parece
normal é justamente o mais estranho. O pequeno Damian (Alexander
Etel), aos nove anos de idade, vê mártires cristãos
e conhece todos por nome, data de nascimento e de morte, da mesma forma que
seus coleguinhas de escola entendem dos astros do esporte.
A história começa quando Damian,
seu irmão de 11 anos Anthony (Lewis McGibbon) e o pai
(o excelente James Nesbitt de Domingo sangrento) se
mudam para um condomínio de casas em Liverpool. A família tenta
se distanciar das lembranças já que a mãe morreu recentemente.
Curiosamente, as crianças não parecem muito afetadas pela perda.
Encaram com naturalidade sua situação e até usufruem dela
com enorme cara-de-pau quando conveniente.
A vida dos meninos muda radicalmente mesmo quando
Damian é atingido por uma enorme sacola cheia de dinheiro enquanto brincava,
ao lado de uma ferrovia, dentro de uma caixa de papelão. Ao contar para
o irmão sobre a descoberta - que ele acredita ser um presente divino
- a dupla começa a imaginar o que fazer com a vultuosa soma. Mas eles
têm que se apressar. O pound inglês deixará de existir
em poucos dias, dando lugar ao Euro da comunidade européia. Ver os dois
meninos - ambos excepcionalmente bem interpretados - discutindo sobre o que
fazer com o dinheiro, enquanto o malandro Anthony cria esquemas mirabolantes
para trocá-lo, é metade da diversão do filme.
Sem grandes pretensões, Caiu do céu
as alcança e supera rapidamente. Trata de dois temas principais: como
o dinheiro corrompe e a imaginação pode salvá-lo. A premissa
é batidíssima, mas nas mãos de Boyle e do roteirista Frank
Cottrell Boyce (A
festa nunca termina, Código
46) funciona como nunca.
Uma fábula inteligente, com visual estiloso
e relevante mensagem positiva. No atual mercado infanto-juvenil (e enfie nesse
saco toda a cinematografia nacional de Xuxas, Elianas, etc), este filme sim
é algo que caiu do céu.