 |
| |
O
pesadelo
Boogeyman
EUA - 2004
Terror - 86 min. |
Direção:Stephen
T. Kay
Roteiro: Eric Kripke, Juliet Snowden
e Stiles White,
Elenco:
Barry Watson, Emily Deschanel, Skye McCole Bartusiak, Lucy Lawless
, Robyn Malcolm, Charles Mesure, Tory Mussett, Michael Saccente
|
|
 |

|
 |
Já viu um
filme com vergonha de si mesmo? Traduzir o título de Boogeyman
(2005) para o genérico O Pesadelo -
por mais fortes que sejam as razões comerciais - só confirma uma
idéia que fica explícita no próprio longa. O ser que dá
nome ao filme é o famoso bicho-papão que assola a infância
de muitos. Esse sim é o mote da trama, mas não se menciona literalmente
o nome dele no título em português nem em muitos dos diálogos
em inglês. Parece medo de que isso possa desmerecer o trabalho, de que
tudo soe paródico, de que as pessoas não o levem a sério...
Pois se levar a sério demais é o principal erro do diretor Stephen T. Kay (O Implacável). Na história, Tim Jensen (Barry Watson) transformou dentro da sua cabeça a fábula infantil em um trauma excruciante. Jura ele que o seu pai foi levado certa noite, violentamente, mas todos da sua família defendem que essa foi a forma de Tim apagar da memória a separação dos pais. Agora, a sua mãe acaba de falecer, e o rapaz já crescido terá de voltar à casa onde foi criado para cuidar dos detalhes legais - e também para encarar os seus medos. Tudo não passou de imaginação, ele repete para si mesmo. Ou será que não?
A partir daí, caminhos se abrem. T. Kay poderia escolher o conflito psicológico que amedronta sem recorrer a sustos fáceis. Poderia enveredar pelo policial, de pistas e soluções cientificamente comprovadas. E poderia cair na correria, no fantástico, no horror em si. Conta a favor do diretor a sua decisão de não fazer uma única decisão. O filme tem momentos de investigação racional e, em seguida, brilhos de fantasia surreal.
O problema é que, no geral, a despretensão - quando Boogeyman não tem medo do espírito bicho-papão de ser - perde em desvantagem numérica da porção que se leva a sério demais.
Para ser mais exato, o horror está concentrado no fim, onde a revogação de leis da física, efeitos convincentes e montagem ultra-veloz cumprem a sua missão de anestesiar o olhar. Já o miolo todo recorre a clichês de terror teen que se pretende atmosférico. A visão que T. Kay nutre de suspense é um tanto míope. Basicamente, como Tim tem medo de portas e armários, trata-se de fechar o close-up em maçanetas, sempre. Na sua reciclagem de sustos consagrados, não falta nem a banheira sinistra com água suja e turva. Hollywood precisa, mesmo, é de um bom encanador.
O fato do filme
ser produzido pela Ghost House Pictures de Sam Raimi
deixa um gosto amargo. Como a companhia só produziu até
agora o sucesso O
grito (2004), o diretor de Uma noite alucinante ainda não
deixou a sua marca como produtor, nem achou um estilo próprio para a
GHP. Atrás da câmera, Raimi teria percebido que o bicho-papão
não se sustenta como suspense mas tem grande potencial como diversão
desbragada.