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Vozes
do Além
White Noise, 2005
EUA, Inglaterra, Canadá
Terror
- 101 min. |
Direção:
Geoffrey Sax
Roteiro: Niall Johnson
Elenco:
Michael Keaton, Chandra West, Deborah Kara Unger, Ian McNeice, Sarah
Strange, Nicholas Elia |
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Logo no seu início, Vozes do além
(White noise, 2005) quer mostrar que o Fenômeno da Voz
Eletrônica (FVE) não é mais uma invencionice de Hollywood,
que se trata de algo real e que grandes pensadores, como Thomas Edison, acreditavam
que os mortos conseguiriam enviar mensagens por meio de aparelhos eletrônicos.
Existe realmente um enorme número de pessoas que acreditam fazer contato
com quem não está mais entre nós. Dando uma busca rápida
na Internet pela sigla em inglês EVP (Eletronic Voice Phenomena),
é possível achar não apenas sites que falam sobre o assunto,
mas até mesmo alguns vídeos que mostram as supostas mensagens.
No filme, o inicialmente cético Jonathan
Rivers (Michael Keaton), rejeita a idéia de que sua falecida
esposa (Chandra West) esteja se comunicando com Raymond Price (Ian McNeice). Isso
até o dia em que ele mesmo começa a perceber que no meio da estática
dos rádios, televisores ou vídeo cassetes alguém está
tentando falar com ele. A partir deste momento, Johathan se torna um aficcionado
no assunto, deixando de lado seu trabalho como renomado arquiteto e até
mesmo o filho de seu primeiro casamento. Diferente do menino de O sexto sentido
(1999) que via pessoas mortas e consegue arranjar uma maneira de conviver
bem com isso, Jonathan passa a encarar este dom com uma obsessão, principalmente
depois que descobre que algumas das mensagens que recebe são pedidos
de socorro de pessoas que nem morreram ainda.
Se o assunto é sério como se diz,
o diretor Geoffrey Sax consegue banalizá-lo, transformando Vozes mortais em
mais apenas um sub-produto que pega carona em filmes asiáticos de suspense sobrenatural como Ringu (1998) e Ju-on: The Grudge (2003). As pessoas que gostam do gênero até
podem se divertir um pouco e levar um ou outro susto - embora na maioria das
vezes a virada que deveria fazer o espectador pular da poltrona é tão
previsível que dá até para se ajeitar e dar um gole no
refrigerante antes dela acontecer.
Isso sem contar as incoerências que
fogem à própria lógica hollywoodiana. Na cena em que Jonathan
vai pela primeira vez à casa de Raymond, ele encontra Sarah (Deborah Kara Unger). Sem dar nenhuma desculpa, ele sai da sala para deixá-los conversar e assim compartilhar
suas experiências. Ok, está dentro da cartilha norte-americana "Meus
primeiros passos em Hollywood". Mas quando Raymond deixa Jonathan sozinho
pela segunda vez, fica a dúvida: afinal, onde é que este cara vai toda hora? Pô, não dava para inventar uma forma mais sutil de deixá-lo à mercê dos espíritos falantes?
Mas o maior problema do filme é mesmo a falta de profundidade com que o Fenômeno é tratado. Em um momento da história, por exemplo, dá-se
a entender que as pessoas que conseguem receber estas mensagens estão
de alguma forma ligadas, mas o cineasta pára por aí, sem ao menos
tentar explicar qual é esta singularidade que torna estas pessoas especiais.
Muitos poderão defender o longa dizendo que até hoje não
foram descobertas as respostas exatas para o Fenômeno, mas aposto que
algumas teorias já devem existir. Então, por que não explorá-las
e assim tornar o filme mais interessante, inteligente e instigante? Ah, mas
daí dá trabalho e é preciso de talento, né? Então
deixa pra lá.