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Wimbledon
- O jogo do amor
Wimbledon, 2004
Inglat./França - 98 min.
Comédia Romântica |
Direção:
Richard
Loncraine
Roteiro: Adam Brooks e Jennifer Flackett
Elenco: Kirsten Dunst, Paul Bettany, Kyle Hyde,
Robert Lindsay, Celia Imrie, Penny Ryder, Annabel Leventon, Amanda
Walker
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Na Copa do Mundo
de futebol de 2002, o Brasil bateu a Inglaterra às vésperas do
início do torneio de tênis de Wimbledon. No dia seguinte, os ingleses,
com seu senso de humor apurado e seu já conhecido conformismo com as
derrotas, acordavam com a seguinte manchete no tablóide The Sun:
Anyone for tennis? (Alguém interessado num joguinho
de tênis?). Acredite, o futebol continua sendo a grande paixão
dos bretões, muito embora o rugbi e o críquete também levem
bastante gente aos estádios, mas durante as duas semanas em que um dos
maiores torneios de tênis do mundo é disputado nas gramas do lendário
The All England Lawn Tennis and Croquet Club, é para lá que os
holofotes estão sempre apontados, mesmo sabendo que um súdito
da Rainha dificilmente conseguirá levantar o troféu de campeão.
A Working Title,
produtora de filmes como Quatro casamentos e um funeral, Diário
de Bridget Jones e, recentemente, Simplesmente amor, se aproveitou
desta febre anual para criar e lançar Wimbledon - o jogo do
amor (de Richard Loncraine, 2004). Repetindo a fórmula de
Um lugar chamado Notting Hill, foi criado um roteiro que mostra uma americana
linda e famosa se apaixonando por um inglês sem muitas aspirações,
mas com um certo charme. No lugar da atriz interpretada por Julia Roberts
foi criada uma tenista em ascenção, papel de Kirsten Dunst
(a Mary Jane de Homem-Aranha). E em vez do dono de uma livraria de bairro
encarnado por Hugh Grant está o quase aposentado tenista feito
por Paul Bettany, mais conhecido pela sua parceria com Russel Crowe
em Uma mente brilhante e Mestre dos Mares.
O casal se conhece
no hotel, quando Peter Colt (Bettany) tem a visão que vai mudar sua vida:
Lizzie Bradbury (Dunst) tomando banho. Ela é uma das novas sensações
do esporte, tem um gênio forte e não gosta de perder. Esta é
a primeira participação da garota no torneio inglês e seu
técnico (e pai) mantém sob um rígido controle cada um de
seus passos. Numa situação completamente oposta está o
inglês, que um dia já foi o 11º melhor do mundo, mas que hoje
está apenas na 119ª colocação no ranking e
só vai disputar o torneio porque foi convidado. Acostumado a perder,
principalmente nos últimos anos, Colt pretende fazer desta a sua última
participação no disputado circuito profissional. A certeza de
seu fracasso é tão grande que até mesmo seu irmão
aposta nos adversários. Mas o amor (sempre ele!) faz com que o bretão
redescubra a alegria em jogar e, principalmente, vencer.
Para transformar
atores que nunca haviam tocado numa raquete em jogadores profissionais de alto
nível foi chamado o ex-tenista Pat Cash, que ganhou Wimbledon em 1987.
Cash trabalhou como consultor de tênis. Ele ajudou a criar as jogadas,
coreografá-las e ensinar os atores a imitar os movimentos do esporte.
E, conseguiu! As partidas, que nos Grand Slams (Aberto da Austrália,
Roland Garros, Wimbledon e Aberto dos Estados Unidos) são disputadas
em melhor de cinco sets, são resumidas em poucos lances, geralmente
jogadas de efeito, como ralis, mergulhos, aces e voleios junto à
rede. Isso poderia ser apontado como um defeito, pois nenhum esporte é
feito apenas de melhores momentos, mas é na verdade uma virtude,
afinal são poucos os espectadores normais de cinema que gostariam de
ver mais do que isso na telona.
Outro bom diferencial
criado foi a busca por ângulos diferentes do que normalmente se vê
nas transmissões de tênis. Como seria impossível e inviável
esperar que os atores acertassem todas as bolas nos lugares certos, a maioria
das jogadas foi filmada sem bolas, que foram inseridas artificialmente por computadores
mais tarde. É interessante acompanhar uma jogada pelo ponto de vista
da bola.
Descontando toda
a liberdade artística que está ali para aumentar a
tensão e mostrar a superação, as partidas não agridem
os que acompanham os jogos de Kuerten, Sá, Saretta e cia. E mais, quem
é fã mesmo de tênis, vai poder conhecer um pouco mais sobre
os bastidores de Wimbledon, pois as filmagens aconteceram in loco, no
torneio do ano passado, e o roteiro tem pitacos de tenistas como John McEnroe
e Chris Evert, que também participam do filme, como comentaristas. Tudo
para tentar torná-lo o mais próximo do real possível.
Mas e a parte romântica,
como fica? Paul Bettany não tem o mesmo charme de Hugh Grant, mas faz
um belo par com Kirsten Dunst, cujo carisma deveria ser engarrafado e vendido
por aí a peso de ouro. Porém, algo fica faltando. Talvez seja
a mão de Richard Curtis (Simplesmente amor). O roteiro, criado
por Jennifer Flackett e Mark Levin, e finalizado por Adam Brooks,
parece que seguiu a receita deixada por Curtis, mas errou nas quantidades dos
ingredientes e na forma de misturá-los. Ficou apenas gostoso, não
delicioso como de costume.
Na gíria
do tênis, seria o equivalente a um bom primeiro serviço, que não
chega a ser um ace, mas é o suficiente para deslocar o adversário
da quadra e deixá-la livre para um voleio fácil e matador.