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Alien
X Predador
Alien vs. Predator
EUA, 2004 - 101 min.
Ficção/Suspense |
Direção:
Paul W. S. Anderson
Roteiro: Dan OBannon, Ronald Shusett, Paul W.
S. Anderson
Elenco: Sanaa Lathan, Raoul Bova, Lance Henriksen,
Ewen Bremner, Colin Salmon, Tommy Flanagan, Joseph Rye, Agathe De
La Boulaye, Carsten Norgaard, Sam Troughton |
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A idéia de um encontro entre os Aliens
e os Predadores - duas das raças alienígenas
de maior sucesso nas telonas - não é nova. As criaturas já
se encontraram nos videogames e também diversas vezes nos quadrinhos,
onde enfrentaram o Exterminador do futuro, entre outros personagens. Entretanto,
em Alien X Predador (Alien vs. Predator,
2004) é a primeira vez que tais máquinas de matar se encontram
no cinema, onde foram criadas.
Infelizmente, o resultado está muito longe
da genialidade claustrofóbica de Alien (de
Ridley Scott, 1979), ou da aventura inteligente de Predador
(de John McTiernan, 1986). A única razão da existência de
AvP, como convencionou-se chamar o filme, é capitalizar em cima
do que pode ser a nova onda do cinema: encontros entre franquias consagradas,
algo que já provou ser lucrativo no ano passado, quando Jason
encarou Freddy Krueger (aqui).
Uma desculpa perfeitamente aceitável, vale lembrar, mas que poderia ter
gerado um entretenimento muito mais digno do passado dos personagens.
Mas nem todo o filme merece uma crítica
negativa. A estética da estrutura na qual a maior parte do filme se passa
favorece as batalhas, que são o grande apelo do filme. Tecnicamente,
a produção é esmerada... as criaturas estão perfeitas,
tudo foi cuidadosamente construído. Além disso, o começo
é bastante interessante, já que o diretor Paul W.S. Anderson
(veterano em filmes do gênero, como Resident Evil, Mortal Kombat
e Enigma do horizonte) soube criar o clima para o encontro, sem apressar
a inevitável pancadaria.
A idéia geral também agrada. Nela,
um súbito pulso de energia no coração da Antártida
faz com que o excêntrico milionário Charles Bishop Weyland (Lance
Henriksen) reúna uma equipe de cientistas para investigar sua
descoberta: uma pirâmide milenar enterrada sob o gelo. A equipe é
aquela genérica que você já conhece de outros filmes - o
nerd assustado, o militar tenso e o arqueólogo charmoso, entre outros.
A líder é a durona e corajosa Alexa Lex Woods (Sanaa
Lathan), que tem a missão de manter todos vivos.
Eram os deuses Predadores?
Quando chegam ao local, os membros do grupo têm
uma surpresa. A pirâmide é um amálgama de três culturas
ancestrais distintas, quase um elo perdido arquitetônico. O mesmo pode
ser dito sobre os hieróglifos que cobrem as paredes. Não tarda para que
eles percebam que a estrutura é um local onde são realizadas cerimônias
de iniciação, em que guerreiros precisam enfrentar ferozes "lagartos"
para que ganhem um marca e sejam considerados adultos. O que eles não
sabem, no entanto, é que o lugar foi construído pelos Predadores,
uma raça guerreira interplanetária que foi reverenciada no passado
da humanidade como deuses, e que dentro de suas paredes esconde-se uma rainha
Alien, pronta para gerar filhotes que servirão de teste para os jovens
caras de caranguejo.
A produção segue sem tropeços,
até que nos 30 minutos finais escorrega de maneira vergonhosa, propondo
algo que é comparável apenas ao híbrido alien/humano de
Alien: A Ressurreição - aquele bicho rosado de olhos lacrimejantes
que era feio de dar dó.
Com tal elemento dissonante, a trama desmorona
e as gargalhadas são inevitáveis. Algo triste de se ouvir durante
um filme que supostamente deveria ser de horror e ficção. Também
não ajuda o fato da Fox - de olho numa bilheteria mais expressiva - ter
retalhado a produção para que ela se adequasse à censura
13 anos, o que significa pouquíssimo sangue e violência. Sem sustos
(o melhor deles é protagonizado por um pingüim!!!), nem momentos chocantes
(já viu um alien sair do peito de alguém sem sangue?), fica ainda
mais difícil digerir o finalzinho pífio da projeção.
Assim, fica aqui a dica: Se você conseguir
resistir ao ímpeto de ver Aliens e Predadores se enfrentando nas telonas,
dentro de alguns meses será lançada uma versão do diretor
em DVD, completa com todas as nojeiras que Paul Anderson quis mostrar. Ela, sem
dúvida, será bastante superior à apresentada nos cinemas,
que traz apenas baba, muco e um ou outro sangue verde fosforescente pingando.