Paixão pela tela grande, narrativa inusitada, diálogos
caudalosos, monólogos elaborados, ousadia, citações e referências a marcos notáveis
do cinema, tudo isso virou a marca registrada de um dos nomes mais consagrados
da moderna sétima arte: Quentin Jerome Tarantino.
Do signo de Áries, natural de Knoxville, Tennessee, Estados
Unidos, Tarantino nasceu em 27 de março de 1963. Em cinema, já fez quase tudo.
Foi produtor, diretor, ator, roteirista e até gerente de vídeo-locadora. Nessa
última função, aos vinte e poucos anos, no começo da década de 80, pôde assistir
a muitas obras, que, mais tarde, garantiriam enorme fonte de inspiração e criatividade
para sua carreira.
A trajetória cinematográfica deste furacão inventivo
teve início modesto: pequenas pontas em filmes e participações sem importância
em seriados de TV até cursar direção no Sundance Institute. No entanto,
antes de finalmente poder exercer profissionalmente a função de diretor, Quentin
ofereceu à sétima arte alguns roteiros que fizeram história. É o caso de Amor
à queima-roupa (True romance) dirigido por Tony Scott
em 1993 e Assassinos por natureza (Natural Born killers),
assinado por Oliver Stone em 1994.
Tarantino usou, então, a grana que conseguiu
com o roteiro de Amor à queima-roupa para iniciar a pré-produção de Cães
de aluguel, (Reservoir dogs), baseado num obscuro filme policial
de Hong Kong, Cidade em chamas. A película recebeu, então, apoio financeiro
da LIVE Entertainment depois que Harvey Keitel concordou em atuar
nela, interpretando o experiente Sr. White. Foi o que bastou para o cineasta
se destacar no Festival Sundance, especializado no cinema independente. O boca-a-boca
após sua primeira exibição resultou em críticas muito favoráveis, tornando a
produção um verdadeiro cult.
Em 1994, Quentin escreveu e dirigiu seu maior
sucesso, o hoje lendário Pulp fiction - Tempo de violência, a
fita que ressuscitou John Travolta. Contando no elenco com Samuel
L. Jackson, Uma Thurman e Bruce Willis, foi indicada ao Oscar
de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original, ganhando a estatueta
por esta última categoria.
Pulp fiction expõe de maneira brilhante
o estilo de seu diretor em abordar o submundo do crime com doses maciças de
violência, deboche elegante, ostentação orgulhosa de suas influências cinematográficas,
trilha sonora garimpada e muito bom-humor. O filme entrelaça três narrativas,
arquitetadas de maneira circular e fragmentada que só se conectam inteiramente
no final. A principal conseqüência desta obra que reúne todos os elementos característicos
da lavra de Tarantino foi a mudança radical que se operou na cena independente
dos Estados Unidos, transformando toda uma geração de novos cineastas e sua
linguagem em peças valiosas no funcionamento de Hollywood. Desde então, astros
de renome aceitam papeis nos seus filmes e de outros indies com muito
mais facilidade, empenho e desenvoltura.
No mesmo ano de sua consagração, Tarantino também
foi um dos produtores executivos de Parceiros do crime (Killing
Zoe), de Roger Avary, o co-autor do roteiro de Pulp fiction.
No ano seguinte, dirigiu um dos segmentos da comédia Grand Hotel
(os outros episódios ficaram a cargo de Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez
e Allison Anders) e roteirizou e co-produziu Um drink no Inferno
(From dusk till dawn), que reuniu, no elenco George Clooney, Juliete Lewis e o próprio Tarantino.
Em 1997, ele voltou a dirigir, levando às telas
Jackie Brown, filme que adaptou o livro de Elmore Leonard e que
teve como protagonista a atriz Pam Grier, famosa nos anos 70 por atuar
em inúmeros fitas da chamada safra Blaxploitation, fonte de inspiração
constante de Tarantino. No elenco, havia feras hollywoodianas como Samuel L.
Jackson, Bridget Fonda, Michael Keaton, Robert de Niro e Chris Tucker. Dando
uma de Hitchcock, o diretor fez uma breve ponta como a voz ressonante da secretária
eletrônica.
Também em 1997, Tarantino apareceu em Full tilt boogie, um documentário sobre a realização
de Um drink no Inferno. No ano seguinte, seu envolvimento em filmes
limitou-se apenas a um papel em God said, ha!, de Julia Sweeney,
e, em 1999, produziu From dusk till dawn 2: Texas blood money.
Desde então, Quentin
reduziu muito suas atividades, embora tenha participado com destaque de dois
episódios da telessérie Alias
em 2001. Nos dois últimos anos, porém, dedicou-se inteiramente à sua quarta
película, Kill Bill cuja primeira parte estreou no final de 2003
nos Estados Unidos.
Verdadeira homenagem aos filmes de vingança dos
anos 70, Kill Bill traz Uma Thurman como a ex-assassina conhecida
como a Noiva. Cinco anos depois que seus antigos camaradas transformaram seu
casamento num banho de sangue, ela desperta do coma e jura vingança contra o
bando e seu antigo chefe Bill, interpretado por David Carradine.
No elenco, também estão presentes Lucy Liu, Daryl Hannah, David
Carradine, Michael Madsen, e Vivica A. Fox.
A julgar pelas imagens que circulam na internet
e nos trailers de cinema, Tarantino volta à carga com uma arma poderosa,
que, mais uma vez, pode alçar vôo sem escalas rumo à história do cinema mundial.
Renata Prado tem um blog em www.salvemasjacas.blogger.com.br