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Peter
Pan
EUA, 2003
Fantasia - 113 min. |
Direção:
P.J. Hogan
Roteiro: P.J. Hogan, Michael Goldenberg, J.M. Barrie
(peça)
Elenco: Jason Isaacs, Jeremy Sumpter, Rachel Hurd-Wood,
Lynn Redgrave, Richard Briers, Olivia Williams, Geoffrey Palmer, Harry
Newell, Freddie Popplewell, Ludivine Sagnier, Theodore Chester |
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Peter
Pan, tanto o filme quanto o personagem, têm um problema:
ser infantil ou adulto? O longa-metragem dirigido por P.J. Hogan
(O casamento do meu melhor amigo) será lançado aqui no
Brasil em cópias legendadas e dubladas, característica de um filme
infantil. Porém, a produção vai além da versão
clássica transformada pela Disney em desenho animado. É mais sombrio
e romântico, ou seja, mais adulto.
Baseado na peça
de teatro escrita por J.M. Barrie há 100 anos, este
filme levou duas décadas para virar realidade. Nesse tempo todo, a produtora
Lucy Fisher (dona dos direitos de filmagem) e seu marido Douglas Wick reuniram
uma equipe técnica invejável, com vários indicados e vencedores
do Oscar, como o montador Michael Kahn (O Resgate do Soldado Ryan, A Lista
de Schindler e Os Caçadores da Arca Perdida) e Scott Farrar
(Cocoon, A.I. - Inteligência Artificial e Backdraft),
da Industrial Light & Magic, que chefiou a equipe de efeitos visuais.
No geral, o elenco é, por motivos óbvios, menos experiente pois reúne vários atores mirins. Mas isso não quer dizer que eles não saibam o que fazem.
Jeremy Sumpter (Peter Pan) e
a estreante Rachel Hurd-Wood (Wendy) estão ótimos na tela. Demonstram a inocência quase perdida tão bem quanto se aventuram pela Terra do Nunca. Mas é a presença de Jason Isaacs que pode deixar os espectadores com a pulga atrás da orelha.
Acostumado a interpretar vilões, como o coronel inglês em O Patriota, ou o pai de Draco Malfoy em Harry Potter e a câmara secreta, Isaacs encara um papel duplo, como Capitão Gancho e pai de Wendy, João e Miguel.
O que há de tão estranho nisso? Simples. É o patriarca da família Darling que resolve que é hora de Wendy, sua filha mais velha, virar mulher. Com esta decisão, a menina vai deixar de dormir no mesmo quarto que seus irmãos. Transformando seu pai no vilão, Wendy decide contar uma última história, sobre Peter Pan, o menino que vivia na Terra do Nunca e não queria virar adulto. Seu arqui-inimigo é o Capitão Gancho, um pirata cuja mão direita foi comida pelo jacaré Tique-taque. O próprio Peter, no entanto, é um fã das histórias contadas por Wendy e acaba convencendo a menina e seus irmãos a voarem com ele para aquele lugar que fica depois da segunda estrela e reto até o amanhecer. Lá, eles enfrentam piratas, crocodilos gigantes e sereias (sim, elas são belas, mas perigosas).
Mas a aventura
é real, ou apenas mais uma belíssima história contada por
Wendy? E assim voltamos, então, ao problema inicial. Ser infantil, ou
adulto? Nós, que cultivamos as crianças dentro de nós,
recebemos um pouco de pó mágico (cortesia da fada Sininho - interpretada
pela francesa Ludivine Sagnier,
de Swimming Pool)
e nos divertimos e emocionamos. Mas a verdade é que cada um escolhe o
seu fim. Tudo depende se você quer continuar sendo criança ou crescer
e encarar uma vida com trabalho, filhos e outras responsabilidades.