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O
Senhor dos Anéis:
O retorno do Rei
(The Lord of the Rings:
The return of the king)
EUA, 2003
- 201 min.
Fantasia |
Direção:
Peter Jackson
Roteiro: Peter Jackson, Frances Walsh, Philippa
Boyens, Stephen Sinclair - baseado na obra de J.R.R. Tolkien
Elenco:
Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Billy Boyd,
Liv Tyler, John Rhys-Davies, Dominic Monaghan, Miranda Otto, Brad
Dourif, Orlando Bloom, Cate Blanchett, Karl Urban, Bernard Hill,
David Wenham, Andy Serkis, Robyn Malcolm, John Leigh,
Paul Norell, Lawrence Makoare, John Noble |
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Durante toda a minha vida de cinéfilo,
sempre me perguntei como teria sido assistir aos grandes épicos do cinema
na época em que foram lançados. Como os espectadores reagiram
em 1933 quando o King Kong apareceu pela primeira vez na tela?
E quando o Ben-Hur venceu a corrida de bigas em 59? Como seria
a emoção de ver em 1962 o fulminante ataque à cidade de
Agraba em Lawrence da Arábia? Ou ainda... como
teria sido conferir 2001 - Uma odisséia no Espaço
(1968) e Star Wars (1977)?
A resposta para essas perguntas veio em agosto
de 2001 na forma de nove companheiros, unidos numa missão para salvar
seu mundo, a Terra-média. Era a prévia
especial para a imprensa da adaptação da cultuada trilogia
do sul-africano J.R.R.Tolkien
para as telas, conduzida por um desacreditado neo-zelandês chamado Peter
Jackson, que empreendeu uma cruzada quase tão penosa - e
satisfatória no final - quanto à de Frodo, Sam e seus aliados.
No evento, durante 26 minutos, jornalistas foram transportados para o rico universo
criado pelo escritor. A sensação deve ter sido muito semelhante
à que os espectadores tiveram quando aportaram pela primeira vez na Ilha
da Caveira, lar do gorila gigante que mais tarde cairia do topo do edifício
Empire State. No final, todas as dúvidas a respeito da qualidade da produção,
que só chegaria às telas em dezembro daquele ano, estavam dissipadas.
Só restava esperar pelo filme.
Veio A
sociedade do Anel e com ele cenas memoráveis, como
a fuga das Minas de Moria, o primeiro passeio pelo Condado, a beleza de Lothlórien,
a corajosa queda de Boromir. O começo da aventura era sensacional e o
final da produção irritava os desavisados. Cadê
o final?, perguntavam-se as pessoas que estavam tomando contato pela
primeira vez com a obra.
Mais um ano se passou, até que As
duas torres entrou em cartaz, estabelecendo novos parâmetros
de ação épica. A grandiosa batalha de Agraba é superada
pela revolução digital. Dezenas de milhares de guerreiros cobrem
a paisagem, numa investida à fortaleza do Abismo de Helm, onde Aragorn,
Legolas e Gimli lutam lado a lado com os defensores de Rohan contra as hordas
invasoras. É impossível deixar de maravilhar-se com a escala da
aventura. Enquanto isso, Gollum - a impressionante criatura
digital comandada por Andy Serkis - cativava a audiência
pela sua miséria e sofrimento. Agora, só faltava um.
O retorno do Rei
Chega às telas o terceiro capítulo,
O Retorno do Rei, historicamente o ponto fraco de
várias trilogias no cinema. Star Wars, por exemplo, tem em O
retorno de Jedi seu elo mais fraco. O poderoso Chefão e
De volta para o futuro idem. Matrix revolutions... bem, melhor
nem falar sobre esse. Apesar das desconfianças, Peter Jackson insistia
fiz os dois primeiros só para poder realizar esse. Um
cineasta nunca foi tão feliz numa afirmação. Parecia impossível,
mas o derradeiro capítulo é também o melhor.
Tão veloz que as primeiras três
horas passam como um curta-metragem, O retorno do Rei extrapola a escala
da ação mostrada no segundo filme. Se antes os guerreiros eram
dezenas de milhares, agora perdem-se de vista. E não vem sós...
nâzgul alados participam do ataque à capital da humanidade, Minas
Tirith, ao lado de orcs, uruk-hais, trolls, bárbaros humanos
e os impressionantes Olifantes de guerra, tudo isso mostrado de forma perfeitamente
inteligível, orquestrada em sintonia com a música grandiosa de
Howard Shore. O sentimento, ou melhor... o sentimentalismo,
também não é esquecido, com passagens carregadíssimas
de emoção.
Na trama, Frodo (Elijah Wood)
e Sam (Sean Astin), famintos e sedentos, estão à
beira da loucura e suas provações ainda estão longe do
fim, já que eles precisam atravessar Mordor, lar do terrível senhor
da escuridão, Sauron. Aragorn (Viggo
Mortensen) finalmente aceita seu papel na história da humanidade e torna-se
aquilo que ele nasceu para ser. Entretanto, há um obstáculo ainda
mais dramático em seu caminho, algo capaz de mudar o rumo do conflito.
Gandalf, o Branco (Sir Ian McKellen) desponta como um general
audacioso, capaz de devolver a coragem aos guerreiros de Rohan. Merry
(Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd) tornam-se
soldados e terão papéis fundamentais no confronto. Théoden
(Bernard Hill) lidera as forças de Rohan e protagoniza, ao lado de sua
sobrinha Éowyn (Miranda Otto) algumas das melhores
seqüências do filme. Aliás, a participação da
moça certamente deixará as feministas em êxtase!
Mais uma vez, a adaptação do texto
original é primorosa. Jackson e os roteiristas Frances Walsh,
Philippa Boyens e Stephen Sinclair conseguiram
capturar a essência do livro, retirando tudo o que é pouco relevante
para a história e ampliando momentos interessantes, explicados de maneira
superficial por Tolkien. Assim, ganha importância o Rei dos Mortos
e seu juramento e saem os capítulo do Expurgo do Condado
e das Casas da Cura. Infelizmente, não foi possível
encaixar nas três horas e vinte (!) o destino de Saruman
(Christopher Lee). Entretanto, ele certamente estará na versão
estendida que será lançada nos Estados Unidos em 2004.
O fim da saga
O resultando impressionante nas bilheterias (os
três filmes juntos já superaram 2 bilhões de dólares
mundialmente) é plenamente justificado pela afluência de público
de todos os gêneros, não só fãs de fantasia ou ficção.
O mérito aí é da história clássica - que
Tolkien começou a desenvolver depois da Primeira Guerra Mundial e acabou
uma década depois da Segunda -, que exalta o amor, trabalho, amizade
e compaixão, desprezando a ganância e abusos de poder. Algo que
se encaixa perfeitamente nos dias de hoje, também marcados por conflitos
decididos por poucos e poderosos.
Se é necessário apontar algo negativo
no filme, é justamente o fato dele ser o último da série.
Não haverá O Senhor dos Anéis em 2004 e, apesar da vontade
de Peter Jackson de realizar O hobbit - o primeiro
livro de Tolkien - é ainda pouco provável que isso aconteça,
já que os herdeiros de Tolkien não gostaram da adaptação
e são eles quem detêm os direitos sobre o livro. Contentar-se com
Harry Potter será difícil.
Além disso, os últimos minutos
do filme, extraídos do extenso prólogo do romance, concluem a
saga pelo menos três vezes antes dos créditos finais. A decisão
parece ter deixado algumas pessoas na platéia um tanto irritadas, já
que ela obviamente privilegia os fãs da obra, sempre ávidos por
detalhes. O Omelete, claro, adorou.
Enfim, posso ficar tranqüilo agora. Já
sei como as pessoas que viram o King Kong em 1933 se sentiram. Na verdade...
espero saber exatamente como foi isso em 2005, quando o mesmo
Peter Jackson de O Senhor dos Anéis lançar a sua refilmagem
do clássico do Rei Kong. Apaixonado pelo filme, o cineasta já
declarou que tratará o original com o mesmo empenho que teve com a obra
de Tolkien. Não duvidamos.
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Imagens © New Line
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