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Confissões
de uma mente perigosa
Confessions of a dangerous mind - EUA, 2002
Ação/humor - 113min.
Direção: George Clooney
Roteiro: Chuck Barris (livro), Charlie Kaufman
Elenco:
Sam Rockwell, George Clooney, Jennifer Rae Westley, Drew Barrymore,
Julia Roberts, Rutger Hauer, Maggie Gyllenhaal, David Julian Hirsh,
Jerry Weintraub, Frank Fontaine
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"Cool"
é uma expressão da língua inglesa que é muito
usada para destacar algo ou alguém que é muito legal, descolado,
acima da média, excepcional, estiloso, obrigatório. Esta palavrinha
de apenas quatro letras (três, na verdade, se levar em consideração
que uma delas se repete) vem sendo falada há tanto tempo que ninguém
sabe ao certo quando começou. Alguns relatos dizem que foram os negros,
que começaram a usá-la na década de 30, mas que a popularização
veio mesmo com os jazzistas dos anos 40 e que a 2ª Guerra Mundial tratou
de espalhá-la no mundo todo.
Em português
não há uma palavra que tenha a mesma força. Já
usaram o "da hora", "do balacobaco", "irado",
"animal", mas estas expressões acabam logo caindo em desuso.
Bom, todo este
blablablá foi só para você entender o que é "cool",
porque George Clooney É COOL!
Foram se os tempos
em que ele era o Dr. Doug Ross, o médico bonitão da série
E.R. (Plantão médico, quando passava na Globo).
Hoje, ele é uma das pessoas mais importantes de Hollywood. Ator de
filmes como Três Reis (Three Kings, de David O. Russell
- 1999) e E aí, meu irmão, cadê você? (O
Brother, Where Art Thou?, dos irmão Cohen - 2000). Clooney assumiu
também a função de produtor. Ao lado de Steven
Soderbergh (Traffic)
criou a Section Eight, de onde saíram Onze
Homens e um segredo (Oceans Eleven - 2001) e Solaris
(idem - 2002).
Agora, Clooney
deu mais um passo e virou também diretor. O resultado de sua primeira
aventura por trás das câmeras é Confissões
de uma mente perigosa (Confessions of a Dangerous Mind -
2002). O filme conta
a história de Chuck Barris, um produtor de TV americano
que inventou game-shows como The Dating Game e The Gong
Show. Nunca ouviu falar? Errado. Você conhece estes dois programas,
mas eles passavam (ainda passam?) na TV brasileira com outros nomes. O primeiro
show foi chamado no Brasil de Namoro na TV e o segundo é o
Show de calouros. Mas não é só isso. Barris
diz que enquanto inventava estas atrações foi também
um agente da CIA e matou 33 pessoas! Está tudo escrito na sua autobiografia.
O roteiro baseado
no livro foi feito por Charlie Kaufman, o mesmo que escreveu os ótimos
Quero ser John Malkovich (Being John Malkovich, de Spike
Jonze - 1999) e Adaptação
(Adaptation, de Spike Jonze - 2002). Clooney havia gostado tanto
do projeto que continuava interessado em interpretar o agente Jim Byrd mesmo
depois de ver o filme sendo cancelado três vezes e passar nas mãos
de diretores do quilate de David Fincher (O
quarto do pânico) e Curtis Hanson (8
Mile). Mas quando Bryan Singer (X-Men)
pulou fora do barco, Clooney resolveu que seria a hora de finalmente dirigir
um longa-metragem.
Apaixonado pelos
filmes dos anos 60 e 70, o diretor "emprestou" muito da estética
dos filmes desta época. As passagens de câmera são um
dos pontos altos da parte técnica da fita. Cenários, luzes,
pessoas e câmeras se movem de forma discreta para mostrar a passagem
do tempo de uma forma inteligente. Para o papel principal foi chamado Sam
Rockwell (As
Panteras), um ator não muito famoso para o público em
geral, mas bastante talentoso. O elenco de apoio foi conseguido à base
de uma poderosa agenda telefônica. Em algumas ligações,
Clooney conseguiu chamar seus amigos Drew Barrymore e Julia Roberts
para os papéis secundários e ainda Brad Pitt e Matt
Damon para uma ponta rapidíssima, mas muito engraçada.
O resultado final
de tudo isso é tão cool que nem parece que se tratar
da estréia de Clooney na direção. Aliás, se continuar
assim, ele vai ter que mudar seu nome para George Coolney.