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Como
perder um homem em 10 dias
How to lose a guy in 10 days, EUA, 2003
Com. romântica - 116min.
Direção: Donald Petrie
Roteiro: Kristen Buckley, Brian Regan, Burr Steers
Elenco: Kate Hudson, Matthew McConaughey, Kathryn Hahn,
Annie Parisse, Adam Goldberg, Thomas Lennon, Michael Michele, Shalom
Harlow, Robert Klein, Bebe Neuwirth, Samantha Quan...
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Muito me intrigam
as comédias românticas hollywoodianas. Como pode o mesmo filme ser
realizado à exaustão e o público continuar lotando salas
para vê-lo? Trocam as situações e os atores (às vezes
nem isso), mas a estrutura básica permanece sempre variando entre três
ou quatro temas. A repetição é tanta que estou até
ficando sem idéias para fazer as resenhas sobre este gênero. Talvez
eu devesse fazer como eles e preparar uma estrutura padrão. Troco apenas
os nomes, a sinopse e voilá! Eis mais uma crítica de comédia
romântica no Omelete...
Em Como
perder um homem em 10 dias (How to lose a guy in 10 days,
de Donald Petrie, 2003), Andie Anderson (Kate Hudson), colunista
da revista fútil Composure, recebe uma tarefa bastante incomum
e que deve ser cumprida num prazo apertadíssimo. Ela tem de escrever
em sua coluna todas as coisas que uma mulher deve fazer para afastar um pretendente.
E deve fazê-lo em 10 dias.
A jornalista embarca
numa missão para localizar a vítima perfeita, alguém que
se apaixone rapidamente, para que ela possa cometer todas as gafes clássicas
a fim de levar um fora do rapaz. Infelizmente para Andie, a vítima escolhida
é o publicitário bonitão Benjamin Barry (Matthew
McConaughey), que acaba de fazer uma aposta com seu chefe. Se ele conseguir
fazer uma mulher se apaixonar por ele em 10 dias, será o novo gerente
da maior conta da agência de publicidade em que trabalha. O que pode sair
de um relacionamento assim, baseado totalmente na desonestidade? Pode apostar
que você já sabe, afinal, essa é uma comédia romântica
das piores.
O diretor Donald
Petrie foi melhor em Miss
Simpatia (Miss congeniality, 2000), no qual pelo menos era
possível dar umas risadas com o elenco de apoio e apreciar a beleza de
Sandra Bullock como a Cinderela da vez. Quem também decepciona é
Kate Hudson, que parecia ter uma carreira brilhante pela frente depois de Quase
famosos (Almost famous, de Cameron Crowe, 2001), mas parece
mais interpretar uma garota com sérios distúrbios psicológicos
do que alguém cometendo gafes de início de relacionamento. Aliás,
as tais gafes são tão irreais quanto alienígenas em um
filme de ficção científica sem orçamento! Exageradas
e constrangedoras, as dicas de "como perder um homem em 10 dias" são
dignas de internação e não de rompimento de namoro.
O filme também
falha terrivelmente ao mostrar uma cena dentro de um cinema que está
exibindo uma "maratona de comédias românticas". Nela,
pessoas esquisitas assistem aos clássicos do gênero como Uma
linda mulher (Pretty woman, de Garry Marshall, 1990) e Sintonia
de amor (Sleepless in Seatle, de Nora Ephron, 1993). Na saída
da sessão, não pude deixar de imaginar se é mesmo daquela
forma que os produtores imaginam o seu público...
Porém,
há pelo menos uma seqüência de valor no filme. Na cena da
festa, perto do final do filme, todas as jóias que são utilizadas
são verdadeiras. Nela, guardas verdadeiros se misturaram aos atores para
garantir a segurança dos 15 milhões de dólares em jóias
emprestadas para a equipe de produção. Só as jóias
ostentadas por Kate Hudson, incluindo um enorme diamante amarelo de 87 quilates,
valem a bagatela de 5,5 milhões de verdinhas. Não falei que havia
algo de valor na cena? ;-)
Imagens
© Paramount Pictures