Lembra desse? Batman no cinema - Parte 5
Lembra desse? Batman no cinema - Parte 5
O Alegre Schumacher
Leia o
especial Lembra Desse? Batman no cinema completo, clicando
aqui
Pois
é. Como os produtores viram que Batman não era mesmo o lance de Tim
Burton, chamaram um diretor de filmes sérios. Foi assim que entrou
em cena um certo sujeito conhecido pela alcunha de Joel Schumacher.
Pelo visto, o homem
empolgou-se com o projeto. Além da conta, por sinal. Tanto que não vou me dar
ao trabalho de realizar análises muito profundas dos dois filme do Morcegão
que o dito cujo dirigiu. Ambas as produções são tão lamentáveis que não merecem
o esforço.
Uma coisa é uma
produção capenga que gera (mesmo que involuntariamente) umas boas risadas. Outra
bem diferente são duas superproduções presunçosas, que ofendem a inteligência
do espectador sem dó nem piedade. Afinal, se os filmes anteriores tinham suas
virtudes, Schumacher fez questão de ignorá-las e dar uma colorida no mundo do
Cavaleiro das Trevas.
Ai que saudades
do Burton...
Em 1995, chegou
às telas Batman eternamente, agora com um novo ator por baixo
do capuz do morcego. O galãzinho Val Kilmer até que tentou, mas era inexpressivo
demais para impor respeito como um Batman decente; ainda mais usando uma armadura
com mamilos salientes e protagonizando uma das mais deprimentes cenas da história
das adaptações das HQs paras as telas:
O close das NÁDEGAS
de Batman enquanto veste as calças do uniforme!
Não bastasse a
cena degradante, vemos que o dito tem um zíper dividindo seus bat-glúteos!
Para piorar a situação, trouxeram Robin (Chris O´Donnel) de volta do
limbo, provido claro, de mamilos igualmente assanhados como os de seu parceiro.
Agora, porém, ele não é mais um menino órfão e indefeso, e sim um mauricinho
com quase trinta anos nas costas, que Bruce Wayne acolhe em sua casa... Depois
não querem que suspeitem do relacionamento dos dois. Resultado: fotos da dupla
dinâmica foram um dos artigos gays mais vendidos naquele ano.
É claro que os
produtores não podiam dar muito na cara. Então puseram a estonteante Nicole
Kidman (numa das piores atuações de sua vida) como o interesse romântico
do Morcegão. Sua personagem, a psicóloga Chase Meridian, faz de tudo
para seduzir o vigilante de Gotham, mas mesmo assim a coisa não decola; até
porque, dois malvadões sem unem contra ele: O Charada, vivido por Jim Carrey
em sua pior fase careteira e O Duas-Caras na pele de Tommy Lee Jones,
na pior e mais equivocada atuação do filme. Dois tremendos desperdícios de bons
personagens. Um duelo de risadinhas, caras e bocas afetadas condizentes apenas
com o carnaval que é este filme.
No fim, o Duas-Caras
morre e o Charada, que graças a seu pavoroso aparelho leitor de mentes, havia
descoberto a identidade secreta do Batman, enlouquece e vai parar no Asilo Arkham.
A única coisa divertida nessa balbúrdia toda é a música Hold me, trill me,
kiss me, kill me que a banda U2 compôs para o filme. E olha que ela só
toca nos créditos finais...
BAT-SINAL VERMELHO:
O Batmóvel
que sobe pelas paredes: Inveja do Homem-Aranha. Só pode.
O uniforme
do Robin: Acreditam que Alfred o costurou na surdina sem que o Batman soubesse.
Mas como o indefectível mordomo tinha as medidas certinhas do menino?
O leitor de
mentes do Charada : Um capacete em forma de liquidificador. O que mais posso
dizer?
A Segurança
da Mansão Wayne: Primeiro Dick Grayson (o Robin), descobre a Batcaverna
na maior moleza. Depois, os vilões simplesmente entram pelo portão da frente.
Joel Schumacher
como diretor: De quadrinhos e Batman, ele entende menos ainda do que Tim
Burton. Isso é um prodígio.
DANDO UM TIRO NO
CADÁVER
Em 1997, Schumacher
aprontou de novo. E aprontou BONITO.
Tudo o que não
pôde fazer no filme anterior, ele concretizou em Batman & Robin:
Uma paródia milionária do seriado cômico dos anos 60!
Mais colorido,
mais exagerado e extravagante. Um verdadeiro desfile carnavalesco de plumas,
paetês e carros alegóricos com luzes de neón.
O galã emergente
George Clooney caiu na maior roubada da sua carreira ao aceitar ser o
novo Homem-Morcego. Pior ainda, faz o Batman mais feliz de toda a série. De
tão fascinado que devia estar com todas as luzes coloridas que piscavam ao seu
redor, nem se sentiu mal em escorregar pela calda de um dinossauro como se fosse
o Fred Flintstone ou de usar o escabroso Bat-card para terminar
de denegrir a pouca decência que sua personagem ainda carregava.
JOGANDO A PÁ DE
CAL
Para demolir de
vez o barraco, Robin está passando por um crise-de-menino-rico e quer ser mais
independente. Quando nada mais poderia parecer mais ultrajante, surge a Batgirl
(a patricinha Alicia Silverstone) para terminar de exterminar as personagens
clássicas da mitologia do Morcego.
E os vilões? Hera
Venenosa, interpretada por Uma Thurman, parece uma drag-queen depois
da feira. Nem sensual, nem engraçada, cai num monte de produtos químicos e sofre
uma mutação genética para atazanar Gotham e a paciência do espectador. O mesmo
vale para o Sr. Frio de Arnold Schwarzenegger, numa atuação ruim
até mesmo para seus padrões de brucutu. Além disso, deram um jeito de pôr o
sub-vilão Bane na história e transformá-lo num sub-Hulk.
O resultado da
bagaça: Um sono gostoso, pois nem como comédia dá para encarar esse filmeco.
Sem dúvida, um dos piores de todos os tempos, de dar inveja ao sagrado Ed
Wood. Depois de tamanho vexame, não é de se surpreender que a cine-série
do Morcego foi descansar em paz.
No entanto, para
não parecer injusto, devo ressaltar as duas ÚNICAS virtudes das duas
últimas Bat-películas:
Fazer com que os
dois filmes de Tim Burton não pareçam tão ruins.
Demonstrar, sob
todos os aspectos possíveis, como NÃO deve ser uma adaptação de HQs para as
telas.
O MELIANTE SE DEFENDE
Quando do lançamento
do derradeiro filme da série, nosso talentoso diretor esteve no Brasil e numa
coletiva, deu sua opinião sobre o por quê de Bruce Wayne ser o Batman: Porque
é divertido! Muito divertido! Ele é rico, bonito e fica com todas as mulheres
lindas. Tem os brinquedos mais legais da cidade, um uniforme sensacional e sempre
ganha!
E Schumacher não
sossegou o facho por um bom tempo. Mesmo jogando fora duas chances de fazer
o tão sonhado filme definitivo do Homem-Morcego, tentou pôr suas mãozinhas felizes
no projeto Batman: ano um. Ele queria
uma Mulher-Gato negra e transbordante de sensualidade como a vilã do filme.
Graças aos céus Schumy está bem longe desta possível produção. Os fãs e a humanidade,
como um todo, agradecem.